A Copa da Ásia é uma oportunidade imensa para os jogadores do continente despontarem e almejarem patamares maiores na carreira. No entanto, também pode ser a confirmação de verdadeiras lendas de seus países. E, neste sentido, a edição de 2019 do torneio está repleta de nomes icônicos ao futebol de suas nações. Veteranos que, por serviços prestados ou por longevidade pela equipe nacional, são parte inerente da história de suas seleções. Mas que, ainda assim, têm mais um momento para se afirmar nos Emirados Árabes Unidos.

Abaixo, elaboramos uma lista destes medalhões, um por elenco. Foram escolhidos jogadores com mais de 100 partidas internacionais ou próximos do recorde nacional de aparições pela seleção. Há alguns símbolos mais jovens que despontam, obviamente, mas a prioridade foi dada aos mais rodados. Além disso, a lista se concentra em países secundários no futebol asiático ou emergentes. Como o parâmetro de “lenda” é outro às seleções mais tradicionais, levando em consideração também as participações na Copa do Mundo e os títulos na Copa da Ásia, elas não foram consideradas. Confira:

Ismail Matar (Emirados Árabes Unidos)

Há uma geração mais jovem na seleção emiratense que deve acumular marcas históricas. Ahmed Khalil e Ali Mabkhout têm tudo para se tornarem recordistas em jogos e gols pelo país, superando os números de Adnan Al Talyani – craque do time na Copa de 1990, bem como no vice continental em 1996. No entanto, a camisa 10 ainda pertence a um veterano, também dono de números respeitabilíssimos: Ismail Matar. Eleito melhor jogador do Mundial Sub-20 de 2003, o atacante não registrou grandes sucessos internacionais com os Emirados Árabes Unidos, mas sempre foi figura onipresente na seleção. Aos 35 anos, o capitão acumula 125 jogos e 36 gols pela equipe nacional. Os principais feitos são os dois títulos da Copa do Golfo, enquanto está em sua quarta aparição na Copa da Ásia. Concomitantemente, são 17 anos como craque do Al Wahda, pelo qual ganhou três títulos da liga nacional.

Teerasil Dangda (Tailândia)

Dono da camisa 10 e também capitão da Tailândia, Dangda possui uma carreira razoável por clubes. Chegou a tentar a sorte no Manchester City (em tempos de Thaksin Shinawatra), no Grasshopper e no Almería, além de ter uma passagem digna pelo Sanfrecce Hiroshima. De qualquer forma, as suas maiores façanhas são com o Muangthong United, pelo qual conquistou quatro títulos do Campeonato Tailandês. E a relevância na potência nacional, obviamente, se reflete na seleção. O atacante é o maior símbolo da atual geração, com 95 jogos e 43 gols pelo país. Foi herói, inclusive, na conquista da Copa AFF em 2016. Aos 30 anos, tem chão para mais feitos.

Sunil Chhetri (Índia)

O futebol da Índia possui uma história um tanto quanto renegada, tradicional desde os tempos de colônia britânica. Ainda assim, mesmo com a trajetória secular do esporte em algumas regiões do país, Sunil Chhetri costuma ser considerado por muitos como o melhor jogador indiano de todos os tempos. Suas aventuras malfadadas por Kansas City Wizards e Sporting não contam muito nisso, mantendo seu verdadeiro brilho por clubes no Bengaluru e no Campeonato Indiano, onde é uma verdadeira celebridade. No entanto, o que realmente conta para a sua exaltação é o papel na seleção. O camisa 11 é recordista em jogos e em gols. Além disso, é o segundo jogador em atividade com mais tentos por sua equipe nacional, atrás apenas de Cristiano Ronaldo. Líder nato, acumula títulos e premiações individuais em competições regionais desde a década passada. Mas é esta Copa da Ásia que realmente pode providenciar a sua consagração, liderando os Tigres Azuis.

Abdelatif Bahdari (Palestina)

Dentro da história tumultuada e relativamente recente da seleção palestina, nenhum jogador superou os 70 jogos pela seleção nacional. O capitão Abdelatif Bahdari é o candidato a ultrapassar a marca, com 58 partidas oficiais. O defensor nascido em Gaza começou a ser convocado em 2007. Dono de boa capacidade técnica, possui uma carreira rodada no Oriente Médio, atuando também por clubes da Arábia Saudita, do Egito, do Iraque e da Jordânia – este, o Al-Wehdat, ligado diretamente à comunidade de refugiados palestinos no país. Protagonista na conquista da Challenge Cup em 2014, que classificou sua nação à Copa da Ásia pela primeira vez, em 2018 ele foi campeão e eleito melhor jogador na Copa Bangabandhu, competição para seleções secundárias no cenário continental. Aos 34 anos, segue rendendo bastante.

