A Premier League 2013/14 promete ser histórica. Primeiramente, pelo fato de celebrar os 125 anos do Campeonato Inglês, a liga nacional mais antiga do mundo. Porém, a forma como a competição se configura neste início também promete fortes emoções. As trocas de técnicos em Manchester United, Manchester City e Chelsea, os três grandes candidatos ao título, aumentam a imprevisibilidade da competição, algo que não foi tão forte nos últimos anos.

Assim, são várias as questões em aberto nestas primeiras semanas de campanha. Como o United irá se virar sem Sir Alex Ferguson? Manuel Pellegrini saberá desfrutar dos milhões do City, algo que Roberto Mancini não fez no último ano? Qual o impacto do casamento reatado entre José Mourinho e Roman Abramovich? Uma série de interrogações que se soma às movimentações de Arsenal, Liverpool e Tottenham, que mantiveram seus treinadores, mas vivem momentos decisivos no mercado de transferências.

E o próprio pelotão intermediário merece atenção nesta temporada. Não lembram o que o Swansea foi capaz de fazer em 2012/13? Alguém será capaz de repetir? Roberto Martínez conseguirá alinhar o Everton com os postulantes ao Top Four? Como a instabilidade recente refletirá em Newcastle e Sunderland? Os reforços surtirão efeitos em Aston Villa, Norwich e Southampton? Como será o retorno à elite de Cardiff City, Crystal Palace e Hull City? Sem mais delongas, confira a apresentação dos 20 clubes:

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ARSENAL

Técnico Arsène Wenger Temporada passada
Destaque Santi Cazorla Copas europeias Liga dos Campeões
Fique de olho Alex Oxlade-Chamberlain Objetivo Liga dos Campeões
Principais chegadas Yaya Sanogo (A, Auxerre-FRA)
Principais saídas Gervinho (A, Roma-ITA), Andrey Arshavin (M, Zenit-RUS), Francis Coquelin (M, Freiburg-ALE), Vito Mannone (G, Sunderland), André Santos (D, Flamengo-BRA), Johan Djourou (D, Hamburg-ALE), Marouane Chamakh (A, Crystal Palace)

 

Esqueça as promessas feitas durante o final da última temporada. Depois de mais uma campanha decepcionante, na qual viveu realmente o drama de quase perder o “título” da classificação à Liga dos Campeões, o Arsenal indicou uma reviravolta. Arsène Wenger tinha a carta branca para gastar e o nome do clube esteve insistentemente veiculado nas especulações. Porém, o fato é que apenas Yaya Sanogo chegou ao Emirates Stadium, por mais que ainda haja duas semanas de abertura de mercado e um reforço de peso precise ser trazido. O fracasso nas negociações representa um pouco da incompetência dos Gunners – como quando preteriram Gonzalo Higuaín, praticamente certo – e também a falta de atratividade da camisa no mercado. Sem os nomes esperados, a promessa é de uma campanha com nível de brigar pela vaga na Champions, mas distante do topo do tabela. O time possui suas virtudes, mas precisa resolver dois problemas graves: os apagões sofridos pela defesa e a falta de agressividade na conclusão das jogadas, que custaram pontos vitais na última campanha. Santi Cazorla é um dos poucos que conseguem ser incisivo e, não à toa, é o principal jogador do elenco mesmo tendo chegado há apenas 12 meses – Theo Walcott também pode ser esse cara, se conseguir ser mais regular. De quem também pode se esperar um pouco mais é de Jack Wilshere, que vai para a sua primeira temporada completa desde o retorno de lesão e promete apresentações ainda mais consistentes no meio-campo, aliando qualidade técnica e ocupação de espaços – algo feito, em menor escala, por Mikel Arteta. Se ninguém mais chegar, os trunfos dos Gunners param por aí, a não ser que nomes como Lukas Podolski e Olivier Giroud resolvam justificar os milhões pagos em suas transferências, ou que alguma promessa surja da desgastada cartola de Wenger.

