A Copa do Mundo Feminina possui uma história relativamente recente, mas riquíssima. São sete edições do torneio, já suficientes para consagrar várias craques. O hall de seleções favoritas ao título não mudou muito, embora o crescimento das ligas europeias aponte para novas direções durante os próximos anos. De qualquer maneira, as estrelas se espalham por diferentes centros. Diversas jogadoras memoráveis aproveitaram a competição para se consagrar. Nomes que marcam a evolução e o crescimento do futebol feminino.

Para recontar um pouco deste passado, resolvemos elaborar uma lista com 30 grandes jogadoras que brilharam na Copa do Mundo Feminina. Os nomes giram ao redor das principais seleções, em especial os Estados Unidos, tricampeão mundial. Ainda assim, é possível abordar protagonistas de diversos países, com atenção especial às campanhas do Brasil. Infelizmente, a ampla relação não permitiu que todas as craques entrassem, mas foi possível englobar atletas importantes por seus desempenhos individuais, por sua relevância coletiva e pelas marcas estabelecidas no torneio. Confira:

Carin Jennings, Estados Unidos (1991, 1995)

A primeira Bola de Ouro da Copa do Mundo foi para Carin Jennings, nome primordial na seleção americana durante a transição das décadas de 1980 e 1990. A atacante nascida em Nova Jersey começou sua carreira nos torneios colegiais e universitários dos Estados Unidos, onde se transformou em uma lenda. E, ainda que não seja tão célebre quanto outras companheiras de seleção, a camisa 12 simplesmente arrebentou durante o Mundial de 1991. Encabeçou o ataque que ficou conhecido como “Triple-Edged Sword”. Jennings teve atuações destrutivas na competição, com menção especial à semifinal contra a favorita Alemanha. Foram três gols no triunfo por 5 a 2, todos durante o primeiro tempo, essenciais para abrir o caminho ao título e credenciá-la ao prêmio máximo da competição. Também estaria presente na campanha de 1995, na qual as americanas terminaram na terceira colocação.

Pia Sundhage, Suécia (1991, 1995)

Pia Sundhage era uma estrela do futebol feminino antes que a Copa do Mundo surgisse. Seu impacto na Suécia durante a década de 1980 foi tão grande que a atacante virou selo em seu país, com um título europeu em 1984. Também foi a primeira mulher a marcar um gol em amistosos internacionais realizados em Wembley. Já veterana, disputou duas Copas do Mundo e liderou as suecas até o terceiro lugar em 1991. Anotou quatro gols, inclusive o que garantiu a classificação sobre a China nas quartas de final. Após se aposentar, transformou-se em referência como treinadora. Vice-campeã mundial em 2011, ganhou dois ouros olímpicos com os Estados Unidos. Ainda foi prata com a Suécia no Rio 2016. Chegou a ser considerada uma das dez melhores jogadoras do Século XX em eleição realizada pela Fifa em 1999.

Roseli, Brasil (1991, 1995)

Roseli protagonizou os primeiros bons momentos do futebol feminino brasileiro no cenário internacional. Jogadora do Radar, pioneiro entre as mulheres no Rio de Janeiro, a atacante viajou com o clube para representar o Brasil em um torneio organizado pela Fifa em 1988 e encabeçou o time até as semifinais, eleita para a seleção da competição. Também seria uma referência do país nas duas primeiras Copas, com destaque à sua participação em 1995. As brasileiras caíram na fase de grupos, em cascudo quadrangular contra Alemanha, Suécia e Japão. Ainda assim, Roseli anotou dois gols, entre eles o que valeu a vitória por 1 a 0 sobre as anfitriãs suecas na abertura do campeonato. Foi o primeiro grande triunfo do país na história dos Mundiais. Uma pena que a veterana tenha machucado o joelho às vésperas da Copa de 1999, se ausentando na campanha até as semifinais. Também disputou as Olimpíadas de 1996, 2000 e 2004.

