A trajetória da seleção croata a partir da década de 1990 é célebre. Muita gente sabe escalar de cor o time que alcançou as semifinais no Mundial da França, assim como outros tantos craques se consagraram depois disso, especialmente nesta campanha rumo à decisão em 2018. No entanto, há uma história de grandes jogadores que não vestiram necessariamente a camisa quadriculada, mas fizeram sucesso na antiga Iugoslávia. A seleção extinta contou bastante com o talento de croatas para as suas grandes campanhas, assim como eles lideraram os clubes locais a conquistas importantes.

Abaixo, selecionamos 25 jogadores de origem croata que marcam a passagem do tempo no futebol local e participaram de momentos importantes da Iugoslávia. Recontam uma história que se mistura no passado, mas que possui sua herança visível ao longo dos últimos 20 anos. A lista foi baseada principalmente em uma eleição feita pelo jornal Vecernji, sobre os melhores jogadores croatas do Século XX, com a adição de outros nomes pertinentes. Foram priorizados aqueles que fizeram suas carreiras principalmente na seleção iugoslava – não entrando, assim, atletas que também se destacaram depois com a Croácia, como Davor Suker e Robert Prosinecki. Confira:

Ivan Hitrec

O atacante era uma estrela do futebol croata na virada dos anos 1920 para os 1930. Disputou 14 jogos pela seleção iugoslava e marcou 10 gols, um deles na primeira vitória do país sobre a França, em 1929. No entanto, por causa da cisão entre sérvios e croatas às vésperas da Copa do Mundo de 1930, não viajou ao Uruguai. Foi ídolo no HASK Zagreb e defendeu também o Grasshopper, campeão suíço e considerado um dos melhores da Europa pela Revista Kicker. Famoso por sua velocidade, gostava de brincar que os pênaltis eram “injustos” por deixá-lo muito próximo do goleiro. Assumiu o comando do Dinamo Zagreb logo após a Segunda Guerra Mundial, mas faleceu em 1946. Hoje, a base do clube possui seu nome em homenagem.

Frane Matosic

Nascido em Split, chegou a defender o BSK Belgrado e o Bologna, mas o ápice aconteceu no Hajduk, em três diferentes passagens. Inclusive, ajudou o clube a se tornar um símbolo da resistência durante a Segunda Guerra Mundial. Ocupada inicialmente pela Itália, Split foi retomada pelos Partisans em 1943, mas voltaria ao domínio do Eixo durante o Estado Independente da Croácia – governo fantoche dos nazistas. A população, no entanto, se uniu contra o novo poder e se juntou aos Partisans, inclusive diversos jogadores do Hajduk. O clube se tornou um representante da luta iugoslava e disputou amistosos em prol da causa, rodando por diversos países aliados. Matosic era o capitão. Quando o clube foi convidado por Josip Broz Tito a se mudar a Belgrado e se tornar o principal símbolo do novo país, entretanto, o atacante negou a oferta. Tornou-se o maior artilheiro da história do Hajduk, potência nos primórdios do Campeonato Iugoslavo. Pela seleção, participou da prata olímpica em 1948.

Franjo Wölfl

Nascido em Zagreb, de origem germânica, atuou no Viktoria Plzen antes de se tornar o artilheiro do Gradanski Zagreb, principal potência do futebol local antes da criação da Iugoslávia. Após a Segunda Guerra Mundial, a maioria dos clubes locais foram dissolvidos, sob alegada ligação com movimentos nazi-fascistas. Assim, Wölfl se transformou em uma das referências do recém-criado Dinamo Zagreb, empilhando gols nos primeiros anos do Campeonato Iugoslavo. Foi o artilheiro da liga em 1947 e 1948. Em seu melhor momento, também fez parte da seleção e marcou tentos importantes na conquista da prata olímpica nos Jogos de Londres, em 1948.

