A Argentina é uma das grandes seleções mundiais, que já teve grandes craques e está intimamente ligada à história das Copas. Foi finalista da primeira edição da Copa, quando o futebol na América do Sul tinha na própria Argentina como uma das suas grandes escolas nos anos 1930. Quando a Copa do Mundo foi sediada no país, em 1978, havia uma enorme pressão para que o título finalmente viesse. Tudo isso ganha uma tinta ainda mais pesada se pensarmos que o país vivia uma sanguinária ditadura militar. E era um momento de uma linha dura do país, com o futebol argentino precisando daquele triunfo, o país se tornou um caldeirão naquele mês.

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“A imagem impossível de esquecer resume uma circunstância comovente: uma Copa do Mundo levantada pelo capitão, Daniel Passarella, 30 mil desaparecidos e o perfil inconfundível do terrorismo do Estado coordenado e executando a perseguição e o massacre sistemático”, descreve o Diário Popular, da Argentina.

A importância daquela Copa, futebolisticamente, foi enorme. Muito maior do que o campo, o título, a taça. Para os argentinos, era uma questão de respeito conquistado também fora dele. “Não por ter ganhado a Copa. Sim pela confirmação de que o jogador argentina tinha cartaz e recursos para frequentar o grande reconhecimento internacional que até esse momento nunca havia conseguido”, escreve o jornal. “Apesar da suspeita já folclórica e eterna por aquele 6 a 0 no Peru, em Rosario, o 3 a 1 na travessia final contra a Holanda terminou dando à Seleção o nível de legitimidade mundial que sempre se havia negado”, escreve o Diário Popular. Muito além disso, descreve como aquela final foi marcante para o futebol do país.

“O impressionante jogo de 120 minutos contra a Holanda (vale a pena ser visto novamente) foi o ponto de virada que marcou com clareza um antes e um depois no futebol argentino. Qual foi a contribuição fundamental de Flaco Menotti sobre seu conceito, liderança e capacidade organizacional? Acima de tudo, saber interpretar isso para ser altamente competitivo deve integrar a técnica sul-americana e o ritmo e a dinâmica europeus. A seleção revelou esse perfil coletivo formidável. Talvez melhor expressa uma ampla e generosa mistura tal era Mario Kempes, uma espécie de versão altruísta e muito renovada de Alfredo Di Stéfano, capaz de auxiliar na zona de recuperação cobrindo um ataque adversário e tornar uma função imediatamente ofensiva com uma potência irresistível”.

A Copa do Mundo de 1978 eternizou um time que pode não ter jogado o futebol mágico que o seu técnico Cesar Luis Menotti imaginava e sonhava. Pode não estar entre os maiores esquadrões que a Copa do Mundo já viu. Mas é um time marcante, competitivo, competente, talentoso e que soube disputar, no mais alto nível, com os melhores times do mundo. A Holanda, afinal, era uma equipe espetacular e mostrou isso ao mundo naquela Copa, mais uma vez. A derrota foi vendida muito caro. E a Argentina se eternizou na história naquele primeiro título de Copa do Mundo em um 25 de junho que, se era terrível para os argentinos na vida, fora do estádio, no Monumental de Núñez aquele dia foi mágico e inesquecível.

Outros jogos importantes em 25 de junho

1982: Alemanha Ocidental 1×0 Áustria: O jogo da vergonha (leia mais aqui)

1986: Argentina 2×0 Bélgica (clique no vídeo para assistir em outra janela)

Uma das maiores atuações individuais da história das Copas. Diego Armando Maradona decidiu contra a Bélgica, que tinha uma geração fantástica, na semifinal da Copa do Mundo.

1986: França 0x2 Alemanha Ocidental (clique no vídeo para assistir em outra janela)

1994: Argentina 2×1 Nigéria (clique no vídeo para ver em nova janela)

O último jogo de Diego Maradona na Copa do Mundo. O fatídico jogo que Maradona sai de mãos dadas com a enfermeira – e nunca mais voltaria a pisar no gramado em Copas, após ser pego no antidoping. Contamos esta história no perfil da Argentina no Guia da Copa 2018.

2002: Alemanha 1×0 Coreia do Sul (semifinal da Copa)

2006: Portugal 1×0 Holanda (o jogo com mais cartões das Copas)