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ASTON VILLA

Técnico Paul Lambert Temporada passada 15º
Destaque Christian Benteke Copas europeias Nenhuma
Fique de olho Jores Okore Objetivo Meio de tabela
Principais chegadas Jores Okore (D, Nordsjaelland-DIN), Leandro Bacuna (M, Groningen-HOL), Aleksandar Tonev (A, Lech Poznan-POL), Antonio Luna (D, Sevilla-ESP), Nicklas Helenius (A, Aalborg-DIN)
Principais saídas Jean Makoun (M, Rennes-FRA), Richard Dunne (D, Queens Park Rangers), Eric Lichaj (D, Nottingham Forest), Brett Holman (M, Al Nasr-EAU)

 

O Aston Villa viveu um pesadelo na Premier League 2012/13, flertando insistentemente com o rebaixamento. Paul Lambert segurou as rédeas em sua primeira temporada no clube e agora tem mais segurança para desenvolver seu trabalho sem passar por tantos apuros. A começar pela grande jogada dos Villans na pré-temporada, a renovação com Christian Benteke, principal responsável pela salvação. E, assim como “descobriu” o centroavante na temporada passada, Lambert espera ter acertado a mão outra vez no mercado, apostando basicamente em jogadores de fora dos grandes centros e com bom potencial. Dos nomes que chegam, Jores Okore e Nicklas Helenius são os que geram maiores expectativas de emplacar logo de cara. Todos os setores foram reforçados, um alento no Villa Park, diante das lacunas evidentes no time durante a última campanha. Dos mais antigos, além de Benteke, Brad Guzan e Ron Vlaar também tem um papel importante, pela liderança defensiva, enquanto Gabriel Agbonlahor precisa oscilar para cima na sequência tão irregular das últimas temporadas. Sobreviver à pressão de Arsenal, Chelsea e Liverpool nas três primeiras rodadas poderá ser essencial para evitar preocupações maiores no início da trajetória.

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CARDIFF CITY

Técnico Malky Mackay Temporada passada 1º na Championship
Destaque Craig Bellamy Copas europeias Nenhuma
Fique de olho Andreas Cornelius Objetivo Salvar-se do rebaixamento
Principais chegadas Gary Medel (M, Sevilla-ESP), Steven Caulker (D, Tottenham), John Brayford (D, Derby County), Andreas Cornelius (A, Kobenhavn-DIN)
Principais saídas Heidar Helguson (A, fim de carreira)

 

A campanha do Cardiff City rumo ao título da Championship, por si só, já valeria como credencial para a permanência na Premier League em seu retorno à elite após 51 anos. Tanto quanto, também pesa o poder de mercado dos Blue Birds – transformados em Red Dragons justamente por Vincent Tan, o malaio responsável pela injeção financeira. Para cumprir seus objetivos, os galeses quebraram três vezes o recorde de contratação mais cara de sua história nessa janela, garantindo bons nomes a todos os setores com Gary Medel, Steven Caulker e Andreas Cornelius – a esperança de gols nessa nova etapa. E tão importante quanto os novatos foi a manutenção dos veteranos, em um elenco que já tinha qualidade suficiente para figurar na primeira divisão. Resta a eles tomar consciência do novo nível do clube e melhorar seu desempenho em relação ao último ano. Neste grupo, figura principalmente o Craig Bellamy, que foi bem na Championship, mas pode render mais. Malky Mackay faz um trabalho valorizado à frente dos galeses, com o meio-campista Aaron Gunnarson e o atacante Frazier Campbell surgindo como outros destaques. Além do retorno, expectativas altas para o clássico com o Swansea, um dos maiores da Grã-Bretanha, que acontece pela primeira vez na elite inglesa.

