20 frases inesquecíveis de Brian Clough nos 10 anos sem o técnico lendário

“Eu não diria que fui o melhor técnico no negócio, mas estava no Top 1”: relembre as maiores pérolas do mito do futebol inglês

Brian Clough foi um dos melhores técnicos da história. Mas ia muito além disso. Afinal, ele tinha plena consciência de sua capacidade e jogava na cara de quem bem entendesse, sem o menor pudor. Mais do que um mito da prancheta, foi um personagem marcante. E que faz falta. Em 20 de setembro de 2004, o veterano faleceu aos 69 anos, em decorrência de um câncer no estômago. Deixou a lenda, eternizada pelos feitos dentro de campo e pelas frases fora dele.

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Antes de se tornar um treinador genial, Clough foi um atacante implacável. Com as camisas de Middlesbrough e Sunderland, se tornou o jogador que precisou de menos partidas para ultrapassar a marca dos 200 gols por ligas inglesas. Porém, uma séria lesão no joelho abreviou sua carreira aos 29 anos. Abriu o caminho para se tornar técnico logo na temporada seguinte, à frente do Hartlepool. Uma ascensão meteórica.

O primeiro grande time de Clough foi o Derby County, que em cinco temporadas foi da ameaça de rebaixamento à terceirona rumo ao título do Campeonato Inglês. O trabalho o gabaritou para assumir o Leeds, potência da época. Time de seu desafeto Don Revie, com quem travou discussões épicas na TV e que havia saído para assumir a seleção inglesa, maior frustração de Clough.  O novo comandante não durou mais do que 44 dias em Elland Road, na passagema que deu origem ao filme ‘Maldito futebol clube’.

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No entanto, o técnico ainda refez o seu nome. À frente do Nottingham Forest, transformou a equipe de segunda divisão em bicampeã europeia, em um salto que precisou de apenas quatro anos. Encerrou a carreira após 18 anos de serviços prestados nos alvirrubros, ao ser rebaixado da Premier League e encerrar a sequência de 16 anos na elite. Aposentado aos 59 anos, trabalhou como colunista da FourFourTwo, mas também foi tratar da dependência do álcool, que o levou a um transplante de fígado em 2003.

Como seria Brian Clough técnico nos dias atuais? “Ele ainda teria sido incrivelmente bem sucedido. Mas há uma quantidade obscena de dinheiro no jogo e eu acho que a gota d’água teria sido o envolvimento dos empresários com os clubes”, afirma à BBC Nigel Clough, que foi comandado pelo pai no Forest e também se tornou técnico. Brian Clough não foi santo, cabeça dura demais certas vezes, até mesmo preconceituoso em outras. Contudo, seu trabalho é fantástico, histórico, e poderia muito bem fazer a diferença ainda hoje. Afinal, sua genialidade geniosa é atemporal.

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“Eu não diria que fui o melhor técnico no negócio, mas estava no Top 1”.

“Se Deus quisesse que jogássemos futebol nas nuvens, teria colocado grama sobre elas”, cornetando o jogo aéreo excessivo de algumas equipes.

“Se um presidente demite o técnico que ele escolheu inicialmente, ele também deveria ir embora”.

“Pedir demissão é para primeiros ministros e para aqueles que são pegos com as calças arriadas, não para mim”.

 “Ah, sim, Frank Sinatra. Ele me conheceu certa vez, você sabia?”.

“Roma não foi construída em um dia, mas outra vez eu não estava neste trabalho em particular”.

“Conversamos sobre o assunto por 20 minutos e, então, decidimos que eu estou correto”, sobre qualquer discussão em seu vestiário.

“Idade não importa. Vale o que você sabe sobre futebol. Eu sei que sou melhor que mais ou menos 500 técnicos demitidos desde o fim da Segunda Guerra Mundial. Se eles soubesse algo sobre futebol, não teriam perdido os seus empregos”, quando foi nomeado técnico pela primeira vez, aos 30 anos.

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“Eu não consigo soletrar nem mesmo espaguete, muito menos falar italiano. Como pediria para um jogador italiano pegar a bola? Ele poderia agarrar as minhas”.

“Eles não queriam um técnico da Inglaterra que estivesse preparado para chamar os italianos de bastados trapaceiros. Eles não entenderam que eu poderia ter controlado minha linguagem e me deleitado do alívio de fugir do desgaste cotidiano de treinar um clube”.

“Vocês todos podem jogar suas medalhas no lixo, porque elas não foram conquistadas de maneira justa”, ao chegar no Leeds, do desafeto Don Revie.

“Eu dava aos meus jogadores uma versão da mesma mensagem todos os jogos: ‘Eu poderia chutar minha avó agora pelos três pontos nesta tarde’. Eles sabiam o quão importante era dar tudo pela vitória. Todas as vezes. É por isso que minha avó teve mais vidas que meu gato”.

“Eu teria cortado as bolas dele fora”, sobre o chute de Cantona no torcedor do Crystal Palace.

“Por todos os seus cavalos, nomeações e campeonatos, ele não tem duas daquelas que consegui. E não estou falando de bolas”, sobre os títulos de Alex Ferguson na Champions, então com apenas uma conquista.

“Fora da vida familiar, não há nada melhor que conquistar a Champions”.

“Para deixar todo mundo tranquilo, gostaria de ressaltar que eles não me deram o antigo fígado de George Best”, após passar por um transplante de fígado, em 2003.

“Não me mande flores quando eu estiver morto. Se você gosta de mim, mande enquanto eu estiver vivo”.

“Jogadores perdem os jogos para você, não as táticas. Há muita porcaria dita sobre táticas por pessoas que mal sabem como ganhar no dominó”.

“Beckham? A sua esposa não sabe cantar e o seu barbeiro não sabe cortar cabelo”

“Quando eu me for, Deus vai ter que abandonar a sua cadeira predileta”.

 

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Bônus: A fama de Brian Clough não era à toa, e não se limitava à Inglaterra. Prova disso é o recado que o falastrão recebeu de um dos maiores ícones do esporte, Muhammad Ali.