A Argentina vê o seu desespero se ampliar um pouco mais na Copa América. E, na verdade, se sente aliviada pela situação não estar pior. O time de Lionel Scaloni deu sinais de melhora, após a derrota contra a Colômbia na estreia. Mesmo assim, isso foi pouco a uma Albiceleste inócua no ataque e abusando dos erros na proteção. O Paraguai, por outro lado, se mostrou muito mais eficiente em sua proposta. Conseguiu se segurar com tranquilidade atrás e levou mais perigo nos contragolpes. Abriu o placar, cedeu o empate em um pênalti discutível e só não garantiu a vitória porque Franco Armani pegou um penal de Derlis González. Ao final, o empate por 1 a 1 não é bom para ninguém. Deixa as duas equipes sob enormes riscos de eliminação. Se alguém pode se dizer um pouco mais confortada, é a Argentina, mas sabendo que encara um Catar organizado e matreiro no compromisso final.

Mudanças nas escalações

Lionel Scaloni precisava mudar e barrou alguns de seus medalhões. Nada de Sergio Agüero e Ángel Di María desta vez. Rodrigo de Paul e Lautaro Martínez ganharam as posições. Pelo lado direito do meio-campo, outra novidade foi Roberto Pereyra, com Giovani Lo Celso centralizado. Já Milton Casco entrou na lateral direita. O Paraguai contava com uma equipe mais compacta ao que se viu contra o Catar. Eduardo Berizzo também realizou seis mudanças no time titular – entre jogadores que ficaram disponíveis, outros lesionados e também aqueles barrados por decisão técnica. Gustavo Gómez e Derlis González estavam entre os escalados, enquanto Federico Santander suplantava Óscar Cardozo na linha de frente.

Argentina indica sua evolução

Como era de se esperar, a Argentina partiu para cima no início do jogo. A equipe de Lionel Scaloni se postou no campo de ataque e conseguiu trabalhar bem os passes na intermediária, já uma evolução em relação ao que se viu contra a Colômbia. Faltava romper a defesa do Paraguai, com raras penetrações e muitos toques de lado. Um raro susto ocorreu quando Messi encontrou um espaço pela direita, aos cinco minutos, mas o cruzamento rasteiro em direção à pequena área foi cortado por Junior Alonso. Enquanto isso, a Albirroja mal passava da linha central. Apostava em ligações diretas, sem conectar os jogadores de frente.

O Paraguai se acha em campo

Por volta dos 20 minutos, o Paraguai se sentiu à vontade em campo, diante da passividade da Argentina com a posse de bola. As chances de gol da Albiceleste não aconteciam, sem qualquer presença de área. Aos guaranis, bastava acertar os avanços. E logo o time de Eduardo Berizzo encaixou o seu jogo, atacando os laterais adversários. Um grande aviso veio aos 28, pela direita. Derlis González recebeu um ótimo lançamento de Miguel Almirón, às costas de Nicolás Tagliafico. Invadiu a área e chutou, mas o jogador do Ajax se recuperou, travando o arremate. A bola passou muito próxima da trave. Quando teve a oportunidade de responder, em cobrança de falta frontal, Messi não deu tanto trabalho a Gatito Fernández. Foi a única finalização albiceleste nos 45 minutos iniciais.

O craque é Almirón

Aos 36 minutos, o Paraguai não perdoou em sua segunda chance. Abriu o placar no Mineirão, graças a uma jogadaça de Almirón. O meia arrancou pelo lado esquerdo, sem que nenhum argentino conseguisse o acompanhar ou fizesse o mínimo para bloquear seu caminho. Com a avenida Milton Casco aberta, o camisa 23 chegou à linha de fundo e cruzou para trás. Encontrou Richard Sánchez, desimpedido para finalizar. O chute mascado do meio-campista saiu em direção ao canto da meta de Franco Armani, sem qualquer chance de defesa. Só aumentava a pressão sobre a Argentina, impotente.

O abismo albiceleste

A Argentina dava sinais de nervosismo. Não foram poucos os momentos em que seus jogadores se estranharam com os paraguaios. Além disso, Armani recebia diversas bolas na fogueira. Em uma delas, tentou dar o chutão e acertou Derlis González. Recebeu apenas o amarelo. Os argentinos não deram a mínima mostra de reação. A tarefa de Scaloni nos vestiários seria dura, para tentar arrancar algo de sua equipe.

Entra Agüero

A Argentina mudou para o segundo tempo. A Argentina precisava mudar para o segundo tempo. Scaloni foi ousado ao sacar Pereyra, mandando Sergio Agüero a campo e deixando sua equipe mais ofensiva. E a impressão era de que a troca poderia ser desastrosa à Albiceleste, com a defesa mais exposta. O Paraguai chegou algumas vezes em velocidade, sem conseguir tanto. Por outro lado, a Albiceleste tinha mais presença nos arredores da área e brigava para encontrar os espaços.

