Foi com drama, como só havia de acontecer. A Argentina colecionou gols perdidos, deu enormes bobeiras na defesa e sofreu ameaças constantes do Catar. No entanto, conseguiu se classificar aos mata-matas da Copa América. Um erro bisonho da defesa adversária permitiu que Lautaro Martínez abrisse o placar logo no início do jogo. Mesmo assim, os argentinos brincaram com fogo e só conseguiram matar o duelo no final do segundo tempo, graças a um golaço de Sergio Agüero – que, até então, vivia uma péssima atuação. Em suas antíteses, ao menos, o time de Lionel Scaloni fez mais ofensivamente que nas partidas anteriores. E o triunfo por 2 a 0 em Porto Alegre significa sua sobrevida, bem como a despedida dos catarianos.

A Argentina, de qualquer maneira, tem motivos para encostar a cabeça no travesseiro preocupada. Com a segunda colocação do Grupo B, pegará a Venezuela nas quartas de final. Certamente a derrota categórica para a Vinotinto na última Data Fifa, com Messi e tudo, voltará à tona. Além do mais, o cruzamento com o Brasil pode acontecer já nas semifinais. O trabalho será intenso nos próximos dias, mesmo que o desastre não tenha se consumado.

As escalações

A Argentina vinha com uma formação mais ofensiva, como era de se esperar. O trio de frente era composto por Messi, Lautaro e Agüero, com o camisa 10 aparecendo mais na criação. De Paul se manteve no meio-campo. Já na defesa, enquanto Saravia retomou a posição na esquerda, Foyth era a novidade ao lado de Otamendi. O Catar, por sua vez, repetia o 5-3-2 que deu trabalho à Colômbia na rodada anterior, com Afif se aproximando de Almoez Ali na frente.

Um presente para a Argentina

A Argentina começou a partida indo para cima do Catar, como precisava. Logo nos primeiros instantes, já aconteceu uma finalização para fora. Todavia, o gol precoce de Lautaro Martínez dependeria de uma falha gritante de Al-Rawi. O zagueiro saiu jogando errado e entregou o presente nos pés do atacante, com o caminho aberto à sua frente. O jovem não podia desperdiçar e finalizou com tranquilidade, no canto do goleiro Al-Sheeb. Já era o resultado suficiente à Albiceleste, que caiu em seu colo. Restava administrá-lo.

Ofensivamente, uma Argentina melhor

As mudanças de Lionel Scaloni surtiram efeito na Argentina. Apesar do erro que deu a vantagem, realmente o time apresentou uma evolução em seu jogo ofensivo. Contava com a aproximação dos meio-campistas e a movimentação dos atacantes. Não à toa, a equipe precisou de pouco tempo para criar bem mais oportunidades do que nos dois jogos anteriores. Faltava um pouco mais de calma na conclusão, com Lo Celso exagerando na força duas vezes.

Defensivamente, uma Argentina ainda caótica

Não significava uma partida tranquila à Argentina, porém. O meio-campo seguia frouxo na marcação e existiam enormes espaços às costas da defesa. Por mais que o Catar jogasse recuado, não demorou a emendar seus contra-ataques, explorando a velocidade de seus homens de frente. Al-Haydos poderia ter feito estrago quando tentou encobrir Armani. O goleiro salvou e o impedimento foi assinalado. Logo depois, Almoez Ali foi travado na hora exata por Juan Foyth.

Uma porção de gols perdidos

A Argentina criou chances para garantir uma vitória mais confortável durante o primeiro tempo. O problema se concentrou nos gols perdidos pela Albiceleste. Messi deu um passe açucarado para Agüero que, de frente para o goleiro, mandou para fora. Mesmo esfriando, os argentinos seguiram em cima e lamentaram outros tentos jogados fora aos 38. Primeiro, Otamendi cabeceou na pequena área e mandou por cima. Depois, a bola pipocou diante de diferentes jogadores e ninguém conseguiu finalizar em cheio. Ainda não existia calma, já que o empate deixaria os asiáticos à frente na tabela.

