O Nacional do Paraguai foi uma boa surpresa da Pré-Libertadores. A Academia massacrou o El Nacional na altitude de Quito (5 a 0, só com gols no segundo tempo) e empatou por 3 a 3 em casa, acusando um relaxamento natural depois de abrir 3 a 0. Mesmo assim, um time que aspira conquistar a Libertadores tem obrigação de vencer o terceiro colocado do último Campeonato Paraguaio quando joga em casa. E o River Plate não passou por esse teste.

Na tabela da Libertadores que você pegou em alguma revista ou que vê na internet, está registrada a vitória dos millonarios sobre o Nacional paraguaio. Mas o placar oficial não bate com o “futebol jogado”. Não apenas porque o gol saiu aos 44 minutos do segundo tempo, mas principalmente porque foi irregular. Fabbiani dominou a bola com a mão e Buonanotte estava impedido ao aproveitar o rebote e dar a vitória aos riverplatenses.

O desempenho pobre mostrado na estreia reforça a tese de que o River Plate será realmente um coadjuvante na competição. O time de Néstor Gorosito virou o ano e manteve a fragilidade apresentada no Apertura 2008. Contra o Nacional, a única jogada em que os argentinos tinham algum sucesso era em cruzamentos na área.

A falta de criatividade fica evidente quando se percebe que o elenco millonario tem como principal virtude a velocidade de seu setor ofensivo. Ou seja, limitar o jogo a bolas aéreas denotava a falta de consistência e autoconfiança da equipe. Diante de um adversário com essa postura, não foi difícil para o Nacional segurar o empate que lhe interessava. Até porque, quando foi exigido, o goleiro Don teve boa atuação.

É difícil imaginar que o River seja eliminado ainda na segunda fase (a de grupos). A chave é fraca e tem no Nacional uruguaio o único adversário que pode ameaçar a primeira posição dos argentinos. Ainda assim, é capaz de o time de Núñez não fazer nada além de repetir 2008, quando passou no sufoco pela primeira fase (diante de Universidad San Martín, Universidad Católica e América-MEX) e caiu nas oitavas de final.

Para mudar esse destino, Gorosito terá de transformar o River Plate em um time que se sente grande e joga como tal. Não pode continuar sendo a equipe complexada que terminou o Apertura argentino na última posição, vencendo apenas dois jogos. Caso contrário, manterá o tabu de só chegar à decisão da Libertadores em ano terminado em 6 (1966, 76, 86 e 96).

México: Eriksson sob pressão

Perder para os Estados Unidos já virou algo normal para o México. Nesta semana, La Tri tomou de 2 a 0 em Columbus, mantendo vivo o tabu que já dura 11 anos sem vitória dos mexicanos diante dos norte-americanos na casa do adversário. Uma série que, ao invés de levar ao conformismo de que o US Team não é mais um saco de pancada, apenas aumenta o incômodo dos aztecas.

Por isso, a mais recente derrota, na primeira rodada do hexagonal final das eliminatórias da Concacaf, provocou um início de crise na seleção mexicana. Imprensa e torcida contestam cada vez mais o trabalho do técnico sueco Sven-Goran Eriksson. A ponto de sua demissão ter sido considerada fortemente.

É fato que o México não convence sob o comando do escandinavo. La Tri sofreu para se classificar para o hexagonal final, por mais que, tecnicamente, não devesse existir obstáculo para a caminhada mexicana. Além disso, fica a sensação de que, em mais de meio ano com Eriksson, pouco se viu de evolução.

No entanto, também é verdade que parte desse pouco de avanço esteve em campo em Columbus na última quarta. O sueco colocou o México para jogar com dois meias de armação (Nery Castillo e Alberto Medina) e uma dupla de ataque leve e rápida (Giovani dos Santos e Carlos Ochoa). O sistema foi eficiente em envolver a defesa norte-americana e, em todo o primeiro tempo, o México deu claros sinais de que poderia vencer.