Ivica Horvat

Capitão da seleção da Iugoslávia na Copa de 1950, Horvat foi um dos símbolos da equipe no pós-guerra. Disputou 60 partidas entre 1946 e 1956, importante também na prata olímpica de 1952. O zagueiro de postura firme e muita combatividade foi idolatrado no Dinamo Zagreb, onde permaneceu durante grande parte da carreira. Já veterano, rumou ao Eintracht Frankfurt, onde conquistou o Campeonato Alemão. Como atleta, era conhecido por sua imponência física. Também jogava futebol, além de participar de competições de atletismo, sobretudo nos saltos. Foi bicampeão nacional no salto em altura. Depois de se aposentar, ainda fez boa carreira como técnico, comandando o Dinamo Zagreb campeão da Taça das Cidades com Feiras (predecessora da Liga Europa) em 1967 e também o Schalke 04 na conquista da Copa da Alemanha de 1972.

Vladimir Beara

Para alguns, o melhor goleiro do mundo na década de 1950. Entre estes, ninguém menos que Lev Yashin. Quando recebeu a Bola de Ouro em 1963, o Aranha Negra declarou: “Ganho este prêmio, mas o melhor goleiro é Beara”. Nascido em Zelovo, o iugoslavo fazia parte de uma geração anterior à do soviético, que o tinha como exemplo. Big Vlad começou a carreira logo após a Segunda Guerra Mundial, no Hajduk Split, e passou também pelo Estrela Vermelha, antes de atuar no futebol alemão durante o final da carreira. Sua fama, de qualquer forma, se sustentou na seleção. Disputou 59 jogos entre 1950 e 1959, presente em três Copas do Mundo e prata nas Olimpíadas de 1952. Ficou famoso por defender um pênalti de Ferenc Puskás na final olímpica, apesar da derrota para os Mágicos Magiares da Hungria. Dono de grande capacidade atlética e elasticidade, era chamado de “Bailarino com mãos de ferro”, por seu estilo sob as traves. Além disso, a coragem e a confiança marcavam sua postura.

Zlatko Cajkovski

Meio-campista, tinha incumbências defensivas. Era respeitado pela enorme força física e pela firmeza na marcação, mas também apresentava uma refinada qualidade técnica para organizar o jogo. Começou no HASK, mas despontou mesmo a partir da Segunda Guerra Mundial, vestindo a camisa do Partizan Belgrado. Fez parte da seleção iugoslava na primeira década da equipe, destaque nas pratas olímpicas de 1948 e 1950, além de disputar as Copa de 1950 e 1954. O ápice de sua história no futebol, todavia, aconteceu na Alemanha. Mudou-se ao Colônia no final da carreira e por lá virou técnico, conduzindo os Bodes ao título alemão de 1962. Depois, treinaria o Bayern de Munique por cinco anos, de 1963 a 1968. Foi ele um dos principais artífices do esquadrão que dominaria a Europa tempos depois, ajudando o início de carreira de Franz Beckenbauer, Sepp Maier, Gerd Müller e outras lendas. Faturou duas Copas da Alemanha pelo clube, bem como o primeiro título continental dos bávaros, a Recopa Europeia de 1967.

Branko Zebec

Conhecido por sua velocidade e por sua versatilidade, jogava tanto como lateral quanto como ponta. Zebec começou a carreira no Gradanski Zagreb e rodou por vários clubes até se tornar referência do Partizan Belgrado nos anos 1950. Depois, mudou-se ao Estrela Vermelha, em controversa transferência, e foi campeão nacional. Pela seleção da Iugoslávia, disputou 65 partidas e marcou 17 gols, um deles garantindo o empate contra o Brasil na Copa de 1954. Esteve também nos Mundiais de 1950 e 1958, capitão neste último. Foi o artilheiro dos Jogos Olímpicos de 1952, fundamental na conquista da prata, e se despediu da seleção no vice da Eurocopa em 1960. Encerrou a carreira no Alemannia Aachen e se transformou em técnico renomado. Seu maior feito aconteceu à frente do Bayern de Munique, conquistando a Bundesliga em 1968/69, título este que encerrou um jejum de três décadas do clube na competição. Herdeiro de Cajkovski no cargo, moldou o estilo de jogo e a preparação física dos bávaros. Também faturou a liga com o Hamburgo, posteriormente derrotado na final da Champions de 1980, pelo Nottingham Forest.

