Conquistar duas taças na temporada já basta para você se contentar com o seu clube? Para boa parte dos torcedores, é mais do que suficiente. Mas não quando se beira uma glória maior para completar a tríplice coroa. Quando se tem a chance de conquistar não só o país, mas todo o continente. Quando se pode escrever de maneira bem mais marcante a história. Barcelona e Juventus não se enfrentam neste sábado apenas para ganhar a Champions. Os espanhóis querem o último tesouro de uma temporada em que seu ataque espoliou a Europa. Já os italianos desejam o troféu que coroará os quatro anos dominantes, indo além de suas fronteiras nacionais.

Barça e Juve merecem esta taça. Até porque, se você olhar para trás, a história dos gigantes na Champions é, de certa maneira, subdimensionada. Ambos precisaram esperar muito para conquistar o torneio continental pela primeira vez (a Juventus em 1985 e o Barcelona em 1992), possuem uma lista considerável de frustrações na final e têm menos da metade das taças de seus rivais, Real Madrid e Milan.

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A sombra dos rivais, aliás, de alguma forma deu impulso às grandes campanhas dos finalistas (confira nos links nas fotos acima). O Barcelona viu seu jogo de posse de bola dar sinais de desgaste e ainda amargou a festa madridista na temporada passada. A solução foi absorver um pouco do rival, mudando o estilo de atuar em campo e no mercado de contratações. Enquanto isso, a Juventus percebeu que a hegemonia em suas terras precisava de uma legitimação internacional, e foi o ex-técnico milanista que fez os ajustes necessários.

Para quem já contou com tantos gênios ao longo do passado, até parece pouco que os blaugranas busquem o penta e os bianconeri tentem o tri. Tanto quanto engrandecer o presente, a conquista de 2015 irá fazer jus ao passado. E em um palco com o peso histórico para tanto, o Olímpico de Berlim. Afinal, a maior praça esportiva da capital alemã tem vida própria, abrigando grandes momentos do esporte mundial mesmo com a falta de grandes conquistas do Hertha.

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Hertha Berlim_Olímpico

O duelo deste sábado não terá o tom épico das conquistas de Jesse Owens em 1936, tampouco marcará o final da carreira de um dos maiores jogadores da história como a final da Copa de 2006. Mas tem elementos de sobra para ficar marcado. O confronto entre Barcelona e Juventus marcam duas filosofias de jogo muito diferentes, entre a equipe exaltada por seu ataque e o rival duríssimo na defesa.

Mas são os duelos individuais que enriquecem essa luta pela tríplice coroa. O encontro que mais chama a atenção é Suárez e Chielini, que se enfrentaram na Copa do Mundo de 2014 em um jogo em que o uruguaio venceu por 1 a 0 no placar e em número de mordidas no oponente. Messi e Tevez, os dois maiores jogadores argentinos do momento, são os líderes de suas equipes e podem tirar a limpo uma rixa que há entre ambos. Pirlo e Iniesta são dois dos maiores maestros de meio-campo dos últimos dez anos e darão um toque refinado ao duelo.  E há um encontro intrigante entre Neymar e Pogba, que não duelam diretamente em campo, mas são duas das principais estrelas da próxima geração e têm condições de entrar na conversa sobre quem é o melhor do mundo assim que a idade cobrar seu preço para Cristiano Ronaldo e Messi.

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Por isso, esse Barcelona x Juventus pode não ser o Barça x Real Madrid que todos queriam ver, mas não pode ser menosprezado como um grande momento. É um jogo que vale pela glória tripla. É um jogo que vale a aproximação do vencedor de seu rival doméstico. É um jogo que coloca duas filosofias de futebol frente a frente. É um jogo que vale grandes duelos individuais.

Se você ficou tão empolgado e não aguenta esperar até sábado, já pode entrar no clima. É só ir a nosso tradicional RPG da final da Champions. Pegue a prancheta, assuma o lugar de Luis Enrique ou Massimiliano Allegri e tente levantar a taça.