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O primeiro turno da Bundesliga esteve entre os melhores de sua história recente. O Campeonato Alemão superou o nível de competição das outras grandes ligas europeias neste início de temporada e firmou uma corrida pelas primeiras posições repleta de incertezas. No momento, não é possível cravar nada ao topo da tabela, diferentemente do que acontece à maioria dos campeonatos que já iniciaram o segundo turno, com a briga pela taça mais restrita. As apostas estão abertas e permitem cenários muitíssimo interessantes.

O RB Leipzig conquistará o título inédito? O Borussia Mönchengladbach reavivará sua tradição com a Salva de Prata? O Bayern de Munique vai se recuperar? O Borussia Dortmund se tornará mais estável para arrancar? Há outro concorrente possível, como o Schalke 04 ou o Bayer Leverkusen? Todos os cenários são permitidos e a troca de posições na metade inicial da Bundesliga mostra como todos os concorrentes possuem virtudes e defeitos. Resta ver quem terá fôlego ao sprint final, em um campeonato que ainda apresenta mais clubes para incomodar e um número expressivo de jogadores de qualidade.

Aproveitando o retorno da Bundesliga no próximo final de semana, reestreamos a coluna com um balanço desta pausa de inverno. Avaliamos o que aconteceu na primeira metade do torneio, já projetando um pouco quais serão os desafios aos principais clubes durante o segundo turno. Separamos em tópicos, com assuntos principais abordando os times e também outras histórias paralelas que dão sabor ao futebol alemão.

O ápice de uma geração em Leipzig?

O RB Leipzig começou a temporada como um projeto de médio prazo sob as ordens de Julian Nagelsmann, mas podendo aproveitar o ápice de muitos jogadores há tempos em ascensão na Red Bull Arena. A combinação mostrou-se eficiente desde o início da campanha e os Touros Vermelhos terminaram o primeiro turno na liderança, antecipando o impacto do treinador. Méritos de um time bastante regular, dono de um ataque potente e que arrancou muitos pontos de seus adversários fora de casa. Por mais que Nagelsmann dê os primeiros passos, parece o clube mais pronto a realmente desafiar a hegemonia do Bayern e buscar a inédita Salva de Prata.

Nisso, entra o momento de vários protagonistas do Leipzig. O time se mostra muito azeitado, com uma equipe titular equilibrada e substituições pontuais de ótimo nível. Apesar da lesão de Willi Orban, a defesa dá conta do recado. Konrad Laimer se encaixou de imediato no meio-campo, assim como Christopher Nkunku na ponta. Marcel Sabitzer vive um momento incrível e impressiona por sua efetividade no ataque – tanto que a fase ruim de Emil Forsberg nem parece um problema. Já na linha de frente, se dão as combinações mortíferas entre Timo Werner e Yussuf Poulsen, dois atacantes com muita mobilidade e poder de fogo. A reta final será exigente, até por conciliar a Champions League. Todavia, os Touros Vermelhos têm virtudes suficientes para manter a toada e almejar o título. Quem sabe, para iniciar sua própria era vitoriosa na Alemanha. Há tempo para mais, inclusive.

Marco Rose e o sonho que se sustenta

Desde os anos 1970, em seu período dourado, o Borussia Mönchengladbach não sabia o que era desfrutar uma sequência na liderança da Bundesliga. E, neste primeiro turno, nenhum outro clube permaneceu por tanto tempo no topo da tabela. Havia certa desconfiança sobre os Potros, e ela persiste rumo ao segundo turno. Todavia, os alvinegros souberam desafiar os céticos na maior parte das vezes. A competitividade do elenco é visível, com o Gladbach sempre se reerguendo imediatamente de seus tropeços. Conta muito a força dentro do Borussia Park e a maneira como Marco Rose se adaptou de maneira instantânea à nova casa.

Neste ponto, ressalta-se o bom trabalho do treinador. Era notável o que Rose proporcionou à frente do Red Bull Salzburg, mas o Gladbach sai melhor que a encomenda. A equipe possui variações de jogo e diferentes encaixes às suas peças. É um time que atua de forma veloz e que aproveita bem as bolas paradas. Além disso, deu muitas bolas dentro no mercado. Marcus Thuram é seríssimo candidato à revelação da temporada, unindo potência e inteligência. Vai sendo o cara do time. László Bénes, Ramy Bensebaini e Stefan Lainer enfatizam apostas praticamente certeiras. E há um punhado de jogadores redescobertos, que se recuperaram. Breel Embolo veio de fora, mas entra na lista por sua funcionalidade. Ainda mais importante é o trinômio formado por Patrick Herrmann, Yann Sommer e Matthias Ginter. Todos oscilaram e pareciam fadados ao marasmo de um gigante adormecido. Agora, lideram o que até pareceria um devaneio: a chance de levar o troféu máximo.