Tomislav Crnkovic

O defensor começou a carreira no HASK, passou pelo Metalac Zagreb e se transformou em ícone do Dinamo, pelo qual disputou mais de 400 partidas. Foi campeão nacional duas vezes e, em 2006, acabou eleito para a seleção de todos os tempos do clube. Já pela seleção, participou de todo o ciclo dos anos 1950. Conquistou a prata olímpica em 1952, esteve presente nas Copas de 1954 e 1958 e, já no fim da carreira internacional, foi vice da Eurocopa em 1960. Disputou 51 partidas com a camisa azul.

Bernard Vukas

Para muitos, o melhor jogador da Croácia pré-independência. O atacante atuava como ponta ou mais centralizado, sempre demonstrando sua qualidade técnica acima da média. Dono de uma excelente habilidade nos dribles, aproveitava o talento para encurtar o caminho ao gol, artilheiro por onde passou. Começou a carreira no Concordia Zagreb, mas só deslancharia depois da Segunda Guerra, sobretudo com a camisa do Hajduk Split, três vezes campeão iugoslavo no início dos anos 1950. Ainda atuaria por Bologna e por outros clubes da Áustria no final da carreira. Eleito o “Atleta do Ano” na Croácia em 1955, prêmio que raras vezes foi a futebolistas, disputou as Copas de 1950 e 1954, além de possuir as pratas olímpicas em 1948 e 1952, sempre entre as referências da seleção da Iugoslávia. Em 2000, a federação croata o elegeu o melhor jogador do século nascido no país. Está imortalizado em uma estátua à frente do Estádio Poljud, em Zagreb.

Stjepan Bobek

Ferenc Puskás definiu a classe do camisa 10 da Iugoslávia melhor do que ninguém. Segundo o Major Galopante, a técnica de Bobek era inigualável e, de tão impressionante, o craque húngaro tentava imitar os seus dribles e seus passes de calcanhar. O atacante encontrou-se com os Mágicos Magiares na decisão das Olimpíadas de 1952, perdendo o ouro para o fã. Também levou a prata em 1948, além de disputar as Copas de 1950 e 1954. Autor de 38 gols em 63 jogos pela Iugoslávia, permanece eternizado como o maior artilheiro da história da equipe nacional. Por clubes, ainda se transformou em lenda do Partizan Belgrado. Defendeu o clube de 1945 a 1959, consagrando-se como maior goleador dos alvinegros em todos os tempos, com 425 gols em 478 jogos. Além disso, foi o responsável por sugerir a mudança de cores do clube, adotada em 1957, após uma vitória sobre a Juventus. Depois de pendurar as chuteiras, se tornou técnico, consagrando a equipe que voltou a dominar o Campeonato Iugoslavo no início dos anos 1960.

Josip Skoblar

O atacante começou a carreira no Zadar e passou bons anos no OFK Belgrado, onde se projetou à seleção. Foram 32 jogos em 11 gols pela Iugoslávia entre 1961 e 1967, presente na Copa do Mundo de 1962. Seu auge, porém, aconteceu fora do país. Primeiro, a partir de 1967, se tornou um dos destaques do Hannover 96. Já depois de 1970, se consagraria como lenda do Olympique de Marseille. Anotou 151 gols em 174 jogos pelo Campeonato Francês. Bicampeão da Ligue 1, ajudou o clube a encerrar um jejum de 23 anos. Além disso, foi artilheiro da competição por três temporadas consecutivas, estabelecendo o recorde absoluto em uma campanha – monstruosos 44 tentos em 36 aparições durante 1970/71. Naquele ano, também levou para casa da Chuteira de Ouro como maior goleador do futebol europeu. Eleito para a seleção de todos os tempos dos marselheses e membro do Hall da Fama, encerrou a carreira no Rijeka, mas trabalhou em diferentes funções no Vélodrome após se aposentar como jogador.

