O Campeonato Mundial Sub-20 começou nesta quinta-feira e vem recheado de jogadores talentosos para se observar. Estourar na competição pode não ser garantia de sucesso mais à frente, óbvio. De qualquer maneira, a lista de destaques nos juniores que vinga no nível principal é considerável. E esta edição parece contribuir para que os melhores da geração estejam presentes. Como o torneio acontece no fim da temporada europeia e durante a pausa às competições continentais, raros são os desfalques. O único obstáculo um pouco mais considerável é o Campeonato Europeu Sub-21, marcado para meados de junho. Embora o limite real do certame da Uefa seja de 23 anos, alguns potenciais craques no Mundial acabaram ausentes pela coincidência de datas.

O Brasil não foi capaz de se classificar no Campeonato Sul-Americano Sub-20 e precisará acompanhar a competição de longe. De qualquer maneira, há várias camisas pesadas que se candidatam ao título. Enquanto os quatro representantes da América do Sul impõem respeito pelo equilíbrio, França e Portugal dão um passo à frente na Europa. Já nos demais continentes, vale destacar o México, Mali e Senegal, com bons times para se prestar atenção.

Aproveitando o gancho, apresentamos um pouco mais sobre os jogadores do Mundial Sub-20. Na lista abaixo, selecionamos 18 nomes relevantes entre as 24 seleções participantes. São atletas com rodagem em seus clubes ou na própria seleção principal, além de alguns que viveram ótimo momento nas competições classificatórias. Para aumentar a diversidade, há apenas um atleta por equipe. Confira:

Ezequiel Barco (Argentina)

A Argentina possui alguns garotos bem interessantes para se prestar atenção, sobretudo pelas boas impressões que já vêm causando nos gigantes do país. Cristian Ferreira e Julián Álvarez são pérolas do River Plate, enquanto Agustín Almendra é o novo xodó do Boca Juniors. De qualquer maneira, o candidato a craque é Ezequiel Barco. O habilidoso ponta não deslanchou logo de cara no Atlanta United, mas a Copa Sul-Americana espetacular com o Independiente em 2017 comprovou sua capacidade. Chegou a ser convocado ao Sul-Americano Sub-20 no início do ano, mas uma lesão impediu sua participação.

Cucho Hernández (Colômbia)

O camisa 10 tem apenas 20 anos, mas um currículo bastante extenso. Revelado pelo Deportivo Pereira, arrebentava no clube e foi vendido ao Granada. Ainda passaria um período emprestado ao América de Cali, antes de ser repassado ao Watford. Já nos últimos dois anos, virou uma das lideranças do Huesca que fez sua estreia na elite do Campeonato Espanhol. Dono de muita qualidade técnica e capacidade de definição, viveu uma estreia dos sonhos pela seleção principal: anotou dois gols na vitória por 3 a 1 sobre a Costa Rica, em amistoso disputado em outubro. Iván Angulo, meio-campista levado do Envigado à base do Palmeiras no início do ano, é outro a se mencionar. Ele anotou um dos gols na vitória contra a Polônia nesta quinta, na abertura do Mundial.

Leonardo Campana (Equador)

Em um momento de renovação, o Equador facilita o acesso de novatos à seleção principal. O time convocado ao Mundial Sub-20 tem três atletas que já passaram pela equipe de cima: Diego Palacios, Leonardo Campana e Stiven Plaza. Dentre estes, Campana é quem mais se sobressai. O centroavante fez uma belíssima participação no Campeonato Sul-Americano Sub-20, anotando seis gols. Além de ser protagonista na conquista do título, também foi eleito para a seleção do torneio. E o sucesso com a equipe garantiu as primeiras chances ao garoto de 18 anos no time principal do Barcelona. Mesmo saindo do banco, contribuiu com dois gols e uma assistência em sete partidas pelo Campeonato Equatoriano. Disputou os dois amistosos com La Tri na Data Fifa de março.

Nicolás Schiappacasse (Uruguai)

O nível modesto do Campeonato Uruguaio permite que vários jogadores da Celeste Sub-20 tenham rodagem na primeira divisão. Pelo que apresentou no Sul-Americano Sub-20, é um time com potencial. E o dono da camisa 10 tem bola para explodir em breve. Nicolás Schiappacasse surgiu no River Plate local, seguindo à base do Atlético de Madrid em 2016. Passou um tempo emprestado ao Rayo Majadahonda e se deu bem na segundona espanhola. A ponto de chegar em ótima forma ao torneio continental e, no último semestre, seguir a outro empréstimo, rumo ao Parma. O colchonero só entrou em campo três vezes na Serie A. Contudo, em um momento de reformulação no Atleti, o Mundial pode ajudá-lo no trato com Diego Simeone. Outro que tenta aproveitar a vitrine é Bruno Méndez. O capitão, que possui dois jogos com a seleção principal, ainda não ganhou chances no Corinthians, após ser trazido do Montevideo Wanderers.