Bayern de Munique, a hegemonia em risco e os egos

É difícil encontrar um reinado europeu tão desgastado quanto o do Bayern de Munique. A força para conquistar a Bundesliga permanece presente, até pela qualidade do elenco na Baviera. No entanto, o clube parece cada vez mais propenso a deixar sua coroa cair, entre a perda de rendimento coletivo e as cobranças internas. Lá se vão três temporadas em que os bávaros descem um degrau em seu pedestal na Alemanha. Há um número respeitável de talentos para acreditar em uma reviravolta pela Salva de Prata. Mas os tropeços se tornam frequentes e mesmo a pressão pelo título na Champions League não contribui para o ambiente conturbado, necessitando de renovação.

Hansi Flick é quem segurará a bomba até o final da temporada. O antigo assistente de Joachim Löw virou uma escolha natural após a saída do desacreditado Nico Kovac e teve um bom começo, mas não demorou a oscilar. A assinatura do contrato por mais seis meses garante certa tranquilidade, mas ainda é um treinador tentando provar o seu valor no posto principal. Deverá ser bombardeado pela crítica com o mínimo desvio de rota. Ao mesmo tempo, precisa consertar sua defesa, muito suscetível a ataques rápidos, e evitar os pontos desperdiçados contra adversários diretos, como ocorreu contra o Borussia Mönchengladbach. As contusões, além do mais, já foram um problema no primeiro turno e geralmente se agravam na reta final. Lucas Hernández, Niklas Süle e Kingsley Coman estão no estaleiro.

O grande trunfo do Bayern para acreditar no título se chama Robert Lewandowski. Surpreende como o centroavante consegue se superar e, nesta temporada em especial, ele se coloca como sério candidato à Bola de Ouro. Joshua Kimmich e Serge Gnabry se preservam como excelentes valores, enquanto Philippe Coutinho faz por merecer sua permanência diante do início positivo. Vale exaltar ainda como David Alaba tem quebrado bem o galho como zagueiro, permitindo o surgimento de Alphonso Davies na lateral. A questão maior é lidar com a insatisfação dos senadores. Manuel Neuer até recupera o seu melhor nível, mas a atitude intempestiva após a contratação de Alexander Nübel conturba o ambiente desnecessariamente. Da mesma forma, Thomas Müller tem se recuperado nas últimas semanas com muitas assistências, por mais que siga longe do que já representou um dia. O que não ajuda é a maneira como anda forçando sua saída. Os capitães, que deveriam assumir a liderança nesta transição, criam uma guerra de egos.

Haaland e Sancho encantam, mas o perigo está atrás

O Borussia Dortmund sempre vai provocar encanto enquanto atrair jovens talentos. Os aurinegros se consagraram como uma das melhores equipes formadoras da Europa e, não à toa, se dão bem em várias disputas para contratar jogadores. Jadon Sancho pode não ficar por tanto tempo no Signal Iduna Park, mas deve ter pelo menos mais seis meses para gastar a bola. Depois de críticas e de uma breve queda, o inglês se mostrou faminto na reta final de 2019. Agora, poderá servir Erling Haaland, uma pechincha. É verdade que a diretoria precisou se curvar a várias exigências de Mino Raiola, mas não se dispensa um dos centroavante mais prolíficos da Europa. A combinação da dupla, somada a Marco Reus, Thorgan Hazard, Julian Brandt e outros valores, promete ser explosiva. Enfim, o BVB tem um homem confiável para resolver jogos.

O problema são os pontos desperdiçados pela fragilidade da defesa. Virou até clichê dizer que o Dortmund amarelou na final e cedeu o resultado contra um adversário inferior. Roman Bürki pode até falhar de vez em quando, mas costuma evitar desastres maiores aos aurinegros. Da mesma maneira, Mats Hummels se mostra sobrecarregado neste retorno positivo ao Signal Iduna Park. Existe uma clara necessidade de contratar. Até pela falta de algumas peças, o BVB sofre. Porém, não dá para atribuir os deslizes apenas aos jogadores. Lucien Favre ainda não conseguiu construir uma equipe totalmente equilibrada entre ataque e defesa, mérito em outros trabalhos. A forma como o time se expõe e perde fôlego entra na conta do treinador. Será um ponto decisivo se realmente os aurinegros quiserem aproveitar a Bundesliga aberta para tentar buscar a Salva de Prata no segundo turno.

