Quando o relógio batia os 55 do segundo tempo, já parecia hora mais que suficiente para desligar a TV e tentar aproveitar de alguma outra forma o restante da noite de sábado. A partida entre Goiás e Palmeiras se sugeria fadada ao empate, que ampliaria o jejum dos paulistas. No entanto, se o verde é a cor da esperança, desta vez ela se camuflou com o uniforme reserva no Serra Dourada. Em uma bola que pingou na área, já no estouro do cronômetro, os palmeirenses arrancaram um resultado para levantar o ânimo do clube. Gustavo Scarpa virou herói aos 55, ao oferecer o triunfo por 2 a 1. Depois de sete rodadas, e justo na estreia de Mano Menezes, o Palmeiras se reencontrou com a vitória no Brasileirão.

Parecia mesmo o início de um novo período ao Palmeiras. Depois da apática atuação contra o Flamengo, na qual os jogadores estavam satisfeitos em assistir ao baile rubro-negro de dentro do gramado, os palmeirenses tiveram bem mais atitude no Serra Dourada. O time começou a partida de maneira intensa e pressionava, gerando algumas boas ocasiões. Entretanto, tomou um duro golpe aos 19 minutos, quando o Goiás começou a equilibrar as ações e abriu o placar. Rafael Vaz soltou um petardo da intermediária e a bola tomou o caminho direto para o gol. Triscou no travessão, antes de entrar. Jaílson, substituto de Weverton na noite, errou o tempo da bola e não evitou a pintura.

O gol baqueou momentaneamente o Palmeiras. Quando o time voltou a criar e a encurralar os esmeraldinos, depois dos 30, viu o goleiro Tadeu cresceu. Ele pegou uma bola no mano a mano com Luan e também espalmou um chute de Dudu. Já aos 42, o árbitro anularia o empate de Luiz Adriano. Avaliou que o centroavante empurrou o marcador e preferiu cancelar o tento. Estava claro que os palestrinos tinham totais condições de buscar a vitória, mas o tempo passava e aumentava a pressa.

A etapa final seria determinada por um lance preocupante que aconteceu aos sete minutos. Em lançamento, Zé Rafael e Tadeu se chocaram duramente e caíram desacordados no gramado. Enquanto o meia palmeirense saiu grogue pela linha de fundo, o arqueiro precisou ser colocado na ambulância, mas já com os sentidos recuperados. O lance mobilizou os jogadores de ambas as equipes e somente depois de seis minutos de paralisação é que a peleja foi retomada. Enquanto Willian entrou pelo lado paulista, o goleiro Marcos assumiu a meta goiana.

O Goiás jogava nas bolas longas e era pouco efetivo. O Palmeiras dominava a posse e sitiava a área adversária, mas pecava na hora de definir. A pressa deixou o time mais agressivo, assim como Mano Menezes, ao sacar Ramires por Lucas Lima. Aos 24, o empate não se consumou porque Fábio Sanches tirou o arremate de Willian já em cima da linha. Dudu chamava a responsabilidade pela direita e Borja, que entrara no lugar de Luiz Adriano, quase aproveitou uma jogada do ponta para marcar. Mas o tento só aconteceu aos 36. Pouco depois de ter um gol anulado, Willian recebeu o passe de Scarpa e, saindo livre nas costas da zaga, bateu para as redes. O assistente levantou a bandeira e a indecisão prevaleceu, até que o VAR confirmasse a posição legal.

Restavam mais 20 minutos e o Palmeiras atacava com todas as suas armas. Andava difícil superar a muralha do Goiás, com a zaga conseguindo rifar a maioria dos lances na área. A situação pareceu se complicar aos 45, quando Lucas Lima recebeu o segundo amarelo e foi expulso. Todavia, os palmeirenses foram insistentes nos longos acréscimos, garantidos por causa das revisões e da parada para atendimento médico. Renatinho poderia ter colocado tudo a perder aos 51, em cobrança de falta que Jaílson foi buscar com grande defesa. E a inescapável erupção palestrina se deu aos 55. Marcos Rocha cobrou lateral em direção à área, o goleiro Marcos saiu mal e a sobra ficou com Scarpa, que aproveitou a meta vazia. Gol da vitória, com mais alguns minutos de revisão, sem qualquer irregularidade.

Curiosamente, o Palmeiras não sabia o que era virar um jogo desde a passagem de Roger Machado pelo clube. Felipão não conseguiu uma remontada sequer em seus 13 meses no cargo, sucumbindo em todos os 20 duelos no qual saiu atrás no placar. Além disso, o time voltou a vencer no Brasileirão pela primeira vez desde a parada à Copa América.

O Palmeiras jogou de uma forma mais agressiva, o que se pedia ao antigo comandante. Dudu e Scarpa puxaram a fila na vontade imposta pelos palestrinos, algo determinado também pelas circunstâncias da partida. Ainda é cedo para falar sobre qualquer mudança geral, mas o ímpeto foi outro desta vez, sobretudo quando comparado ao que aconteceu no Maracanã. Os três pontos, além de simbólicos, ajudam os paulistas na tabela. Chegam aos 33, superando Corinthians e São Paulo para tomar a terceira colocação. O Goiás é o 14°, com 21.