Hege Riise, Noruega (1991, 1995, 1999, 2003)

A estrela da Noruega durante os anos dourados do futebol feminino no país foi Hege Risse. A meia começou a jogar bola com meninos, aos seis anos, até se juntar a uma equipe para garotas quando tinha 14. Tornou-se uma estrela internacional, atuando também no Japão e nos Estados Unidos. De qualquer maneira, seu ápice aconteceu mesmo na Copa do Mundo. Vice-campeã em 1991, a camisa 6 deu a volta por cima quatro anos depois. Comandou a campanha do título das norueguesas, com cinco gols em seis partidas, incluindo na decisão contra a Alemanha. Campeã, recebeu a Bola de Ouro por seu protagonismo no torneio, mas não só isso. Também recebeu o prêmio de melhor futebolista do ano na Noruega, rompendo a hegemonia dos homens. Fez parte do time nas duas edições seguintes do Mundial.

Silvia Neid, Alemanha (1991, 1995)

Silvia Neid é um dos grandes nomes da Alemanha em seus primórdios no futebol feminino. A camisa 10 formava um ataque destrutivo ao lado de Heidi Mohr e usou a braçadeira de capitã do Nationalelf nas duas primeiras Copas do Mundo. Dominante nas competições nacionais, também não se cansaria de erguer taças nos torneios continentais com a seleção. Sua liderança permaneceria abrindo portas, mesmo depois de pendurar as chuteiras. Em 2005, Neid virou a treinadora da Alemanha e manteve a sede de títulos das então campeãs mundiais. Tornou-se a primeira mulher a viver uma final de Copa como jogadora e como técnica, faturando a taça em 2007. Além disso, participaria de outros dois Mundiais à beira do campo, antes de deixar o time após o ouro olímpico em 2016.

Liu Ailing, China (1991, 1995, 1999)

Camisa 10 da China durante os pródigos anos 1990, Liu Ailing marca a afirmação do país no futebol feminino. Seus pais não gostavam que ela praticasse futebol por considerarem um “esporte masculino”, mas o talento da armadora falou mais alto. Chegou à seleção quando tinha 20 anos e participou das três primeiras campanhas do país na Copa do Mundo. Foi a estrela no primeiro jogo da história dos Mundiais, com dois gols nos 4 a 0 sobre a Noruega. Já a melhor campanha aconteceu em 1999, quando a meia foi determinante na jornada até a decisão. Anotou gols importantes nas vitórias sobre Suécia, Austrália e Noruega. Acabaria sucumbindo nos pênaltis, durante a decisão contra os Estados Unidos.

Gro Espeseth, Noruega (1991, 1995)

A carreira de Gro Espeseth é mais breve do que poderia ser. A zagueira encerrou sua trajetória aos 29 anos, após sofrer uma grave lesão no joelho, com breves retornos posteriores. Sua precocidade, todavia, já valeu para colocar seu nome na história das Copas. A norueguesa foi uma das grandes defensoras dos Mundiais. Disputou o torneio pela primeira vez em 1991, aos 19 anos, encarando sua primeira final. Quatro anos depois, seria uma das lideranças na conquista das escandinavas. Muito firme na marcação, ainda contribuiria com um gol nas quartas de final contra a Dinamarca. Foi condecorada com a Bola de Prata do torneio em 1995, além de usar a braçadeira na final contra a Alemanha. Quem ergueu a taça, no entanto, foi Heidi Store, outra craque da época.

Mia Hamm, Estados Unidos (1991, 1995, 1999, 2003)

Mia Hamm foi a primeira jogadora do futebol feminino a transcender a modalidade. Chegou a ser eleita a atleta do ano por duas vezes nos Estados Unidos, enquanto virou garota-propaganda da Nike. E talvez o maior símbolo de sua excelência tenha sido garantido pela Fifa. Ganhadora dos dois primeiros prêmios de melhor do mundo entregues pela entidade, em 2001 e 2002, a camisa 9 foi incluída na lista de 125 melhores futebolistas da história, elaborada no centenário da entidade em 2004. Hamm foi uma das únicas mulheres, ao lado de Michelle Akers. O talento da americana foi moldado pelas constantes mudanças de sua família, transferida a diferentes bases militares do país pelo mundo. Nesta época, a menina chegou a viver em Florença e por lá entrou em contato com o futebol. Monstruosa nos torneios universitários, era a mais jovem do time na Copa de 1991 e anotou gols importantes, sobretudo ao decretar a vitória na estreia contra a Suécia. Já o seu desabrochar em Mundiais aconteceu nas edições seguintes, especialmente em 1999. Combinando habilidade e velocidade, liderou o ataque do US Team no bicampeonato. Converteu um dos pênaltis na decisão e foi eleita para a seleção do torneio.