Até que o ponto o Schalke 04 pode ser duradouro

Desafio você a encontrar um clube mais incompetente na gestão de suas promessas que o Schalke 04. Se o Dortmund serve de parâmetro ao resto da Europa, os Azuis Reais não aprendem nada com os rivais. O clube de Gelsenkirchen perde de mão beijada, temporada após temporada, boa parte de suas melhores revelações. São exceções como Leroy Sané e Thilo Kehrer que rendem aos cofres um valor realmente condizente ao mercado. E a próxima perda sentida foi determinada nesta intertemporada, com o acerto do goleiro Alexander Nübel rumo ao Bayern de Munique em 2020/21. De atual capitão e potencial referência ao futuro, o jovem se torna mais um ingrato à torcida, que aproveitou as brechas dadas pela diretoria com o contrato que não foi renovado.

Até por isso, fica difícil acreditar em uma ascensão paulatina do Schalke. O clube fez bem ao levar David Wagner e teve um desempenho notável no primeiro turno, que deve manter a equipe na briga pela Champions, com apenas três derrotas. Todavia, a realidade em Gelsenkirchen não permite acreditar em um crescimento duradouro. É ver como a notícia de Nübel afetará o rendimento. Ao menos, os Azuis Reais têm outros nomes que aproveitam bem a vitrine. Suat Serdar é o esteio do meio-campo, fazendo o papel de elemento surpresa. Amine Harit superou seus dramas pessoais para render ao máximo e exibir uma qualidade técnica rara na armação. E vale olhar para Ozan Kabak, trazido do Stuttgart, já entre os melhores zagueiros da Bundesliga. Jovens e promissores, que talvez saiam sem render nada.

O gás de Leverkusen e Hoffenheim

O equilíbrio da Bundesliga permite que outros clubes ainda pensem alto. No entanto, dependem de uma guinada neste segundo turno e de mais consistência, mesmo para lutar pela vaga na Champions League. O Bayer Leverkusen se encaixa nesta opção. O time de Peter Bosz não manteve a curva ascendente que se notou no primeiro semestre de 2019 e, de novo, precisará de um segundo turno impecável na Bundesliga. Lukas Hradecky e Charles Aránguiz são as peças fundamentais até o momento, em uma temporada no qual os mais jovens não causam tanto espanto e precisam corresponder mais. O ótimo Exequiel Palacios, contratado junto ao River Plate, se soma ao meio-campo.

O Hoffenheim teve um início ruim, mas pegou embalo no meio do primeiro turno para pleitear as copas europeias. O técnico Alfred Schreuder ainda não provoca certeza na Rhein-Neckar Arena, diante da irregularidade. Já o retorno de Andrej Kramaric se provou providencial a partir de outubro, com os alviazuis assimilando as muitas mudanças em 2019/20. Não à toa, o clube segue ativo na janela de inverno e algumas edições podem fazer a diferença para a arrancada. A compra de Munas Dabbur junto ao Sevilla é uma das principais até aqui.

Sempre por baixo do radar, o Freiburg é outro que merece menção honrosa. Até pintou no G-4 em parte considerável do primeiro turno e, além do trabalho reconhecido de Christian Streich, possui bons valores no elenco – sobretudo com a dupla Nils Petersen e Florian Niederlechner na frente. O Wolfsburg se mantém por perto, após sustentar sua invencibilidade até o fim de outubro. Maximilian Arnold e Wout Weghorst permanecem como as referências na caminhada dos Lobos pelas copas europeias, apesar do declínio acentuado nas últimas semanas.

O choque de realidade em Frankfurt

Era esperado que o Eintracht Frankfurt não mantivesse o alto nível visto em 2018/19. As Águias perderam jogadores fundamentais e já vinham caindo de rendimento ao final da temporada. Ainda assim, há mesmo quem se preocupe com o que pode acontecer durante o segundo turno. O time de Adi Hütter começou no bolo principal da Bundesliga, mas empacou a partir de novembro e terminou o ano sem vencer uma partida sequer nas seis que disputou em dezembro, incluindo aí cinco derrotas.

A empreitada continental na Liga Europa prevalece, mas recomeça contra o Red Bull Salzburg, o que exigirá um milagre tão grande quanto o de 2018/19. Já na Bundesliga, a zona de rebaixamento aparece três pontos abaixo, contra dez pontos de distância até o G-6. A pressão aumenta. Uma das razões é o aproveitamento risível fora de casa, com apenas três pontos conquistados como visitante. Além disso, o ataque não garante mais os resultados por si. Filip Kostic é o único que realmente tem sobrado, espetacular na armação, o que não adianta sozinho. Gonçalo Paciência e Bas Dost até guardam seus gols, pouco ao que se vivia com Luka Jovic e Sébastien Haller. Vale mencionar ainda a efetividade de Martin Hinteregger em suas subidas ao ataque e também a utilidade de Danny da Costa no apoio. Mas não é um momento favorável na Commerzbank Arena.