Drazan Jerkovic

Nascido em Sibenik, iniciou sua carreira em 1954, no Dinamo Zagreb. Está entre os grandes artilheiros do clube, autor de 300 gols em 315 partidas. Contudo, seu ápice aconteceu mesmo na seleção. Em 1960, liderou a Iugoslávia rumo ao vice da Eurocopa, com dois gols no eletrizante 5 a 4 contra a França na semifinal. Além disso, apareceu entre os goleadores da Copa de 1962, autor de quatro gols na campanha dos iugoslavos até as semifinais, quando caíram diante da Tchecoslováquia. Apesar da passagem marcante, disputou apenas 21 jogos com a camisa azul, somando 11 tentos. Terminaria a carreira no Gent, em trajetória abreviada pelas lesões. Como técnico, dirigiu a seleção da Croácia em seus primeiros amistosos nos anos 1990, no momento em que ainda buscava a independência.

Vlatko Markovic

O defensor começou a carreira nos anos 1950, passando por Iskra Bugojno e Celik Zenica, até viver o seu auge no Dinamo Zagreb. Defendeu a equipe por sete anos e chegou à seleção, ganhando destaque na Copa do Mundo de 1962. Pela grande competição que fez no Chile, terminou eleito para o time ideal do torneio em algumas eleições, fundamental na caminhada até as semifinais. Permaneceu no Dinamo até 1965, rodando depois por Gent, Wiener e Austria Viena. Após se aposentar, treinou os principais clubes do país e também a seleção nos anos 1990, além de ter sido presidente da federação croata por 14 anos, de 1998 a 2012.

Zeljko Perusic

Meio-campista de muita inteligência e capacidade defensiva, eclodiu no Dinamo Zagreb. Defendeu o clube de 1958 a 1965, ascendendo à seleção no mesmo período. Foram 27 jogos pela Iugoslávia, um dos destaques no vice da Euro de 1960. No entanto, o grande feito aconteceu nos Jogos Olímpicos de 1960, essencial na conquista do ouro no futebol após três pratas consecutivas. Não à toa, recebeu o prêmio de atleta croata do ano na ocasião. Ainda faria história vestindo a camisa do Munique 1860, onde atuou por quatro temporadas. Logo na primeira, foi um dos esteios da equipe na conquista da Bundesliga 1965/66. Depois, encerrou a carreira pelo St. Gallen.

Slaven Zambata

O atacante começou no Junak Sinj, de sua cidade natal, mas logo se transferiu ao Dinamo Zagreb e virou um dos símbolos do clube. Foram 267 gols em 393 aparições pelo clube iugoslavo, conquistando quatro títulos da copa nacional. Todavia, o ápice viria mesmo em 1967. O Dinamo conquistou a Taça das Cidades com Feiras, precursora da atual Liga Europa, batendo o Leeds United de Don Revie na final. Capitão da equipe, Zambata balançou as redes seis vezes ao longo da competição, na qual os croatas eliminaram Juventus e Eintracht Frankfurt. Depois, jogaria ainda por clubes belgas, antes de encerrar a carreira. Pela seleção acumulou 21 gols em 31 jogos, capitão nos Jogos Olímpicos de 1964. A ausência na Copa de 1966 o atrapalhou em seu melhor momento.

Dragan Holcer

Era o principal representante croata na seleção iugoslava que alcançou o vice-campeonato na Euro 1968. O defensor acumulou 52 partidas pela equipe nacional, renomado principalmente por seu trabalho no Hajduk Split. Mais veterano, ainda atuaria por seis anos no Stuttgart, antes de uma curta passagem pelo Schalke 04. A Alemanha, aliás, está e suas origens de uma triste maneira. Seu pai, de origem eslovena, lutou com os Partisans na Segunda Guerra Mundial. Por conta disso, a mãe austro-italiana, grávida, acabou presa pelos nazistas junto com as três filhas. Holcer nasceu na prisão e, ao fim do conflito, a família voltou a se reunir na cidade de Nis. Apesar disso, era considerado croata por construir sua vida na região e seguir morando por lá após a aposentadoria, como dirigente do Hajduk. Continuou em Split inclusive depois da independência.