Bente Nordby, Noruega (1991, 1995, 1999, 2003, 2007)

Uma das melhores goleiras da história, Bente Nordby foi nome perene nos fortes times que a Noruega formou durante a década de 1990. Reserva no primeiro Mundial, substituiu Reidun Seth na campanha de 1995 e terminou sendo peça essencial ao título das escandinavas. A partir de então, manteria o seu reinado na meta da equipe nacional, somando 22 partidas em Copas. Mesmo veterana, seguiu brilhando. O melhor exemplo disso aconteceu em 2007. Aos 33 anos, a arqueira foi vital à caminhada da Noruega até as semifinais. Terminou eleita para a seleção do torneio e ficou atrás apenas de Nadine Angerer na disputa pela Luva de Ouro.

Sun Wen, China (1991, 1995, 1999, 2003)

A força da China no futebol feminino tem um nome inescapável: Sun Wen. A chinesa foi considerada a segunda melhor jogadora do Século XX, em eleição promovida pela Fifa. E certamente a Copa do Mundo de 1999, a terceira de sua carreira, valeu para a consideração. O desempenho da atacante na competição pode ser incluído entre os melhores da história. Foram sete gols e uma porção de atuações contundentes, apesar do vice-campeonato. Sua principal partida aconteceu nas semifinais, durante o duelo contra a Noruega. Bola de Ouro naquele torneio, Sun Wen tinha começado no futebol por incentivo de seu pai, quando tinha dez anos, jogando com meninos. Foi uma pioneira no futebol feminino asiático e a primeira jogadora do continente a anotar mais de 100 gols por sua seleção. Mais do que tentos, era reconhecida pelos passes precisos e pela habilidade acima do comum.

Michelle Akers, Estados Unidos (1991, 1995, 1999)

Michelle Akers costuma ser um sinônimo da afirmação do futebol nos Estados Unidos. A americana também ascendeu graças ao sistema universitário e tinha uma imposição física imensa, combinada à sua habilidade. Resultado: um caminhão de gols. Chegou a fazer carreira na Suécia, embora seu ápice tenha acontecido mesmo no US Team. Ainda hoje é a maior artilheira em uma única edição do torneio, com dez gols  no título de 1991. Foram cinco apenas nas quartas de final contra Taiwan, além de ambos na decisão contra a Noruega. Lesionada, atacante pouco ajudou em 1995. Mas se reergueria no bicampeonato de 1999, quando, por questões de saúde, passou a cumprir funções mais contidas na cabeça de área. A excelência prevalecia. Chegou até a emular Franz Beckenbauer, atuando heroicamente com o ombro deslocado. Ganhou uma Bola de Prata em 1991 e uma Bola de Bronze em 1999. Foi eleita pela Fifa a melhor jogadora de futebol do Século XX.

Sissi, Brasil (1995, 1999)

Se as comparações de Marta com Pelé são naturais, Sissi traça um paralelo com Leônidas da Silva. A camisa 10 tinha categoria e agressividade, tornando-se a primeira grande estrela internacional da seleção brasileira. Quando criança, a baiana jogava com a cabeça de suas bonecas, sua forma de rebeldia contra a resistência da família. Chegou à seleção aos 16 anos, parte do primeiro time formado no país. Em clubes, suas passagens mais expressivas aconteceram por times do eixo Rio-SP, com menção principal ao São Paulo. Sua primeira Copa do Mundo aconteceu em 1995, mas o Brasil não emplacou, caindo ainda na fase de grupos. Já em 1999, ela chegaria ao auge. Sissi exibiu uma forma impecável desde a fase de grupos, quando o Brasil encarou um grupo difícil com Alemanha e Itália. Também brilhou com um gol de ouro nas quartas de final contra a Nigéria, em cobrança de falta magistral, antes da queda nas semifinais. Terminou aquela edição com sete gols e três assistências, ganhadora da Bola de Prata e da Chuteira de Ouro, além da medalha de bronze. Compôs uma azeitada parceria com Pretinha e Kátia Cilene durante seus melhores anos.