Amer Shafi (Jordânia)

A Jordânia disputa a Copa da Ásia pela quarta vez. Pela quarta vez, Amer Shafi defende o gol da seleção. O arqueiro, recordista em jogos pelo país, 139 no total, foi o responsável pelas boas campanhas dos jordanianos no certame continental. E não seria diferente desta vez, com sua atuação estrondosa para segurar a vitória por 1 a 0 sobre a Austrália, na abertura da competição. Aos 36 anos, o veterano jogou praticamente apenas no futebol local, exceção feita a uma rápida passagem pelo Egito. Apesar de propostas para ser testado na Europa, preferiu permanecer vestindo a camisa do Al-Wehdat, com o qual conquistou seis títulos nacionais. No último mês de novembro, ainda teve o gosto de marcar um gol com a camisa jordaniana: em uma reposição de bola contra a Índia, o chute quicou e pegou o goleiro adversário desprevenido, permitindo a vitória por 2 a 1. Mais uma história para a “Orca da Ásia”, apelido dado ao goleiro por suas acrobacias e pelos muitos milagres.

Zheng Zhi (China)

A China não disputa uma Copa do Mundo desde 2002. Ainda assim, possui o seu herdeiro direto daquela geração: Zheng Zhi estreou pela equipe em dezembro daquele ano, sendo figura constante desde então. O camisa 10 possui quatro Copas da Ásia no currículo, além de ser o capitão nos Jogos Olímpicos de 2008. Zagueiro no início da carreira, pouco tempo depois foi deslocado ao meio-campo e seguiu em alto nível, providenciando equilíbrio no setor. Não à toa, o currículo recheado vai além dos 104 jogos com os chineses. Jogou a Premier League pelo Charlton e também teve uma passagem breve pelo Celtic, embora o time mais marcante de sua carreira seja o Guangzhou Evergrande. O veterano abraçou o projeto quando o clube ainda estava na segunda divisão e esteve presente ao longo do hexacampeonato nacional. Eleito o melhor jogador do continente em 2013, quando o Evergrande levou a Champions Asiática pela primeira vez, ainda foi apontado para o 11 ideal da Copa da Ásia em 2004.

Phil Younghusband (Filipinas)

A história de Phil Younghusband na seleção das Filipinas é bastante curiosa. Nascido no subúrbio de Londres, filho de uma imigrante filipina com um inglês, o talentoso atacante chegou às categorias de base do Chelsea quando tinha nove anos. Era tratado como uma pérola e, por isso, virou um prospecto interessante no Football Manager. E em 2005, um gamer anônimo entrou em contato com a federação filipina, avisando sobre a possibilidade de convocar a promessa. O novato aceitou a proposta e logo se tornou uma das referências do país. Sua carreira por clubes não foi muito para frente, permanecendo no Chelsea até 2008, com direito a uma passagem por empréstimo à Dinamarca. Assim que seu contrato com os Blues acabou, passou a atuar no próprio futebol filipino, empilhando gols. Enquanto isso, a seleção passou a desfrutar do talento do camisa 10 e também de seu irmão mais velho, James Younghusband. Ambos os ingleses superaram as 100 partidas pelas Filipinas e Phil também é o recordista em gols, 52 no total. Ao lado de outros tantos filhos de imigrantes, o jogador de 31 anos liderou o time à sua primeira Copa da Ásia.

Mohammed Gassid (Iraque)

Aos 32 anos, Mohammed Gassid é o mais velho do elenco do Iraque. Mais do que isso, o capitão é o último elo com o elenco que conquistou a Copa da Ásia em 2007. O jovem arqueiro, que despontava nas seleções de base, era reserva de Noor Sabri na ocasião. Ainda assim, acumulou convocações desde então e participou de outros momentos importantes dos Leões da Mesopotâmia, incluindo a na Copa das Confederações de 2009 – na qual foi titular em todas as três partidas, apontado como um dos melhores goleiros do torneio. Atualmente voltou para o banco, suplente de Jalal Hassan na meta iraquiana. Ainda assim, permanece como uma referência. Por clubes, tem uma trajetória concentrada no futebol local. Hoje em dia faz sucesso com o Al-Quwa Al-Jawiya, atual tricampeão da Copa Asiática – a “Copa Sul-Americana” do continente.

