A imagem é mais assustadora do que suas consequências. Ricardo Carvalho e Evra disputam uma bola e o cotovelo do francês acaba atingindo o rosto do jogador português. Ferido no supercílio, o zagueiro sangra muito e preocupa tanto seus companheiros quanto os adversários, incluindo o próprio Evra. Sem conseguir estancar o sangramento, Ricardo Carvalho é substituído por José Fonte.

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Apesar do susto, o defensor do Mônaco não deve ser problema para o próximo compromisso de Portugal, na segunda-feira (07), perante a Albânia, fora de casa, pelas eliminatórias da Eurocopa. O que preocupa, mesmo, é o nível do futebol apresentado pela seleção no amistoso em que perdeu por 1 a 0 para a França, no estádio José Alvalade, em Lisboa.

Não só isso, aliás. O resultado em si – que na maioria das vezes é deixado de lado em amistosos – também é algo que incomoda. Isso porque Portugal não consegue ganhar da França há 40 anos e é protagonista de um tabu nada agradável: já são 10 derrotas consecutivas, contando a do jogo que teve o incidente envolvendo Evra e Ricardo Carvalho.

Diante dos anfitriões da próxima Euro, o time do técnico Fernando Santos mostrou suas fragilidades. O goleiro Rui Patrício foi o melhor jogador português em campo, impedindo a seleção de sofrer um placar elástico. Nem mesmo Cristiano Ronaldo, que muitas vezes aparece para salvar a situação, foi capaz de evitar a derrota.

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A maior dor de cabeça de Fernando Santos atende pelo nome de meio-campo. Foi nesse setor que Portugal mostrou-se especialmente frágil. Defensivamente, falhou na marcação e deu espaço demasiado aos franceses. Ofensivamente, pouco conseguiu criar. A entrada de Miguel Veloso na segunda etapa deu um pouco mais de consistência ao setor, é verdade, mas foi insuficiente.

A má apresentação não significa que a equipe das quinas corre grande risco de ficar fora da Eurocopa do próximo ano. Portugal é líder isolado do seu grupo, com 12 pontos ganhos, e ainda contou com a sorte de, na rodada em que folgou na tabela, Dinamarca e Albânia (ambas com 11 pontos) empatarem por 0 a 0. A passagem para a França não está 100% garantida, mas muito bem encaminhada.

O temor é pelo que poderá acontecer além, seja na própria disputa da Euro ou nas eliminatórias para a Copa do Mundo. Fernando Santos acredita que o desempenho duvidoso pode ser creditado ao início de temporada. “É normal, os jogadores começaram a trabalhar há pouco tempo, não estão no pleno da forma. Não vale a pena ir por aí, se estamos bem ou mal”, disse. “É tudo uma questão mental. Estão mentalmente bem para vencer a Albânia, que é aquilo que queremos”, completou.

Pode até ser que ele esteja com a razão. Mas o fato é que um simples amistoso de preparação deixou o torcedor português com a pulga atrás da orelha. Agora, somente vencer a Albânia não basta. Será necessário também mostrar um bom futebol – ou as cornetas vão soar. E, em Portugal, elas costumam ser fortes.