Kristine Lilly, Estados Unidos (1991, 1995, 1999, 2003, 2007)

O ser humano que mais vezes entrou em campo em jogos de seleção também é o que mais disputou jogos de Copas do Mundo. Kristine Lilly unifica os recordes, considerando o futebol feminino e o masculino. São 354 partidas da meia com o US Team, 30 delas em Mundiais. Incansável pela longevidade, também impressionava pela maneira como preenchia o campo. Fez parte das campanhas vitoriosas em 1991 e 1999, além de sempre ter alcançado ao menos as semifinais nas Copas. Foi protagonista na decisão contra a China em 1999, salvando uma bola em cima da linha no empate por 0 a 0, além de converter o seu pênalti. Além disso, a veterana acabaria eleita para a seleção do torneio em 2007, quando já tinha 36 anos.

Florence Omagbemi, Nigéria (1991, 1995, 1999, 2003)

A Nigéria não possui grandes campanhas na Copa do Mundo Feminina, mas se firmou como a principal seleção africana. E a presença constante do país elevou o status de algumas jogadoras, com menção especial a Florence Omagbemi. A meio-campista disputou as quatro primeiras edições do Mundial, capitaneando as nigerianas em três ocasiões. Viveu seu melhor momento em 1999, quando o time avançou pela primeira vez na fase de grupos e deu muito trabalho ao Brasil nas quartas de final. A veterana ainda somou cinco títulos continentais com as Super Águias, incluindo um já como treinadora.

Formiga, Brasil (1995, 1999, 2003, 2007, 2011, 2015, 2019)

Miraildes Maciel Mota, o nome que representa a história mundialista do futebol feminino brasileiro. Formiga se juntou à seleção quando tinha 17 anos, reserva na Copa do Mundo de 1995. Não demorou a se tornar titular. Mais do que isso, não demorou a se tornar um símbolo do esporte. A marcadora implacável se combina ao mesmo tempo com a regista que dita o ritmo no meio-campo. Ao longo de duas décadas e meia, a volante foi imprescindível ao sucesso do Brasil. Não à toa, esteve presente em todos os momentos, os bons ou os ruins. Embora ensaiasse a sua aposentadoria, vai à sétima Copa do Mundo, um recorde absoluto. Aos 41 anos, também pode se tornar a mais velha a entrar em campo. Viveu o seu melhor momento em 2007, quando figurou entre as melhores meio-campistas do torneio. E, mesmo que a campanha não tenha sido tão longa, também brilhou em 2015, a melhor jogadora brasileira na ocasião. Lenda.

Birgit Prinz, Alemanha (1995, 1999, 2003, 2007, 2011)

Birgit Prinz é um dos melhores exemplos de jogadoras completas. Combinava potência e habilidade, sempre letal no ataque da Alemanha. Não à toa, pode ser considerada a melhor jogadora europeia de todos os tempos. A craque despontou quando o investimento no futebol feminino crescia na Bundesliga e logo ofereceu frutos à seleção. Sua estreia internacional aconteceu quando tinha 16 anos, meses antes de sua primeira Copa do Mundo. Tornou-se a jogadora mais jovem a disputar uma final, em 1995, aos 17. De qualquer forma, o seu ápice aconteceu tempos depois, como a grande liderança do Nationalelf no bicampeonato em 2003 e 2007. Foram 12 gols nas duas campanhas, levando a Bola de Ouro e a Chuteira de Ouro no primeiro título. Já no segundo, anotou o gol que abriu a vitória sobre o Brasil na final. Também conquistou o prêmio de melhor do mundo por três anos consecutivos, só vendo seu reinado ser interrompido por Marta. Foram 128 gols em 214 partidas pela seleção.

Victoria Svensson, Suécia (1999, 2003, 2007)

Victoria Svensson é a grande herdeira de Pia Sundhage no futebol feminino da Suécia, responsável por ampliar os horizontes da seleção escandinava. A atacante estreou na equipe nacional em 1996, disputando seu primeiro Mundial três anos depois. Já sua grande participação no torneio aconteceu durante o vice-campeonato de 2003. A atacante baixa e implacável anotou três gols, inclusive um contra o Brasil. Liderou a campanha das suecas até a final e foi reconhecida com a Bola de Prata do torneio. Estaria ainda presente no torneio de 2007, enquanto se tornou um fenômeno na forte liga nacional de seu país. Anotou 68 gols em 166 partidas com a camisa auriazul.

