Um dia antes da estreia do Brasil na Copa do Mundo de 2002, o Brasil teve uma má notícia. Perdeu o seu capitão, Emerson, que se machucou em um treino. O técnico Luiz Felipe Scolari convocou Ricardinho para substituir o volante. No time titular, quem entrou foi Gilberto Silva. A braçadeira que era de Emerson foi para Cafu. E o resto da história nós todos sabemos. No dia 30 de junho de 2002, o Brasil venceu por 2 a 0 a Alemanha em Yokohama e se sagrou campeão da Copa do Mundo pela quinta vez.

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O Brasil chegou como amplo favorito àquela final da Copa do Mundo no Japão. A campanha teve suas turbulências, mas o Brasil venceu os seis jogos anteriores. Claro, muitos deles de maneira sofrida. Turquia, China, Costa Rica, Bélgica, Inglaterra e Turquia foram os adversários superados até ali. Ronaldo e Rivaldo vinham brilhando intensamente, com Ronaldinho como um coadjuvante de luxo.

A Alemanha vinha de uma campanha sem tanto brilho. As vitórias foram sempre bastante magras no mata-mata, com o mesmo placar: 1 a 0 contra Paraguai nas oitavas, Estados Unidos nas quartas e Coreia do Sul na semifinal. O time comandado por Rudi Völler tinha seus problemas e perdeu para a decisão o seu principal jogador: Michael Ballack, suspenso por cartão amarelo.

“Os craques do time são os principais pelo título, eles fizeram a diferença. Ronaldo e Rivaldo estarão eternamente na lista de grandes jogadores da história do futebol brasileiro e mundial. Ronaldinho também teve momentos espetaculares. Os outros destaques durante o Mundial foram Marcos, Roberto Carlos, Cafu, Gilberto Silva, Roque Júnior, e Klebérson, no último jogo. Os demais foram guerreiros e solidários – e não comprometeram”, escreveu Tostão, na sua coluna na Folha.

Aquela final terminou com o primeiro tempo empatado em 0 a 0. O Brasil, melhor que a Alemanha, tentava se impor, mas a vitória só viria no segundo tempo. Em um chute de Rivaldo de fora da área, Oliver Khan, eleito o melhor da Copa, bateu roupa e Ronaldo aproveitou o rebote para marcar 1 a 0. Depois, Kléberson fez o passe da direita, Rivaldo fez o corta-luz e Ronaldo dominou e chutou, no cantinho: 2 a 0.

“Foi uma vitória pessoal. O Brasil mereceu. Um título incontestável porque ganhamos tudo, batemos todos os recordes que poderíamos bater. Somos a melhor seleção de todos os tempos e isso que é importante”, disse Cafu após o título, no Japão. Ele quebrou o protocolo naquele dia. A premiação foi feita no gramado, algo que não é comum em Copas. Não havia exatamente um palco mas Cafu subiu na estrutura montada para ficar mais alto. Ele tinha escrito na sua camisa “100% Jardim Irene”, o bairro onde cresceu na capital paulista. Quando recebeu a taça, sob as lentes de centenas de fotógrafos e os olhares de milhões de pessoas, bradou, com toda força dos seus pulmões: “Regina, eu te amo!”. Uma homenagem à esposa. Um amor que ficou mundialmente conhecido naquele dia.

O então capitão, com 32 anos, não pensava em parar. Disse, ainda no gramado, que queria estar na Alemanha, dali a quatro anos. Segundo matéria da Folha, “para aumentar seus recordes e ser o único capitão da seleção a levantar a erguer a taça de campeão mundial por duas vezes”. Foi uma prévia, porque Cafu esteve na Alemanha quatro anos depois e a crítica foi justamente a busca por recordes. A seleção de 2006 ruiu. Mas isso é história para outro dia.

https://youtu.be/xbAF9YXEA5k

Vídeo oficial da Fifa (clique para assistir em nova janela)