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CHELSEA

Técnico José Mourinho Temporada passada
Destaque Juan Mata Copas europeias Liga dos Campeões
Fique de olho Romelu Lukaku Objetivo Título
Principais chegadas André Schürrle (A, Bayer Leverkusen-ALE), Mark Schwarzer (G, Fulham), Marco van Ginkel (M, Vitesse-HOL), Michael Essien (M, Real Madrid-ESP), Romelu Lukaku (A-West Brom), Kevin de Bruyne (M, Werder Bremen-ALE)
Principais saídas Florent Malouda (M, Trabzonspor-TUR), Oriol Romeu (M, Valencia-ESP), Marko Marin (M, Sevilla-ESP), Ross Turnbull (G, Doncaster), Paulo Ferreira (D, fim de carreira), Yossi Benayoun (A, sem clube)

 

O maior título da história do Chelsea não foi levantado por José Mourinho. Porém, com nenhum outro treinador os Blues parecem mais satisfeitos. O jeito do Special One é adorado em Stamford Bridge e, principalmente, respeitado – algo, por exemplo, que se perdeu em seu último ano em Madri. O português tem todo moral com os senadores e, ao que parece uma relação bem mais dócil com Roman Abramovich. Um limitando o outro, magnata e técnico parecem ter entendido que formam uma parceria fortíssima e necessária para reaprumar suas carreiras. E a promessa de Mourinho é fazer a limonada com os limões que os londrinos já tinham à disposição – enquanto os novatos vêm de acertos anteriores a sua chegada, como André Schürrle e Marco van Ginkel, prontos para compor desde já a nova geração moldada em Londres. Wayne Rooney ou Samuel Eto’o ainda podem ser a estrela para dar nova empolgação ao time. Mesmo assim, o grande reforço está mesmo no banco de reservas. Mourinho vai bancando Juan Mata, David Luiz e os outros jogadores-chave que tinham a saída especulada depois que seu retorno foi confirmado. Mais do que isso, o treinador vem com uma postura bem mais afável para conduzir o processo de renovação, estrelado também por Oscar, Eden Hazard e, agora, por Romelu Lukaku e Kevin De Bruyne. Já candidato ao título em 2012/13, o Chelsea tropeçou nas próprias pernas entre a saída de Roberto Di Matteo e Rafa Benítez. Pelo menos o time conseguiu a vaga na Liga dos Campeões, tão necessária para manter o status do time e garantir o badalado treinador. Se as mudanças no comando foram dolorosas para os clubes da Premier League, a exceção é o Chelsea. E o fato de ser totalmente acostumado ao funcionamento de Stamford Bridge é o que torna José Mourinho outra vez candidato a conduzir os londrinos ao topo da Inglaterra.

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CRYSTAL PALACE

Técnico Ian Holloway Temporada passada 5º na Championship (vencedor dos play-offs)
Destaque Mile Jedinak Copas europeias Nenhuma
Fique de olho José Campaña Objetivo Salvar-se do rebaixamento
Principais chegadas Marouane Chamakh (A, Arsenal), José Campaña (M, Sevilla-ESP), Dwight Gayle (A, Peterborough)
Principais saídas André Moritz (M, Bolton), Alex Marrow (M, Blackburn), Jermaine Easter (A, Millwall), Aruna Dindane (A, sem clube), Antonio Pedroza (A, Cruz Azul-MEX), Wilfried Zaha (A, Manchester United)

 

Antes de tudo, o Crystal Palace quer afastar o rótulo de “ioiô da Premier League”. Desde que a competição foi criada, em 1992/93, os londrinos a disputaram em quatro oportunidades; foram rebaixados em todas elas. Por mais que a vontade exista, o retrospecto não é muito animador. Afinal, o acesso só foi conquistado na repescagem da Championship, após a equipe terminar na quinta colocação durante a temporada regular. E a impressão é a de que o elenco do técnico Ian Holloway está enfraquecido, considerando a venda de Wilfried Zaha ao Manchester United e a lesão que afastará durante o primeiro turno Glenn Murray, artilheiro isolado do time na segundona, com 30 gols. Sem os dois, as fichas são depositadas em Marouane Chamakh, que tenta convencer alguém, e Dwight Gayle, promessa do Peterborough. Outro novato que chama atenção é José Campaña, destaque nas seleções espanholas de base e que deve ajudar a cadenciar o ritmo do time ao lado do armador Mile Jedinak. Problema maior, entretanto, será solucionar a fragilidade da defesa, a pior entre os dez primeiros colocados na última Championship. Quebrar o tabu e evitar mais um rebaixamento, sem dúvidas, não será tão simples ao Palace.