Jurica Jerkovic

O meia tinha uma habilidade notável para armar o time, entre a visão de jogo privilegiada e a precisão nos passes. Nascido em Split, jogou por dez anos no Hajduk, capitaneando aquela que é considerada a geração dourada do clube. Conquistou três vezes o Campeonato Iugoslavo e outras cinco a Copa da Iugoslávia, além de ter sido semifinalista da Recopa Europeia. Disputou 43 jogos pela seleção, aparecendo nas Copas de 1974 e 1982, bem como na Euro 1976. Já a partir de 1978, transferiu-se ao Zurique, virando um dos grandes ídolos do Campeonato Suíço. Por lá, foi eleito três vezes o melhor jogador do país, conquistando um título da liga.

Ivan Buljan

Defensor de boa capacidade técnica e aparições decisivas no ataque, Buljan também integrou a geração de ouro do Hajduk Split. Colecionou títulos com o clube entre 1967 e 1977, eleito inclusive o melhor jogador da Iugoslávia em 1975. Presente na Copa de 1974 e na Euro de 1976, mudou-se à Alemanha no final da década de 1970, vestindo a camisa do Hamburgo. Fez parte de grandes times dos Dinossauros, campeão da Bundesliga em 1979 e também vice-campeão da Champions em 1980. Já no final da carreira, atuaria pelo New York Cosmos. Pela seleção, foram 33 jogos e três gols.

Luka Peruzovic

O defensor de bom porte físico brilhou com a camisa do Hajduk Split nos anos 1970, também parte da época dourada da equipe. O sucesso no clube o levou a 17 partidas com a seleção, disputando a Copa de 1974 e a Euro de 1976. O momento mais relevante de sua carreira, entretanto, aconteceu na Bélgica. Ele acompanhou o técnico Tomislav Ivic ao Anderlecht e se transformou em uma das referências no esquadrão dos Mauves. Conquistou três títulos nacionais e uma Copa da Uefa, além de ter alcançado duas vezes a semifinal da Champions. Voltaria ao Hajduk para encerrar a carreira, além de ter trabalhado em diversos clubes como técnico.

Ivica Surjak

O meia combinava porte físico com habilidade e velocidade. Começou jogando como lateral, mas sua versatilidade e sua inteligência tática impressionavam, a ponto de passar por diferentes posições ao longo da carreira. Acumulou taças em seus dez anos no Hajduk Split, entre 1971 e 1981. Não à toa, foi eleito o jogador iugoslavo do ano em 1976, além de disputar duas Copas e uma Euro, sempre como protagonista. Durante o Mundial de 1982, inclusive, usou a braçadeira de capitão. Depois seguiria ao Paris Saint-Germain, com o qual conquistou a Copa da França em 1983, abrindo alas ao sucesso do bósnio Safet Susic no Parc des Princes. Passaria ainda por Udinese e Zaragoza. Disputou 54 jogos pela Iugoslávia, com dez gols anotados.

Velimir Zajec

O líbero foi uma das bandeiras do Dinamo Zagreb em tempos de vacas magras. Formado pelas próprias categorias de base, ascendeu ao time principal em 1974. Conquistou duas Copas da Iugoslávia e ajudou a equipe a encerrar um jejum de 24 anos sem títulos do Campeonato Iugoslavo, em 1982. Ao mesmo tempo, também era uma das referências na seleção local, titular na Copa de 1982 e capitão na Euro de 1984. Após a competição, defendeu o Panathinaikos por quatro anos, considerado um dos grandes ídolos dos alviverdes. Pendurou as chuteiras em 1988, trabalhando em cargos diretivos e também como técnico, sobretudo no Dinamo.

