O flamenguista que se preze sempre deveria desconfiar de um resultado que parece bom. O empate por 1 a 1 contra o Atlético Paranaense na final da Copa do Brasil, de fato, não é mau resultado. Em uma partida que ficou muito aquém das expectativas, os rubro-negros trazem de Curitiba um gol fora de casa e a chance de decidirem no Maracanã. Entretanto, alguns chegaram ao exagero de comemorar o placar. Só que o histórico do clube pesa contra o famoso oba-oba que costuma aparecer com frequência na Gávea.

Jayme de Almeida fez certo. “Não tem ansiedade, não. Nosso time entrou muito maduro e não vai ser diferente no Maracanã. Eles sabem que não tem nada ganho. Não tem oba oba. Pregamos muito respeito ao adversário”, declarou, espantando os velhos fantasmas logo depois da partida. Uma postura parecida com a que colocou o time na decisão do torneio, após os jogos contra o Goiás.

E os rubro-negros que colocaram um sorriso no rosto depois desta quarta, ao que parece, têm memória curta. Não se lembram do que aconteceu no mesmo Maracanã, contra o próprio Atlético Paranaense, pelo primeiro turno do Brasileirão. A vitória fácil por 2 a 0 se transformou em uma dolorida derrota por 4 a 2, que culminou na demissão de Mano Menezes. A história agora é outro, o contexto e a motivação também, mas é bom não vacilar.

Para que o Flamengo mantenha os pés no chão, resgatamos cinco episódios em que o clima de já ganhou atrapalhou o time, incluindo duas em finais da Copa do Brasil. O rubro-negro tem todo o direito de se sentir confiante no título, mas também precisa ter consciência que restam 90 minutos para serem jogados. Mais do que exemplos negativos, são partidas que servem de motivação para que o mesmo não aconteça outra vez.

1968 – Flamengo 0x2 Bonsucesso


Nada fazia crer que o Flamengo perderia o título da Taça Guanabara de 1968. Seu maior desafio estava na penúltima rodada, quando enfrentaria o Botafogo de Gérson e Jairzinho. O empate por 0 a 0, porém, deixava os rubro-negros com a mão na taça. O que era vencer o Bonsucesso no último compromisso? Os flamenguistas deram a volta olímpica logo após a partida contra os alvinegros. E ficaram de mãos abanando. Três dias depois, o Fla perdeu para o Bonsucesso, o que forçou um jogo-desempate contra o Botafogo. Sem piedade, goleada por 4 a 1 do time da estrela solitária.

1995 – Fluminense 3×2 Flamengo


O contexto do ano rendia mais oba-oba do que a ocasião da partida em si. Era o ano do centenário do Flamengo, com Romário e Sávio no ‘ataque dos sonhos’. Parecia que nem uma ordem divina tiraria o título da Gávea. Todavia, o Fluminense tratou de esfriar os ânimos na partida decisiva. Dois gols no primeiro tempo, que forçavam o Fla a correr atrás do placar. Na volta do intervalo, Romário e Fabinho deixaram tudo igual, em um empate suficiente para o título. Mas, quando o grito de campeão começava a pipocar nas arquibancadas do Maracanã, eis que surge a barriga de Renato Gaúcho para dar a faixa ao Flu.

1997 – Flamengo 2×2 Grêmio


O perigo do Maracanã lotado surgiu pela primeira vez em uma final de Copa do Brasil em 1997. O empate por 0 a 0 dava o direito ao time de Romário de ficar com a taça com qualquer vitória. E esse era um resultado bastante palpável para os 95 mil presentes. O Grêmio deixou os cariocas de sobreaviso ao abrir o placar, mas a virada deixaria os rubro-negros nas nuvens. Lúcio e Romário marcaram, embalando a massa. Até que, aos 34 minutos do segundo tempo, Carlos Miguel tratou de silenciar aquelas tantas vozes com o gol de empate, do vice do Fla.

2004 – Flamengo 0x2 Santo André


O que poderia tirar o título da Copa do Brasil das mãos do Flamengo? O resultado no Parque Antártica não foi um primor, empate por 2 a 2, mas parecia suficiente para a festa. Afinal, não era um time pequeno como o Santo André que calaria os 80 mil gritando no Maracanã. Final do primeiro tempo, o empate por 0 a 0 ainda era suficiente para o Fla. “Um gol já faz o estádio explodir”, pensava o mais otimista. Na verdade, implodir. Pois isso foi o que Sandro Gaúcho e Elvis impuseram naquela noite, mesmo que espiritualmente. O Ramalhão, diretamente da segunda divisão, estaria na Libertadores do ano seguinte.

2008 – Flamengo 0x3 América do México


O maior Maracanazo desde o original? Provavelmente. A vitória por 4 a 2 no Estádio Azteca deixou os cariocas em êxtase. O time poderia perder por até dois gols de diferença que, ainda assim, avançaria às quartas de final da Libertadores. Para melhorar (ou não), entre um confronto e outro o time se sagrou campeão carioca. Motivos a mais para a festa no Maracanã, que se despediria de Mister Joel Santana, rumando para sua aventura na África do Sul.  Os gols de Salvador Cabañas, no entanto, deixaram um vazio profundo nos 50 mil infelizes que estiveram nas arquibancadas naquela noite.