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EVERTON

Técnico Roberto Martínez Temporada passada
Destaque Leighton Baines Copas europeias Nenhuma
Fique de olho Gerard Deulofeu Objetivo Liga Europa
Principais chegadas Gerard Deulofeu (A, Barcelona-ESP), Joel Robles (G, Atlético de Madrid-ESP), Antolín Alcaraz (D, Wigan), Arouna Koné (A, Wigan)
Principais saídas Phil Neville (M, fim de carreira), Jan Mucha (G, Krylya Sovetov-RUS), Thomas Hitzlperger (M, sem clube)

 

David Moyes deixou o Everton após longa jornada. Logicamente, a troca deixa algumas preocupações em Goodison Park. De qualquer forma, não dá para dizer que não há empolgação com o início do trabalho de Roberto Martínez, que vem de passagens notórias por Swansea e Wigan. Depois da campanha da temporada passada, quando flertou com a classificação às competições continentais, a ousadia do técnico pode ser um diferencial para esse salto. O problema é que também não dá para apostar tantas fichas nos Toffees considerando o período de adaptação nessa transição, faltando uma proteção defensiva maior para o gosto ofensivo do técnico. Para ajudar Martínez, ao menos, a equipe titular está mantida – até primeira ordem. Afinal, o mercado permanece aberto pelas próximas duas semanas e Marouane Fellaini aparece entre os mais assediados, assim como Leighton Baines. Pilares da equipe, se os dois permanecerem podem dar o impulso para uma campanha ainda mais destacada do Everton. Dentre os reforços, Gerard Deulofeu é o que gera maiores expectativas, considerando as características de jogo do espanhol, driblador e incisivo. Já os outros contratados compõem o “pacote de confiança” trazido da bagagem de Martínez no Wigan. As apresentações contra grandes times europeus na pré-temporada reforçaram essa boa impressão, ainda que o caminho rumo ao retorno à Champions seja longo.

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FULHAM

Técnico Martin Jol Temporada passada 12º
Destaque Dimitar Berbatov Copas europeias Nenhuma
Fique de olho Kerim Frei Objetivo Meio de tabela
Principais chegadas Marteen Stekelenburg (G, Roma-ITA), Fernando Amorebieta (D, Athletic Bilbao-ESP), Adel Taarabt (M, Queens Park Rangers), Derek Boateng (M, Dnipro-UCR)
Principais saídas Mark Schwarzer (G, Chelsea), Simon Davies (M, sem clube), Mladen Petric (A, sem clube), Chris Baird (M, sem clube), Mahamadou Diarra (m, sem clube), Urby Emanuelson (M, Milan-ITA), Eyong Enoh (M, Ajax-HOL)

 

A gestão de Mohamed Al Fayed à frente do Fulham serve de exemplo para os magnatas que resolvem se aventurar na Premier League. Enquanto foi dono do clube, o egípcio prezou por uma administração sustentável, firmando os Cottagers como um clube de meio de tabela e sendo até mesmo vice-campeão da Liga Europa. Al Fayed deixou Craven Cottage nesta pré-temporada, mas o modelo parece não sofrer sobressaltos com Shahid Khan, novo dono que carrega no currículo o comando do Jacksonville Jaguars, franquia da NFL. E o objetivo do paquistanês para a temporada de estreia será outra vez a tranquilidade. Martin Jol continua fazendo um bom trabalho, ainda que o clube tenha perdido fôlego na reta final do último campeonato e ficado abaixo das participações anteriores. E o elenco está até mais forte, com Marteen Stekelenburg renovando as energias no gol, Fernando Amorebieta prometendo mais segurança à zaga e Adel Taarabt garantindo talento enquanto durar seu empréstimo. Ainda assim, a grande referência continua sendo Dimitar Berbatov, de impacto imediato em sua chegada. A garantia de gols dada pelo centroavante é o que o time precisa para manter o status cultivado ao longo dos últimos anos na Premier League.