Alban Lafont (França)

A França conta com o elenco mais tarimbado do Mundial Sub-20. Mesmo que nenhum jogador tenha passado pela seleção principal, vários atuam nas grandes ligas europeias. A lista extensa inclui Dan-Axel Zagadou, Evan N’Dicka e Boubacar Kamara, entre outros. E se a defesa dos Bleus se apresenta como o setor mais forte, o goleiro Alban Lafont se torna um dos pilares. Prodígio nos tempos de Toulouse, se transferiu à Fiorentina e, apesar das oscilações, indica ter um grande futuro pela frente. Aos 20 anos de idade, já acumula 131 partidas entre Ligue 1 e Serie A, titular há quatro temporadas. Vale lembrar ainda que a França está classificada ao Europeu Sub-21. Ibrahima Konaté, Matteo Guendouzi e Houssem Aouar, todos com idade para ir ao Mundial, serão integrados aos mais velhos.

Erling Braut Haland (Noruega)

Poucos clubes na Europa possuem a competência do Red Bull Salzburg na prospecção de talentos. E se os Touros Vermelhos desembolsaram €5 milhões para tirar Haland do Molde, certamente há motivos. O centroavante de 19 anos surgiu no Bryne e, depois de ser reprovado em um teste no Hoffenheim, estourou com o Molde. Anotou 12 gols em 25 partidas no Campeonato Norueguês de 2018, o que garantiu sua transferência à Áustria em janeiro. Pouco atuou neste semestre, mas fez um gol na reta final da Bundesliga e deve ganhar mais chances após a venda de Munas Dabbur ao Sevilla.

Andriy Lunin (Ucrânia)

Lunin é cotado como o dono da meta da seleção ucraniana num futuro próximo. O arqueiro virou titular do Dnipro quando tinha 17 anos e depois passou pelo Zorya Luhansk, até ser vendido ao Real Madrid no início da atual temporada. Não deve ter espaço no Bernabéu tão cedo, mas fez algumas aparições com o Leganés na reta final do Espanhol e tem mercado. Além do mais, também acumula convocações pela seleção principal e entrou em campo três vezes em 2018. Oferece uma experiência notável no Mundial.

Gedson Fernandes (Portugal)

A grande expectativa dos portugueses era se João Félix estaria presente no Mundial Sub-20. Fernando Santos preferiu levá-lo à fase final da Liga das Nações. Assim, Gedson Fernandes salta como principal destaque da Seleção das Quinas. O meia foi uma das sensações do Benfica no início da temporada, sobretudo pelo que causou nas preliminares da Liga dos Campeões. Perdeu espaço no último semestre, mas, aos 20 anos, tem qualidades para crescer bastante no Estádio da Luz. E já possui suas aparições com a seleção principal no currículo. Entre as outras promessas tugas, estão Diogo Dalot e Rúben Vinagre, rodados na Premier League, além de Rafael Leão, que impulsionou a campanha do Lille na Ligue 1. Vale mencionar ainda Jota e Francisco Trincão, que arrebentaram na conquista do Europeu Sub-19 de 2018. Os lusitanos são candidatos ao título no Mundial.

Andrea Pinamonti (Itália)

Nenhuma outra seleção sentiu tanto o impacto do Europeu Sub-21 do que a Itália. O torneio continental será realizado no país e foi tratado como prioridade pela federação. Assim, os destaques no Europeu Sub-19 de 2018 já foram “promovidos” ao nível acima. Nicolò Zaniolo, Sandro Tonali e Moise Kean são os talentos que o sub-20 italiano perdeu. Assim, O jogador mais experimentado que viajou à Polônia é o atacante Andrea Pinamonti. Cria da base da Internazionale, ele passou a última temporada emprestado ao Frosinone e teve um desempenho razoável com o saco de pancadas. Anotou cinco gols e deu três assistências, um dos mais produtivos ofensivamente nos Canarini. O lateral Luca Pellegrini é outro que desponta, no Cagliari, enquanto o goleiro Alessandro Plizzari foi bem no Europeu Sub-19, ainda sem ter estreado profissionalmente com o Milan.

Radoslaw Majecki (Polônia)

A Polônia tem uma grande responsabilidade como anfitriã do Mundial e precisará contar com o talento de seu goleiro. Majecki passou por diferentes categorias na base do Legia Varsóvia e ficou uma temporada emprestado ao Stal Mielec, na segunda divisão. Já na atual edição do Campeonato Polonês, voltou ao Legia e conquistou seu espaço no 11 inicial, participando de 14 partidas. Uma lesão na costela limitou a sua presença, mas recuperou-se a tempo de disputar as três últimas rodadas da liga e figurar na equipe nacional. É visto como um dos futuros candidatos à seleção principal, ao lado de Bartlomiej Dragowski, que fez uma grande temporada pelo Empoli e tem somente 21 anos.

Diego Lainez (México)

Certamente o maior prospecto do futebol mexicano. Diego Lainez não nega a influência de Lionel Messi em seu estilo de jogo, sobretudo pela maneira de driblar e conduzir a bola muito próxima do pé. E o camisa 10 logo causou o seu impacto no país. Revelado pelo América, destacou-se bastante na conquista do Apertura 2018. A ascensão levou o Betis a pagar €14 milhões em sua contratação durante o mês de janeiro. O semestre ruim dos verdiblancos não contribuiu muito à sua adaptação, mas as expectativas são óbvias. Eleito o melhor jogador do Torneio de Toulon em 2018, já participou de quatro partidas com a seleção principal do México. Vale ficar de olho também em José Macías, atacante que brilha no León.

