Quando Fabián Balbuena chegou ao West Ham, já dava para perceber o baita negócio feito pelos londrinos na contratação do zagueiro. Pagaram míseros €4 milhões a um dos melhores defensores do futebol brasileiro nos últimos anos, encorpando um elenco que se renovava bastante. Acertar o ponteiro com tantas mudanças não é tão fácil e os resultados do time de Manuel Pellegrini não são consistentes o suficiente. Em compensação, a importância do paraguaio é clara. E ainda que o pós-jogo de Leicester 1×1 West Ham tenha enveredado a uma notícia bem mais triste, com o acidente envolvendo o helicóptero do dono das Raposas, a atuação excepcional do camisa 4 não pode passar em branco. Seu melhor momento neste bom começo na Premier League.

Balbuena foi mesmo uma escolha consciente do West Ham para protagonizar o miolo de zaga. Forma uma sólida dupla com Issa Diop, jovem de bastante potencial trazido do Toulouse. O paraguaio disputou as dez primeiras rodadas da Premier League como titular, sem deixar o campo por um minuto sequer. E mesmo com a campanha modesta dos Hammers, aparece com bons números. Segundo o site WhoScored, que avalia os jogadores conforme suas estatísticas nas partidas, o defensor é o segundo melhor do elenco londrino, atrás apenas de Felipe Anderson. Além disso, está entre os dez melhores zagueiros centrais da liga. Aparece entre os dez que mais interceptam passes e é o líder em bolas rifadas.

O jogo deste sábado mostrou o melhor de Balbuena. Foi impressionante a maneira como o camisa 4 tomou conta da área do West Ham. A partida foi uma grande provação defensiva aos londrinos, não apenas por atuarem fora de casa, mas também por ficarem com um a menos desde os 38 minutos do primeiro tempo. Por isso mesmo, a exigência mostrou como o paraguaio corresponde sob pressão. Ganhou mais bolas pelo alto do que qualquer outro de seu time, controlou os espaços, não perdeu divididas. Foram três chutes bloqueados, dois desarmes, duas interceptações. E enquanto o Leicester insistia na pressão, o beque rifou 15 bolas dos arredores da área dos londrinos. Uma fortaleza, com participação fundamental ainda nos lances decisivos.

Balbuena poderia muito bem ter encerrado a partida como grande herói. Além de tudo o que fez na defesa, foi ele quem abriu o placar, aos 30 minutos. Sua capacidade no apoio ao ataque não é novidade e isso se comprovou pela primeira vez no West Ham, com o gol inédito pelo clube. Apareceu muito bem às costas da zaga para desviar de cabeça um cruzamento, mas carimbou a trave. Teve a sorte do rebote sobrar à sua frente, apenas para soltar o pé diante das redes vazias. Uma pena que, no finalzinho, a infelicidade do paraguaio tenha permitido o empate. Wilfried Ndidi arriscou de fora da área, a bola bateu no camisa 4 e morreu no ângulo, sem chances a Lukasz Fabianski.

Não é o azar, porém, que pode ser computado como erro ou que diminui a partidaça de Balbuena. A torcida do West Ham começa a confiar no zagueiro para livrar o clube dos riscos e, quem sabe, almejar uma estadia mais segura na metade de cima da tabela. Time para isso os Hammers têm, embora necessitem de acertos. Mas já veem a adaptação imediata de seu novo “General”, sem sentir o estranhamento pelos novos ares ou a exigência da nova liga. Os bons serviços, quem sabe, podem até render ambições maiores ao paraguaio. Além da qualidade técnica, a liderança também se evidencia no Estádio Olímpico de Londres. Tem boas chances de marcar seu nome.