Renate Lingor, Alemanha (1999, 2003, 2007)

Enquanto Prinz destruía no ataque da Alemanha bicampeã do mundo, a condução do meio-campo ficava sob a tutela de Renate Lingor. A camisa 10 é um dos melhores exemplos da era vitoriosa estabelecida pelas alemãs na década passada, empilhando troféus também com seu clube, o FFC Frankfurt. Na equipe nacional, de qualquer maneira, vieram os principais feitos. Foi titular em ambas as conquistas, sempre com papel fundamental. Em 2003, a partir de uma falta cobrada pela meio-campista, Nia Künzer anotou o gol de ouro na decisão contra a Suécia. Quatro anos depois, a campanha perfeita do Nationalelf a levou a ser eleita para a seleção do campeonato. É aclamada como uma das melhores passadoras da história do futebol feminino.

Marta, Brasil (2003, 2007, 2011, 2015, 2019)

É uma lástima que Marta nunca tenha conquistado a Copa do Mundo Feminina – bem como as Olimpíadas. Porém, não é isso que impede a brasileira de ser considerada por muitos como a melhor jogadora da história. E nem diminui sua importância na competição. A alagoana estreou em 2003, aos 17 anos, já anotando três gols na campanha até as quartas de final. Mas nada se compara ao nível exibido pela lenda em 2007 e 2011. Naquele momento, o mundo conheceu a jogadora de futebol ideal: inteligente, dribladora, rápida, precisa, decisiva. Em nível de habilidade, ninguém se compara à camisa 10, mas só isso não basta para exaltar seus predicados. Se Pelé foi um jogador à frente de seu tempo, não é diferente com esta Marta no auge. Bola de Ouro e Chuteira de Ouro no vice de 2007, também ficou com a Chuteira de Prata em 2011, mesmo com a eliminação nas quartas de final. Além do mais, sua atuação magnífica nos 4 a 0 sobre os EUA na semifinal de 2007 pode ser considerada a melhor da história do torneio. Uma pena que sempre faltou um triz para a sua mágica se transformar em taça, diante das frustrações. Nos últimos tempos, se a dominância não se mantém, nada tira o posto da Rainha como protagonista – tantas vezes, carregando a Seleção nas costas. O recorde de gols no torneio é seu e deve se ampliar além dos 15 tentos em 2019.

Christie Rampone, Estados Unidos (1999, 2003, 2007, 2011, 2015)

Christie Rampone serve de elo entre as gerações vitoriosas dos Estados Unidos durante a década de 1990 e o time campeão em 2015. A zagueira, reconhecida por sua múltipla capacidade nos esportes, escolheu o futebol e não demorou a figurar na seleção. Reserva na linha defensiva em 1999, a novata não demoraria a conquistar o seu espaço, acumulando partidas nas campanhas posteriores. A defensora superou os 300 jogos pela seleção e já não era absoluta em 2015, mas ainda assim foi chamada para o Mundial aos 40 anos. Presente na decisão contra o Japão, tornou-se a jogadora mais velha a entrar em campo nas história das Copas. Ainda teve o gosto de erguer a taça, sucedendo April Heinrichs e Carla Overbeck como capitãs vencedoras do US Team.

Nadine Angerer, Alemanha (1999, 2003, 2007, 2011, 2015)

Não há outra posição mais questionada no futebol feminino que as goleiras. As razões se evidenciam, especialmente pelas dificuldades em cobrir o retângulo. Angerer é uma lenda na função. Sem ser tão alta, compensava com um ótimo posicionamento e uma agilidade absurda. Fez jus à escola de goleiros da Alemanha. E não há melhor exemplo de sua imponência que o título da Copa do Mundo de 2007, quando precisou substituir a lesionada (e também histórica) Silke Rottenberg. Angerer simplesmente não sofreu gols naquela competição, passando 540 minutos invicta. De quebra, pegou um pênalti de Marta na decisão. Sua importância aos sucessos do Nationalelf é inegável, acumulando 146 partidas pela equipe nacional.