O pênalti discutível

Aos seis minutos, aconteceu o lance determinante aos rumos do segundo tempo. Agüero fez a jogada pela direita e cruzou para Lautaro Martínez, que carimbou o travessão. A sobra ainda ficou com Messi, girando sobre a marcação, antes de soltar a bomba. Gatito Fernández realizou grande defesa. Só que o VAR avisou no ouvido de Wilton Pereira Sampaio sobre um possível pênalti. O árbitro foi ao monitor revisar e, depois de longa conferência, assinalou a infração. No arremate de Lautaro, a bola bateu na coxa de Iván Piris, depois em seu braço. Marcação indevida, que causou a compreensível revolta nos guaranis. Messi partiu à cobrança e finalizou bem, no canto, sem que Gatito alcançasse mesmo depois de acertar o lado.

O pênalti indiscutível – e desperdiçado

Neste momento, a Argentina dava pinta de crescer no jogo. Tentava se postar no ataque e arrematar mais. O Paraguai ficava à espreita de um erro. E esse erro seria crasso, aos 15 minutos, em lançamento para Derlis González. Nicolás Otamendi não conseguiu acompanhar o paraguaio e deu um desastrado carrinho. Pênalti claro para a Albirroja, para o próprio Derlis chutar. Entretanto, a cobrança do camisa 10 não foi tão boa assim e Armani adivinhou o canto. Espalmou a bola rasteira, recolocando seu time na peleja.

As mudanças

A Argentina pareceu sentir o momento após o pênalti defendido. Messi realizou duas ótimas jogadas pela esquerda, em cima de Piris. Na segunda, passou a Lo Celso, que fez o cruzamento e Lautaro não cabeceou em cheio, mandando por cima do gol. Para aproveitar a ofensiva, Scaloni colocou Ángel Di María no lado esquerdo. Mas tirou justamente Lautaro, que saiu insatisfeito. Novamente Messi ficou encaixotado na marcação pelo meio, em mais uma fraca atuação do camisa 10, e Di María pouco fez. A defesa paraguaia se dava melhor, com muita solidez e bom posicionamento. Além disso, Berizzo passou a apostar ainda mais nos contragolpes, ao trocar Santander por Óscar Romero.

Ninguém saiu do lugar

A Argentina fazia pouco para conseguir a virada. Ao mesmo tempo, o Paraguai voltou a errar demais os seus contragolpes. Mas, em uma rara chegada, já criou problemas o suficiente à Albiceleste. Almirón só foi parado por Otamendi com falta. A posição da cobrança era distante, mas Matías Rojas soltou o petardo e forçou uma difícil defesa de Armani. Romero também cabeceou em cima do goleiro o rebote, só que estava impedido. Por fim, quando Almirón deu lugar a Celso Ortíz, a última cartada de Scaloni veio com Matías Suárez, na vaga de Rodrigo de Paul. Os minutos finais, porém, pouco renderam. Uma Argentina afobada errava até fundamentos. O Paraguai, contido a marcar, deixava Romero isolado aos contra-ataques. Foi um término arrastado e simbólico a um confronto fraco tecnicamente.

Próxima rodada

A Argentina encerra a sua participação no Grupo B enfrentando o Catar, na Arena do Grêmio. Precisa vencer se quiser descolar ao menos um lugar entre os melhores terceiros colados. Os argentinos têm um ponto, assim como os catarianos. Já o Paraguai encara a Colômbia na Fonte Nova. Com dois pontos, o time também depende do resultado. O lado bom é que enfrenta os colombianos já classificados e garantidos na primeira colocação da chave.

Ficha técnica

Paraguai 1×1 Argentina

Local: Mineirão, em Belo Horizonte
Árbitro: Wilton Pereira Sampaio (BRA)
Gols: Richard Sánchez, aos 36’/1T; Lionel Messi, 11’/2T
Cartões amarelos: Rodrigo Rojas, Gustavo Gómez, Iván Piris (Paraguai); Franco Armani, Nicolás Tagliafico, Nicolás Otamendi (Argentina)
Cartões vermelhos:

Paraguai: Gatito Fernández, Iván Piris, Gustavo Gómez, Júnior Alonso, Santiago Arzamendia; Derlis González (Juan Escobar), Richard Sánchez, Rodrigo Rojas, Matías Rojas; Miguel Almirón (Celso Ortíz), Federico Santander (Óscar Romero). Técnico: Eduardo Berizzo.

Argentina: Franco Armani, Milton Casco, Germán Pezzella, Nicolás Otamendi, Nicolás Tagliafico; Roberto Pereyra (Sergio Agüero), Giovani Lo Celso, Leandro Paredes, Rodrigo de Paul (Matías Suárez); Lionel Messi, Lautaro Martínez (Ángel Di María). Técnico: Lionel Scaloni.