O Catar dava os seus avisos

Pior do que as chances desperdiçadas, a Argentina roía as unhas pelas escapadas do Catar. Cada avanço dos oponentes era um susto garantido, com a defesa bastante exposta. Al-Haydos, novamente impedido, ameaçou em carrinho para fora. E pouco antes do intervalo quase veio o empate. Em cobrança de falta na entrada da área, Al-Rawi chutou uma bola venenosa, que bateu no pé da trave de Armani. Era necessário cobrar atenção máxima para o segundo tempo. Messi, tímido, só tinha finalizado uma vez, embora se encarregasse da armação.

Um início de segundo tempo capcioso

O Catar pareceu sentir o bom momento. Começou o segundo tempo um pouco mais solto, buscando o ataque. A Argentina conseguia se segurar, sem que os catarianos entrassem na grande área. Scaloni aumentou a proteção, com Acuña no lugar de Lo Celso. E os albicelestes passaram a encontrar mais espaços para os contragolpes. Agüero, em péssima tarde, seguia desperdiçando os passes de Messi. O time cresceu a partir dos 15 minutos. Quando acertou o pé, completando cobrança de escanteio, Agüero parou em defesaça à queima-roupa de Al-Sheeb. E o goleiro voltaria a frustrar o atacante, espalmando chute cruzado, minutos depos.

Dybala finalmente entra

O Catar lembrou que estava vivo aos 24. Afif puxou o ataque e poderia fazer muitas coisas, mas preferiu tomar a pior decisão e bateu para fora. A Argentina vivia no limite, especialmente por não matar o jogo logo quando tinha a chance. Messi voltou a finalizar e isolou uma bola dentro da grande área. A entrada de Dybala no lugar de Lautaro parecia ajudar um pouco mais a Albiceleste na criação, mas o substituto, enfim ganhando um espaço, logo já mostrou que estava sintonizado com os companheiros ao errar o alvo por muito. Enquanto isso, o Catar prometia uma postura ofensiva, ao trocar um zagueiro por um meia para os 15 minutos finais.

Agüero se redime

A Argentina só definiu o jogo aos 37 do segundo tempo. E contou com a participação decisiva de Agüero, balançando as redes depois de tanto aparecer. Foi um lindo lance do atacante, que recebeu na intermediária e acelerou. Com o Catar adiantado, achou o espaço e passou por dois adversários, antes de finalizar cruzado, finalmente superando Al-Sheeb. O tento praticamente encerrou a partida. Com a torcida empolgada nas arquibancadas, os argentinos mantiveram o controle da situação e até pareceram mais próximos do terceiro. Puderam respirar aliviados. Apesar dos riscos, a classificação veio. Mas não apaga os problemas. Já o Catar, eliminado, lamentar o que esboçou e não concretizou. É uma equipe bem organizada, mas com suas carências técnicas. Mesmo diante de uma Argentina em frangalhos, não se impôs.

Ficha técnica

Argentina 2×0 Catar

Local: Arena do Grêmio, em Porto Alegre
Árbitro: Julio Bascuñán (CHI)
Gols: Lautaro Martínez, aos 3’/1T, Sergio Agüero, aos 37’/2T
Cartões amarelos: Giovani Lo Celso, Juan Foyth (Argentina); Almoez Ali, Karim Boudiaf, Abdullah Al Ahrak (Catar)
Cartões vermelhos: nenhum

Argentina: Franco Armani, Renzo Saravia, Juan Foyth (Germán Pezzella), Nicolás Otamendi, Nicolás Tagliafico; Rodrigo de Paul, Leandro Paredes, Giovani Lo Celso (Marcos Acuña); Lionel Messi, Lautaro Martínez (Paulo Dybala), Sergio Agüero. Técnico: Lionel Scaloni.

Catar: Saad Al Sheeb, Ró-Ró (Hamid Ismaeil), Bassam Al Rawi, Boualem Khoukhi, Salem Al Hajri (Abdullah Al Ahrak), Tarek Salman; Abdelaziz Hatim, Karim Boudiaf, Hassan Al-Haydos; Akram Afif, Almoez Ali. Técnico: Félix Sánchez.