A torcida no Estádio Nilton Santos sabia o tamanho da partida que se preparava. O estádio se encheu e se pintou de alvinegro para uma noite decisiva pelo Brasileirão. Enquanto o Botafogo tenta evitar o risco do rebaixamento, o Cruzeiro busca um respiro fora do Z-4. Um jogo de seis pontos, já diria o clichê. E a máxima que pesou nesta quinta foi aquela de que “algumas coisas só acontecem com os botafoguenses”. Os cariocas dominaram o jogo. Especialmente durante o segundo tempo, os anfitriões martelaram insistentemente em busca do gol. Foi inacreditável como a bola não entrou. Mas os cruzeirenses, acuados atrás, foram mais precisos quando chegaram à frente. Valeram-se de seus garotos para conquistar a vitória por 2 a 0. Pela primeira vez neste segundo turno, a Raposa deixa a zona de rebaixamento.

É curioso notar como um clube igual ao Cruzeiro, que tanto gastou no elenco estrelado, agora se agarra a jovens lapidados na Toca da Raposa para se safar da segundona. Muitos medalhões permanecem em campo, mas os heróis da vez foram dois novatos: o zagueiro Cacá e o volante Éderson, autores dos gols da noite.

Fechado, o Cruzeiro via o Botafogo tomar a iniciativa desde o princípio. Os alvinegros buscavam mais o ataque, mas tinham dificuldades para criar. E, a bem da verdade, não era possível esperar grande primor de duas equipes em tal situação, ainda mais em uma partida tão desesperadora quanto esta. Os cruzeirenses até assustaram de início, num lance de Marquinhos Gabriel que Gabriel travou. Mas, esperando o momento para dar sua estocada, a Raposa comemoraria o gol no primeiro chute no alvo do jogo, apenas aos 25 minutos. Thiago Neves cobrou escanteio e Cacá concluiu de cabeça para dentro.

A partir de então, o Cruzeiro poderia desenvolver o seu plano. Muitas vezes, os celestes optaram por gastar o tempo e travar o Botafogo. Mais do que isso, precisavam se fechar ao redor da área. Para a sorte dos visitantes, os botafoguenses iam mal na construção das jogadas. A pressão era inócua, diante da falta de espaços. Raros eram os lances de perigo, como em cobrança de falta de Léo Valencia que Fábio viu sair ao lado de sua trave.

O Botafogo dava sinais de melhora ao final do primeiro tempo. E, na volta do intervalo, se portou de maneira mais contundente. Fábio precisou trabalhar aos cinco minutos, quando João Paulo buscou o canto. O nível de pressão aumentava. Os alvinegros montavam uma blitz ao redor da área cruzeirense, sobretudo com bolas alçadas. E os mineiros não queriam nada além do passar dos minutos. Cacá, que quase meteu um gol contra, salvo por Fábio, pouco depois faria um desarme vital em cima de Diego Souza. A Raposa estava no fio da navalha.

A insistência do Botafogo era tamanha que, cedo ou tarde, o gol parecia pronto a acontecer. Mas a bola persistia em não entrar, com arremates que passavam próximos à trave. Até quando Fábio deixou sua meta aberta, Carli mandou para fora. Os ponteiros andavam e os torcedores alvinegros se afligiam. Apesar de todo o esforço, não era uma noite gloriosa. A certeza disso se tornou mais clara aos 35, quando Fábio bateu roupa em uma cobrança de falta de Marcinho e Gabriel escorou a sobra. Mansa, a bola saiu triscando a trave. Seria este o filme da frustração dos cariocas, com mais um par de chances de Yuri para fora. E não era a entrada de Vinícius Tanque no ataque que concedia ânimo aos anfitriões.

Nos acréscimos, o último suspiro do Botafogo se deu em outra bola alçada na área. João Paulo fez o cruzamento, Carli escorou para o meio da área e Igor Cássio desviou para fora. Pois os requintes de crueldade aos alvinegros ainda culminariam no segundo gol do Cruzeiro, aos 51. Num contra-ataque aberto, Ariel Cabral foi lançado por Dodô e invadiu a área. Então, Éderson passou sozinho e recebeu a bola para acertar um bonito chute no alto da meta de Gatito. Foi a primeira finalização da Raposa em quase 50 minutos. O desafogo.

O Cruzeiro reage desde a chegada de Abel Braga. A Raposa não perde há sete rodadas e vem de três vitórias em seus últimos quatro compromissos. Os pontos conquistados se tornam vitais para tirar os celestes do Z-4. Com a vitória, a equipe chega aos 32 pontos, jogando o Fluminense para a zona da confusão. Já o Botafogo definitivamente não vive bom momento e espera ter mais sorte da próxima vez. Com 33 pontos, os alvinegros ocupam o 14° lugar. A angústia desta vez se desdobra além dos 90 minutos.

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