O efeito Klinsmann sobre o Hertha

Jürgen Klinsmann retomou sua carreira como treinador na Alemanha, após uma década longe da Bundesliga, e deu uma repaginada no Hertha Berlim durante o final do primeiro turno. O veterano possui relações umbilicais com o clube berlinense, do qual o pai era torcedor e pelo qual o filho atuou até pouco tempo, como goleiro. A princípio, Klinsi deveria ser apenas mais um membro da diretoria alviazul. Contudo, perante a falta de convencimento sob as ordens de Ante Covic, ele tomou as rédeas. Conseguiu afastar o time da zona de rebaixamento ao final do primeiro turno.

Se não possui elenco para ter grandes ambições, o Hertha também não deveria flertar com a rabeira. Nisso, Klinsmann pode ajudar, até mesmo na tentativa de mostrar novamente seu valor na casamata. A passagem pela seleção americana não terminou das maneiras mais felizes e o veterano possui sua aptidão na função. Precisará se confirmar durante o returno. Individualmente os jogadores do Hertha não fazem por merecer tantos aplausos. Dodi Lukebakio até começou bem, mas sem justificar totalmente o preço de sua contratação. Para a metade final, vale prestar atenção na adição de Santiago Ascacíbar à cabeça de área.

O caldeirão de Berlim

Quem acompanhou a saga do Union Berlim em seu inédito acesso à Bundesliga sabia que o clube não exibiria um futebol vistoso na primeira divisão. Pelo contrário, uma das virtudes na equipe de Urs Fischer é exatamente a consciência de suas limitações. Por orçamento, o antigo clube da Alemanha Oriental figurava entre os favoritos para retornar à segundona. Mas as seis vitórias conquistadas no primeiro turno, incluindo o Dérbi de Berlim, deixam a equipe em condições relativamente favoráveis. A luta para evitar o descenso é palpável. O forte jogo aéreo e as ligações diretas precisarão funcionar, enquanto os bons Rafal Gikiewicz e Marvin Friedrich terão que segurar as pontas atrás.

E o grande trunfo do Union Berlim é mesmo o seu estádio, o An der Alten Försterei. O ambiente na acanhada cancha bem no meio do parque florestal costuma ser especial, com muita cantoria e o apoio condicional da torcida. A campanha depende bastante do excelente aproveitamento dentro de seus domínios. Levando em conta apenas o rendimento em casa, a equipe ocuparia atualmente a sétima colocação, faturando 15 de seus 20 pontos por lá. Borussia Dortmund e Borussia Mönchengladbach foram algumas das vítimas famosas na Berlim Oriental.

O Werder Bremen é o grande da vez?

O equilíbrio na Bundesliga se nota em ambas as pontas da tabela. E isso faz com que grandes clubes temam o rebaixamento. O Werder Bremen realizou algumas campanhas ruins nesta última década, mas o calo parecia apertar bem mais ao rival Hamburgo e os Verdes até respiraram recentemente, voltando a flertar com as competições europeias. Desta vez, porém, o drama é maior do que nunca no Weserstadion. O Bremen é o penúltimo colocado, com 14 pontos, apenas cinco deles conquistados em casa. A confiança parece ter minguado de vez ao final do primeiro turno, com direito a derrotas inexplicáveis.

Muitos dos medalhões presentes no Bremen não têm assumido as rédeas da situação, e isso é um claro problema. As esperanças da torcida se concentram basicamente em Milot Rashica, que só não tem feito chover no norte da Alemanha. O kosovar é responsável direto por 10 dos 23 tentos da equipe, carregando os companheiros nas costas em vários momentos. Mas, sozinho, não pode ajudar tanto. Ainda na parte de baixo, vale acompanhar a situação do Colônia. O risco de retornar à segundona se faz presente e os Bodes até mudaram seu treinador em novembro. Nesta janela de inverno, também buscam reforços para evitar a degola, com Mark Uth já confirmado ao ataque e a perspectiva de trazer Benedikt Höwedes à zaga.