Zlatko Kranjcar

O antigo atacante foi outro que participou do renascimento do Dinamo Zagreb a partir da década de 1970. Defendeu o clube por 11 temporadas, empilhando gols principalmente em seus últimos anos. Na conquista do Campeonato Iugoslavo de 1982, balançou as redes 12 vezes em 17 jogos. Além disso, faria nove tentos em quatro partidas rumo ao título da Copa da Iugoslávia de 1973. Defenderia o Rapid Viena a partir de 1984, conquistando duas vezes o Campeonato Austríaco. É colocado entre os grandes ícones de ambos os clubes. Pela seleção, porém, disputou apenas 11 jogos. Seria mais bem sucedido como técnico, dirigindo o Dinamo em momentos importantes e comandando a Croácia na Copa de 2006. O filho Niko Kranjcar honrou o legado.

Ivan Gudelj

O volante surgiu no Hajduk Split, pelas mãos de Marinko Boban – pai de Zvonimir. Por sua qualidade técnica e a capacidade na cobertura, foi apelidado de “Beckenbauer de Zmijavci” pela imprensa local. Estourou com a seleção sub-18, campeão europeu da categoria e eleito o melhor do torneio em 1979, antes de disputar o Mundial. Logo seria pinçado ao elenco principal, disputando 33 partidas pela Iugoslávia e vestindo a braçadeira de capitão aos 21 anos. Apesar da queda precoce na Copa de 1982, foi apontado entre os melhores jovens do torneio e também acabou eleito o melhor jogador iugoslavo no ano. Disputaria ainda a Euro em 1984. No entanto, no momento em que poderia dar saltos maiores, sua carreira se encerrou precocemente. Já tinha pré-contrato assinado com o Bordeaux, potência da França na época, mas contraiu uma hepatite e encerrou a carreira aos 26 anos. Tinha bola para muito mais.

Zlatko Vujovic

Segundo jogador com mais partidas pela seleção da Iugoslávia, vestiu a camisa da equipe nacional em 70 oportunidades, abaixo apenas de Dragan Dzajic, e anotou 25 gols. O atacante nasceu em Sarajevo, mas, de origem croata, iniciou a carreira no Hajduk Split. Foram dez anos de clube, com 101 gols marcados em 240 partidas pelo Campeonato Iugoslavo. Foi eleito o jogador do ano no país em 1981 e terminou como artilheiro da liga em 1985. Aliás, tinha a companhia do irmão gêmeo no time e na seleção, o defensor Zoran Vujovic. Zlatko, entretanto, acabou vivendo uma carreira mais notável. Em 1986, junto com Zoran, transferiu-se ao Bordeaux e conquistou o Campeonato Francês logo na temporada de estreia, anotando 12 importantes gols. Ainda passaria com relativo sucesso por Cannes, Paris Saint-Germain e Nice. Presente na Copa de 1982 e na Euro de 1984, foi o capitão da Iugoslávia na histórica caminhada até as quartas de final da Copa de 1990.

Tomislav Ivkovic

O goleiro foi o último camisa 1 da Iugoslávia antes da guerra. Formado pelo Dinamo Zagreb, era o arqueiro do título na conquista de 1982. Rodou por diversos clubes na sequência da década de 1980, incluindo o Estrela Vermelha e o Swarovski Tirol. Seu maior sucesso viria mesmo com o Sporting, acumulando mais de 100 partidas pelo Campeonato Português. Como jogador leonino, aliás, é que participou da Copa de 1990. Responsável por defender um pênalti de Maradona durante encontro com o Napoli pela Copa da Uefa, voltaria a frustrar o craque na marca da cal durante as quartas de final no Mundial da Itália. Porém, veria Sergio Goycochea também se agigantar e garantir a classificação argentina. O veterano seria um dos últimos croatas a atuarem pela Iugoslávia, em momento no qual a Croácia iniciara seu processo de independência. Deixaria a carreira internacional logo depois.