Ala Al-Sasi (Iêmen)

A uma seleção que precisa superar uma guerra civil e todas as complicações da situação caótica no país, chegar a 87 partidas é um feito e tanto. Assim, Ala Al-Sasi é o principal rosto do Iêmen nos últimos 12 anos. O atacante acumula convocações desde 2006, recordista no quesito entre os iemenitas. Anotou, inclusive, um dos gols mais importantes na caminhada até a Copa da Ásia de 2009, a primeira participação de sua nação no torneio. Também usou a braçadeira de capitão na estreia contra o Irã. Aos 31 anos, desempenhou sua carreira majoritariamente no futebol local, mas com a paralisação da liga seguiu ao Catar, atualmente defendendo o Al-Sailiya.

Hassan Al-Haydos (Catar)

Os 28 anos de Hassan Al-Haydos podem não dizer tanto sobre experiência, mas o camisa 10 conta com uma rodagem rara pela seleção catariana. Já superou os 100 jogos oficiais pelo país, se encaminhando fatalmente para se tornar recordista no quesito, e também com cancha para assumir a maior marca entre os artilheiros. Sua carreira inteira se concentrou no Al Sadd, no qual chegou ainda aos oito anos. Além dos títulos nacionais com o clube, também possui a experiência de ter conquistado a Champions Asiática em 2011, participando ainda do Mundial de Clubes.  Em sua terceira Copa da Ásia, conquistou uma Copa das Nações do Golfo e possibilitou importantes vitórias nas últimas Eliminatórias da Copa do Mundo.

Hassan Maatouk (Líbano)

Se Hassan Maatouk ainda não é o maior artilheiro ou o atleta com mais partidas pela seleção do Líbano, é apenas uma questão de tempo. O camisa 7, capitão de sua equipe na Copa da Ásia, foi essencial na caminhada rumo à classificação inédita via eliminatórias – os libaneses estrearam no torneio em 2000, mas como país sede. Foram cinco gols do atacante na jornada, três deles determinantes em vitórias de sua equipe. Habilidoso e criativo, além de possuir grande capacidade de finalização, o veterano de 31 anos já foi eleito o jogador do ano em seu país por três vezes. Nascido em Beirute, ainda tem uma passagem expressiva pelo Campeonato Emiratense, sobretudo vestindo a camisa do Al Fujairah.

Ri Myong-guk (Coreia do Norte)

A Coreia do Norte conta com um elenco razoavelmente jovem na Copa da Ásia. Por isso mesmo, a presença do goleiro Ri Myong-guk é vital. Camisa 1 do Pyongyang City desde 2006, o veterano de 32 anos também é o único remanescente da campanha na Copa do Mundo de 2010. Defendeu a meta dos Chollima nos três jogos do Mundial. Além disso, de 2014 a 2016 foi eleito por três vezes consecutivas o melhor futebolista em atividade no país. Filho e sobrinho de ex-goleiros da seleção, o camisa 1 detém o recorde de presenças pela equipe norte-coreana, com 103 encontros oficiais. E, dada a falta de perspectivas do time, será bastante exigido em sua terceira Copa da Ásia.

Ignatiy Nesterov (Uzbequistão)

O goleiro de 35 anos é praticamente um “chama títulos” do Campeonato Uzbeque. Despontou no tradicional Pakhtakor, com o qual foi campeão seis vezes. Depois, transferiu-se ao Bunyodkor (então treinado por Luiz Felipe Scolari) e acumulou mais quatro taças com a equipe. Apenas nos últimos anos é que a sequência minguou, ao se transferir para o Lokomotiv Tashkent. O veterano é recordista em participações na Copa da Ásia, se tornando o primeiro a disputar o torneio pela quinta vez. Foi titular em três dessas edições, inclusive em 2011, quando os uzbeques atingiram as semifinais. Apesar da rodagem, com 103 jogos e 17 anos pela seleção, ainda está bem atrás do mítico Server Djeparov como recordista em presenças pelo Uzbequistão.

Ahmed Mubarak (Omã)

O volante Ahmed Mubarak não é apenas o recordista em jogos pela seleção de Omã. O jogador de 33 anos também se encaminha para quebrar a maior marca de partidas internacionais da história. Atualmente, são 163 aparições pela equipe nacional – igualado a Sergio Ramos, por exemplo. O espanhol é seu principal concorrente para superar o egípcio Ahmed Hassan, que defendeu os Faraós 184 vezes, mais do que qualquer outro atleta no futebol masculino. Convocado desde 2003, quando tinha 18 anos, o meio-campista está em sua quarta edição na Copa da Ásia – ausente apenas em 2011, quando seu país não se classificou à fase final. Além disso, também possui o seu brilho, eleito o melhor jogador da Copa do Golfo em 2017. Por clubes, já defendeu alguns dos maiores times do Oriente Médio, com passagens por Al Ahli, Al Ain e Al Rayyan.