Robert Lewandowski x Timo Werner, dois artilheiros

Uma das virtudes da Bundesliga nos últimos anos é proporcionar corridas espetaculares na luta pela artilharia da competição. Lewandowski e Werner sustentam mais uma disputa excepcional. O polonês atravessou o melhor primeiro turno da carreira e, ainda assim, foi acompanhando de perto pelo alemão, no ápice de sua forma. Ambos se mostram vivíssimos pelo troféu de goleador, com um tento a mais para Lewa, 19 a 18. Nem mesmo o momento impressionante deve ser suficiente para almejarem o recorde de Gerd Müller em uma só temporada, mas a média superior a um gol por jogo é fora de série. Werner ainda tem seis assistências na conta.

Os bondes que resolvem

E não é só de jogadores badalados que vive a Bundesliga. Essa temporada tem sido especialmente prolífica a alguns atacantes que passam abaixo do radar, sem tanta reputação. O melhor exemplo é Rouwen Hennings, terceiro na lista de artilheiros, com 11 tentos. O veterano quase sempre militou nas divisões de acesso, com passagens significativas por St. Pauli e Karlsruher, e se tornou ídolo do Fortuna Düsseldorf. Nada menos que 61% dos tentos dos alvirrubros vieram de seus arremates. Pelo Augsburg, quem tem feito a diferença é Florian Niederlechner, contratado junto ao Freiburg. São oito gols e seis assistências, que correspondem à metade da produção ofensiva do time. E o Union Berlim confia no grandalhão Sebastian Andersson, importante desde o acesso. Trazido do Kaiserslautern, o sueco anotou oito gols, responsável direto por 13 pontos faturados pelos novatos até o momento.

Quem aproveitará o embalo da Euro 2020?

Os próximos seis meses serão decisivos a quem desejar descolar uma vaguinha na Eurocopa. O rendimento no segundo turno poderá convencer Joachim Löw e outros treinadores quanto a uma convocação ao torneio continental. Renovando seu elenco, a Alemanha deve prestar atenção especial nos jovens que já acumulam convocações nos últimos meses. Entre os que ganham sequência na defesa, os laterais Lukas Klostermann e Marcel Halstenberg tendem a se impulsionar a partir do RB Leipzig. Robin Koch é outro, bem no miolo de zaga do Freiburg. O meio vê Suat Serdar entrando aos poucos como um útil coringa, enquanto Kai Havertz sofre críticas por não sustentar o furor da temporada passada. Já na frente, Gian Luca Waldschmidt tem feito mais barulho do que diferença ao Freiburg, mas ganhou moral com Löw após o sucesso na Euro Sub-21.

As barganhas do mercado de inverno

Os clubes alemães não costumam fazer mercados de inverno tão abastados. Até pelo planejamento financeiro da maioria das agremiações, cientes de suas contas, os movimentos são pontuais. Contudo, alguns negócios atrativos pintaram e garantem boas expectativas ao segundo turno. O Dortmund é quem mais chama atenção com Erling Haaland. O Leverkusen não fica tão atrás, ao acrescentar Exequiel Palacios ao seu meio-campo, após ótimos momentos do garoto no River Plate. O Wolfsburg tirou o promissor zagueiro Marin Pongracic do Red Bull Salzburg. O Bremen emprestou Kevin Vogt, capitão do Hoffenheim até meses atrás, que entrou em rota de colisão com o treinador. Munas Dabbur, em contrapartida, chega ao Hoffe após ser escanteado no Sevilla. O Hertha terá Santiago Ascacíbar, referência no meio do Stuttgart, que preferiu deixar a segundona. No Schalke, Michael Gregoritsch vem por empréstimo e pode ser útil na rotação. Já o Colônia terá Mark Uth, que nunca emplacou em Gelsenkirchen.

O sofrimento da segundona

Aproveitando a deixa, vale prestar atenção também na tabela da 2. Bundesliga. O Arminia Bielefeld é um líder isolado um tanto quanto surpreendente, levando em conta suas campanhas abaixo do radar nos últimos anos. O tradicional clube terá que lidar com as pressões de Hamburgo e Stuttgart, os mais cobrados pelo acesso, que não fizeram um primeiro turno tão regular. O Heidenheim promete almejar a promoção inédita, ante sua ascensão notável nos últimos anos, enquanto o Erzgebirge Aue é o representante oriental no páreo desta vez. Já na metade inferior da tabela, a temporada é difícil a algumas camisas pesadas. O Hannover 96 atravessa uma crise e está a dez pontos da zona de acesso. O Nuremberg é outro assustadoramente mal e corre riscos sérios de emendar o segundo descenso, na zona de rebaixamento. Já a lanterna isoladíssima é do Dynamo Dresden, que, apesar de contar com uma torcida apaixonada, sofre demais com suas instabilidades.