Cristiane, Brasil (2003, 2007, 2009, 2015, 2019)

A ascensão de Cristiane na seleção brasileira foi concomitante à de Marta. E as expectativas sobre a equipe no ápice de ambas só se tornou tão grande também pela fome de gols da atacante. Filha de um caminhoneiro e de uma empregada doméstica, a garota adorava jogar bola na rua com os garotos, fugindo dos afazeres domésticos. Não demorou a despontar, passando por São Bernardo e Juventus, antes de fazer as malas à Europa. Talvez o grande torneio de Cristiane tenha sido os Jogos Olímpicos de 2008, quando o Brasil ficou com a prata. Contudo, ela ainda jogou muita bola no Mundial de 2007. Foram cinco gols na campanha, garantindo a suada vitória sobre a Austrália e indo à forra contra os Estados Unidos nas semifinais. Ganhou a Chuteira de Bronze e foi eleita à seleção do torneio. Ao todo, soma sete gols na competição.

Homare Sawa, Japão (1995, 1999, 2003, 2007, 2011, 2015)

A carreira de Homare Sawa reconstrói a ascensão do futebol feminino no Japão. A menina começou a treinar com o irmão mais velho e, aos 15 anos, já ganhou sua primeira chance na seleção – logo anotando quatro gols em amistoso contra as Filipinas. Ajudou a transformar as nipônicas em uma força regional, ainda que as campanhas na Copa do Mundo quase sempre fossem modestas. O impulso aconteceu em 2011, quando o país não apenas superou a fase de grupos pela primeira vez, como também chegou ao título. Sawa foi cerebral naquela caminhada. Distribuindo o jogo no meio com maestria e também chegando à frente para resolver, ficaria com a Bola de Ouro. Sobrou principalmente nas fases finais, com direito a um gol agônico contra os Estados Unidos nos acréscimos do segundo tempo da prorrogação na decisão, forçando os pênaltis e possibilitando a vitória das asiáticas. A veterana ainda se tornou a primeira jogadora a disputar seis Copas, ao lado de Formiga.

Hope Solo, Estados Unidos (2007, 2011, 2015)

A imagem de Hope Solo muitas vezes costuma ser associada além do futebol, de diferentes maneiras. Mas não é isso que influencia seu impacto como uma das melhores goleiras de todos os tempos. A garota viu o futebol como uma válvula de escape em meio às dificuldades da juventude. Chegou à Copa do Mundo em 2007 e fazia um grande torneio, antes que o técnico Greg Ryan optasse pela veterana Briana Scurry nas semifinais contra o Brasil. Apesar de sua história, a campeã de 1999 não foi bem. Então, Solo teria outras duas chances no Mundial e daria a volta por cima, conquistando em ambas a Luva de Ouro. Em 2011, a goleira apresentou sua melhor forma e foi essencial na campanha até a decisão contra o Japão, chegando a pegar pênalti nas quartas de final contra o Brasil. Brilhou tanto que recebeu a Bola de Bronze, como terceira melhor do torneio. Já em 2015, chegou a ficar 540 minutos sem sofrer gols e colecionou atuações espetaculares, sobretudo contra Austrália e Alemanha. Provou sua grandeza.

Christine Sinclair, Canadá (2003, 2007, 2011, 2015, 2019)

Não seria exagero dizer que Christine Sinclair é a maior jogadora de futebol do Canadá em todos os tempos, incluindo também os homens nesta conta. A meia-atacante é sinônimo da equipe nacional há quase 20 anos, carregando o país em suas melhores participações internacionais – inclusive na Copa do Mundo. O Mundial de 2019 será o quarto em que a camisa 12 usará a braçadeira, um recorde. Dona de ótima capacidade atlética e muita fúria com a bola nos pés, está prestes a se tornar a jogadora com mais gols na história do futebol feminino, a três de superar Abby Wambach. São 181 na conta, nove em Copas. A melhor campanha veio em 2003, com a caminhada até as semifinais, embora tenha sido o principal rosto canadense no torneio realizado em casa, em 2015.

Aya Miyama. Japão (2003, 2007, 2011, 2015)

Ao lado de Homare Sawa, Aya Miyama teve um papel vital na conquista do Japão na Copa do Mundo de 2011. Não à toa, enquanto a companheira foi eleita a melhor do mundo, a camisa 8 recebeu o prêmio de melhor jogadora asiática naquele ano – em condecoração que repetiria outras duas vezes. Com uma enorme qualidade para bater na bola, Miyama se valia das cobranças de falta como uma arma letal. Assim, resolveu jogos de peso em Mundiais, incluindo a decisão ante os Estados Unidos. Naquela ocasião, a craque anotou o gol de empate no tempo normal, deu a assistência na prorrogação e ainda converteu o primeiro pênalti na disputa derradeira. Foi eleita para a seleção do torneio em 2011 e 2015.