Timothy Weah (Estados Unidos)

Tim Weah certamente é o (sobre)nome mais famoso desta lista. O filho de George respirou futebol desde cedo, embora tenha nascido e crescido nos Estados Unidos. Promessa do New York Red Bulls, seguiu os passos do pai e se juntou à base do Paris Saint-Germain. Todavia, não quis saber da seleção liberiana e defendeu os americanos desde o sub-15. Apesar de algumas aparições com o PSG no começo da temporada, o atacante foi emprestado ao Celtic em janeiro, ajudando na conquista do Campeonato Escocês com três gols em 13 partidas. Agora, poderá chamar atenção no Mundial Sub-20. O garoto de 19 anos é praticamente um veterano na seleção principal dos EUA, com oito partidas disputadas em 2018 e um gol.

Sekou Koita (Mali)

Mali vem de boas campanhas nas competições de base. Vice-campeã mundial sub-17 em 2015, ainda vê os reflexos impulsionarem o atual trabalho no sub-20. Titular naquela campanha, Sekou Koita também ajudou os malineses a conquistarem o Africano Sub-20 de 2019 e aparece como um dos destaques da equipe no Mundial da Polônia. O atacante de 19 anos foi vendido em 2018 ao Liefering, filial do Red Bull Salzburg, e nos últimos meses brilhou no Campeonato Austríaco. Emprestado ao Wolfsberger, acumulou quatro gols e quatro assistências em 13 partidas, o que irá levá-lo definitivamente a Salzburgo em 2019/20.

Ibrahima Niane (Senegal)

Apesar da influência francesa, Senegal mantém boa parte de sua base na liga local. É lá que joga, por exemplo, o ponta Amadou Sagna, autor de uma tripleta na abertura do Mundial Sub-20. Entre os “europeus”, quem mais se destaca é o atacante Ibrahima Niane. Ele foi revelado pelo Génération Foot, mesmo projeto que descobriu Sadio Mané. Assim como o ídolo, ganhou uma oportunidade de se mudar à França e defender o Metz. Já tinha disputado o Mundial Sub-20 de 2017 com os Leões de Teranga e deslancha no clube. Está em sua segunda temporada como titular e anotou dez gols na Ligue 2, contribuindo para o acesso.

Tom Dele-Bashiru (Nigéria)

Descendente de nigerianos, Tom Dele-Bashiru nasceu em Manchester e iniciou sua trajetória nas categorias de base do Manchester City. Aos 19 anos, o meia chegou a fazer uma aparição na Copa da Liga Inglesa, embora seja mais utilizado no elenco sub-23. Parte das seleções de base da Inglaterra, optou por defender a Nigéria no sub-20 e foi reconhecido com a convocação ao Mundial. O torneio pode ser um caminho para encontrar um novo time. Insatisfeito com a falta de espaço no elenco de Pep Guardiola, optou por não renovar o seu contrato com os celestes.

Sarpreet Singh (Nova Zelândia)

Não é só a Austrália que aproveita o fluxo migratório ao país para tornar sua seleção mais competitiva. Sarpreet Singh é um reflexo de como o processo também acontece na Nova Zelândia. O meia nasceu em Auckland, mas é descendente de indianos. E já possui números respeitáveis com o Wellington Phoenix. Titular na A-League, o prodígio contribuiu com cinco gols e sete assistências em 25 partidas. Tamanha badalação o levou à seleção principal, pela qual disputou quatro jogos e anotou um gol – curiosamente, em amistoso contra o Quênia disputado na Índia, em junho passado.

Kang-in Lee (Coreia do Sul)

As expectativas da Coreia do Sul se depositam sobre Lee Kang-in, meia que se juntou às categorias de base do Valencia quando tinha apenas dez anos de idade. O camisa 10 passou por todos os níveis dos Ches e, depois de ser testado algumas vezes com o time B, vem ganhando espaço com Marcelino García Toral no grupo principal. Participou de quase toda a campanha na Copa do Rei, titular até as quartas de final, além de entrar durante alguns compromissos no Campeonato Espanhol e na Liga Europa. Foi convocado à seleção principal na última Data Fifa, sem entrar em campo.

Turki Al-Ammar (Arábia Saudita)

Eleito o melhor jogador do Campeonato Asiático Sub-19 de 2018, Turki Al-Ammar também ganhou o prêmio de melhor jogador jovem do continente no último ano. O meia liderou a campanha da Arábia Saudita ao título do torneio, anotando gols em todas as fases dos mata-matas. Não à toa, vestirá a camisa 10 e se incumbirá como principal esperança do país no Mundial. Suas participações no Campeonato Saudita não são tão frequentes, defendendo o Al-Shabab. A participação da Polônia pode reforçar o seu nome na liga local.