A presença de um bom meio-campista representa demais a qualquer equipe que planeja brigar por títulos. Há posições que, se carentes de um jogador de primeira linha, não causam tantos problemas assim. No entanto, um atleta que sabe desequilibrar as partidas a partir da faixa central deveria ser alicerce na montagem de qualquer elenco. O Athletico Paranaense teve um olhar clínico neste aspecto. Descobriu no Audax um garoto que poderia se desenvolver muito. A ascensão não demorou. Meses após sua contratação, Bruno Guimarães deixou de ser um ilustre desconhecido para se tornar o ponto central na equipe de Tiago Nunes. E, mais importante, para se tornar esse cara que faz a diferença em busca dos títulos. A partida decisiva do camisa 39 nesta quarta permitiu ao Furacão dar um passo à frente em busca da Copa do Brasil.

Aos 21 anos, Bruno Guimarães é daqueles jogadores que não apenas se prometem grandes, mas também se mostram grandes. A maturidade do jovem meio-campista está em seu jogo completo. Em qualquer momento da partida, o camisa 39 consegue ser participativo e importante. Quando a bola está com o adversário, marca com muita intensidade e pressiona. Quando a bola está com um companheiro, sabe explorar os espaços para receber o passe e também avançar para romper as linhas. Porém, o melhor mesmo é quando a bola está em seus pés. É neste instante que se nota como ela acaba bem tratada.

Se o tal “jogador moderno” virou uma expressão clichê, Bruno Guimarães possui essa modernidade sem depreciar o refinamento antigo. Basta vez a maneira como dita o ritmo e organiza o time a partir de seus passes. O meio-campista possui uma visão de jogo privilegiada para aproveitar as passagens dos companheiros, seja para abrir nas pontas, seja para buscar o meio. Se precisa alongar, possui muita precisão nos lançamentos. E se há a necessidade de definir, também aparece. O meio-campista possui um número razoável de gols, e gols importantes. Foram dois na campanha da Sul-Americana, outros dois na Libertadores. Nenhum deles, contudo, com o peso do que fez nesta quarta.

Durante o primeiro tempo burocrático do Athletico Paranaense, Bruno Guimarães distribuiu as cartas através da posse de bola. Faltava mais infiltrações aos rubro-negros, que esbarravam na bem trancada defesa do Internacional. O meio-campista teve um momento ou outro, com destaque a uma inversão fabulosa para Khellven na direita, mas era pouco a um time que precisava criar mais. Foi no segundo tempo, diante de um espaço maior, que o camisa 39 soube definir a partida.

O Inter estava melhor no início da etapa complementar. A entrada de Thonny Anderson pareceu ajudar um pouco a desorganizar a marcação dos colorados naquele estalo. É o substituto que recua e inicia a jogada do gol, com o lançamento para Nikão. A inteligência de Bruno Guimarães valeu para avançar e aproveitar a movimentação de Marco Ruben, que buscou a bola. Rodrigo Moledo saiu à caça de Bruno e, após o pivô para a tabela truncada com o argentino, o meio-campista atacou o buraco deixado por zagueiro. Então, pesou sua qualidade para bater na bola.

Diante de Marcelo Lomba e com Cuesta já pressionando, o camisa 39 fez o movimento perfeito. Pegou com a parte de fora do pé, para chutar de primeira a bola que quicava. A finalização poderia dar muito errado. Não deu porque o rapaz é diferenciado. Bruno mandou a bola na gaveta e correu para o abraço.

A confiança de Bruno Guimarães, que já parece altíssima, cresce ainda mais. E isso se percebe com um olhar mais minucioso além dos 90 minutos. O meio-campista foi um dos melhores do time na conquista da Copa Sul-Americana. Consegue ascender nos grandes duelos do Athletico neste ano, como bem se vê na Copa do Brasil. Durante a memorável virada contra o Grêmio, o jovem mandou na faixa central e teve participação direta no primeiro gol, ao carimbar o travessão. Agora, encontrou as redes, merecidamente.

A vitória na Arena da Baixada não é garantia ao Athletico e o time sabe que vai encarar uma partida difícil no Beira-Rio. Dependerá de Bruno Guimarães. Com ou sem o título, o garoto está entre os melhores meio-campistas do Brasil – e não é de hoje. Ganhar chances na seleção olímpica, a esta altura, parece o mínimo ao carioca. Tem bola e cabeça para muito mais. E, ao que tudo indica, também possui uma margem de crescimento considerável nos próximos anos. Ao lado do já vendido Renan Lodi, Bruno é uma verdadeira pepita de ouro aprimorada por esse Furacão de Tiago Nunes. E os rubro-negros aproveitam bem esse brilho. Desfrutam.

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