O problema é que o equilíbrio era frágil. No momento em que tiveram o domínio, os mexicanos sentiram a falta de um atacante mais eficaz na finalização. Depois, aos 33 minutos, Nery Castillo se contundiu. Os Estados Unidos ganharam espaço e, em uma jogada de bola parada, abriu o marcador.

A partir daí, todos os fantasmas dos 11 anos sem vitória fora de casa sobre o rival vieram à tona. O México se enervou, viu Rafa Márquez ser expulso e não conseguiu mais controlar as ações. Resultado: em um contra-ataque, os norte-americanos ampliaram sua vantagem.

No dia seguinte, Eriksson foi chamado para conversar com a federação mexicana. O sueco se disse um homem de coragem, reiterou que ainda não completou seu trabalho em La Tri e convenceu os dirigentes de que deveria ficar mais um tempo. Mas não há dúvidas que já há quem esteja pensando no nome de um eventual sucessor.

SELEÇÃO DA RODADA
Veja a seleção do site Medio Tiempo para a 4ª rodada do Clausura mexicano: Enrique Palos (Tigres de la UANL); Gerardo Flores (Jaguares de Chiapas), Javier Gandolfi (Jaguares de Chiapas), Mauricio Romero (Morelia) e Adrián Aldrete (Morelia); Christian Gimenez (Pachuca), Jaime Correa (Pachuca), Jairo Patiño (San Luis) e Danilinho (Jaguares de Chiapas); Humberto Suazo (Monterrey) e Héctor Mancilla (Toluca). Técnico: Enrique Meza (Pachuca).

Uruguai: Reencontro de risco

Com um mês e meio de atraso, o Uruguai finalmente conclui seu Apertura. Aliás, quase isso. Na última rodada, que fora adiada de dezembro devido a falta de garantias da polícia em relação à segurança nos estádios, os líderes Nacional e Danubio venceram seus compromissos e permaneceram empatados na liderança. Ou seja, haverá jogo extra.

A situação causa desconforto às autoridades uruguaias. A mais recente onda de violência no futebol uruguaio teve seu ápice justamente no Danubio 1×0 Nacional do Apertura. Naquela oportunidade, a torcida dos dois clubes invadiram o gramado após o jogo e protagonizaram uma longa batalha campal. Dias depois, a AUF (federação uruguaia) decidiu suspender o futebol profissional no país por uma semana – e, posteriormente, mais uma – até que se acalmassem os ânimos e medidas mínimas de segurança fossem tomadas.

O jogo que decidirá o título será realizado no Centenário, certamente o local mais seguro à disposição. Não há favoritos em uma final só em jogo de ida, disputada em campo neutro (ainda que não existam dúvidas de que a torcida do Nacional será maioria) por duas equipes que estão sem ritmo de competição.

Pelo pouco que se viu em 2009 das duas equipes, o Nacional parece mais preparado. Venceu com alguma autoridade o Peñarol pela Copa Bimbo e procurou não se desgastar muito nos 2 a 1 sobre o Central Español no Apertura. No entanto, a Libertadores pode atrapalhar. No meio de semana, os Bolsos precisaram de um gol no último minuto para superar a Universidad San Martín no Parque Central.

Enquanto o Nacional vinha bem, mas chega com o cansaço físico e psicológico de um jogo de Libertadores, o Danubio pôde descansar durante a semana. Além disso, os Franjeados estão animados depois do modo como asseguraram a ida a um jogo extra.

Jogando em casa diante do Peñarol, o time alvinegro teve muitas dificuldades para se impor. Os Manyas, contrariando o pedido da própria torcida (que prefere seu time perder a ver o rival campeão), engrossaram a partida e abriram o marcador com Richard Núñez. Delgado empatou no último minuto do primeiro tempo, mas a vitória de La Franja veio com um gol de Ifrán aos 46 minutos do segundo tempo.

A injeção de ânimo e confiança de uma vitória dramática ajuda a equilibrar as coisas antes da decisão do Apertura. Enquanto isso, as autoridades apenas pensam em modos de evitar que as torcidas usem a final como revanche da briga do Jardines del Hipodromo. Sinal de que, no Uruguai, 2008 ainda não acabou.