Abby Wambach, Estados Unidos (2003, 2007, 2011, 2015)

A maior virtude de Wambach é a regularidade. Foram anos a fio atuando em altíssimo nível, a ponto de quebrar o recorde de gols pela seleção americana, 184 no total. Atacante de enorme presença física e uma finalização fatal, além de corajosa e empenhada, a nova-iorquina realizou o caminho inverso de muitas mulheres. Se há vários exemplos de garotas que começaram entre os homens por falta de oportunidades, ela migrou do feminino ao masculino em seu início porque sobrava demais no meio das gurias. E continuou sobrando, mesmo depois de se profissionalizar. Coadjuvante na primeira Copa em 2003, aumentou sua importância a cada participação no Mundial. Em 2011, praticamente carregou as americanas até a final, apesar do vice – com menção especial ao tento contra o Brasil, quando o relógio batia 122 minutos. Recebeu a Bola de Prata naquela edição. Já em 2015, enfim, colocou a medalha de ouro no peito. Não seria tão efetiva na campanha, mas se tornou uma personagem central sobretudo pela liderança. Antes da competição, já havia anunciado que aquela seria sua despedida do futebol internacional.

Steph Houghton, Inglaterra (2011, 2015, 2019)

O futebol feminino moderno na Inglaterra cresceu muito graças a Kelly Smith, atacante que desenvolveu seu talento nos Estados Unidos e classificou o país à primeira Copa do Mundo, em 2007. Todavia, Steph Houghton possui uma relevância especial no torneio. A zagueira, que vai à sua terceira Copa do Mundo, também assumiu a braçadeira de capitã em 2015. E foi decisiva para a caminhada da equipe até as semifinais. Autora do gol que iniciou a virada contra a Noruega nas oitavas de final, a defensora ainda foi escolhida a melhor em campo nas quartas de final contra o Canadá. A terceira colocação já ofereceu um posto honroso à Inglaterra, em franca ascensão na modalidade. Multicampeã com Arsenal e Manchester City, Houghton terminou eleita para o time ideal do Mundial passado.

Amandine Henry, França (2015, 2019)

A França se aponta como um dos grandes centros do futebol feminino e, não à toa, terminou escolhida como sede do Mundial em 2019. Entre as melhores jogadoras do país, Amandine Henry possui um protagonismo notável. A volante começou jogando com garotos e conseguiu desenvolver seu talento após passar pela academia feminina de Clairefontaine, o QG dos Bleus. Destaque do Lyon, chegou à seleção principal em 2009, mas disputou sua primeira Copa do Mundo apenas em 2015. Compensou a espera, se sobressaindo demais. Mesmo que a equipe tenha caído relativamente cedo, eliminada pela Alemanha nas quartas de final, a meio-campista recebeu a Bola de Prata do torneio. Capitã das Bleues, deverá ser uma figura-chave na campanha em casa durante as próximas semanas.

Carli Lloyd, Estados Unidos (2007, 2011, 2015, 2019)

Apaixonada pelo futebol desde a tenra infância, Carli Lloyd é uma das meninas que foram incentivadas a jogar graças à geração dourada dos anos 1990. Esteve, inclusive, nas arquibancadas durante a abertura do Mundial em 1999. Oito anos depois, seria ela a estrear na competição. Coadjuvante na primeira participação, Lloyd sairia em baixa do torneio em 2011, ao desperdiçar uma das penalidades na decisão contra o Japão. A volta por cima seria contundente, para fazer história. Na Copa do Mundo de 2015, a meio-campista não deveu em nada para as antigas lendas americanas. A vice-capitã anotou seis gols, embalando na fase decisiva. E nada se compara à sua forma na final contra o Japão, ratificando o título ao US Team. Seu hat-trick contou simplesmente com um tento do meio-campo, encobrindo a goleira Ayumi Kaihori. A Bola de Ouro não tinha outra dona possível.