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HULL CITY

Técnico Steve Bruce Temporada passada 2º na Championship
Destaque Roberto Koren Copas europeias Nenhuma
Fique de olho Jake Livermore Objetivo Salvar-se do rebaixamento
Principais chegadas Tom Huddlestone (M, Tottenham), Jake Livermore (M, Tottenham), Yannick Sagbo (A, Evian-FRA), Danny Graham (A, Sunderland), Steve Harper (G, Newcastle), Allan McGregor (G, Besiktas-TUR), Maynor Figueroa (D, Wigan)
Principais saídas Jay Simpson (A, sem clube), Jack Hobbs (D, Nottingham Forest), Corry Evans (M, Blackburn), David Stockdale (G, Fulham)

 

O Hull City retorna à Premier League após três temporadas, mas as esperanças de permanecer são pequenas. Os Tigers tinham um bom time para conquistar o acesso na Championship, o que não garante muito na elite. Uma prova disso está na grande movimentação da diretoria durante a janela de transferências, buscando uma quantidade considerável de reforços para aumentar o volume do elenco. Diante do esquema 3-5-2 utilizado pelo técnico Steve Bruce, Tom Huddlestone e Jake Livermore podem dar a consistência necessária à cabeça de área, em um time cujos alas se destacam pelo trabalho ofensivo. Da mesma forma, Allan McGregor e Steve Harper chegam com um currículo extenso para disputar a titularidade no gol. O sistema defensivo, de qualquer forma, não deve ser a grande preocupação. Os gols sofridos serão mais frequentes do que na segundona, quando foi o fiel da balança, mas o setor tem capacidade para assegurar pontos vitais. A maior transformação deverá acontecer no ataque, que produziu muito pouco na última temporada. Não por menos, Danny Graham e Yannick Sagbo chegam para disputar o posto de artilheiro do time – talvez, de salvador. Também será importante observar as exibições de Robert Koren, capitão e maestro na campanha do acesso.

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LIVERPOOL

Técnico Brendan Rodgers Temporada passada
Destaque Luis Suárez Copas europeias Nenhuma
Fique de olho Philippe Coutinho Objetivo Liga dos Campeões
Principais chegadas Simon Mignolet (G, Sunderland), Kolo Touré (D, Manchester City), Iago Aspas (A, Celta-ESP), Luis Alberto (A, Sevilla-ESP), Aly Cissokho (D, Valencia-ESP)
Principais saídas Pepe Reina (G, Napoli-ITA), Stewart Downing (M, West Ham), Jay Spearing (M, Bolton), Suso (A, Almería-ESP), Jonjo Shelvey (M, Swansea), Andy Carroll (A, West Ham), Jamie Carragher (D, fim de carreira)

 

O ano de adaptação de Brendan Rodgers à frente do Liverpool já se foi. O treinador conseguiu implantar sua mentalidade de jogo voltada à posse de bola e um sinal claro disso foram as boas atuações da equipe na reta final da temporada passada. Mas antes fosse apenas esse o ponto para que os Reds voltassem a brigar por uma vaga na Liga dos Campeões. Luis Suárez, que carregou o time justamente quando os métodos de Rodgers não funcionaram à plenitude, vai fazendo de tudo para forçar sua transferência. E, por mais que o time tenha se virado sem o craque, que estará suspenso durante as seis primeiras rodadas da competição, perder um jogador de tanto nível quando a reposição parece não ter alternativas disponíveis e tempo hábil é um baque gigantesco. Por isso concentrar os esforços na manutenção do artilheiro é tão importante. Entre os reforços, Iago Aspas surge como uma alternativa ao uruguaio, assim como Simon Mignolet deve assumir a titularidade credenciado como um dos melhores goleiros da última PL. Mais do que as contratações, no entanto, o grande trunfo do Liverpool é este passo à frente no projeto desenvolvido por Rodgers. Até porque os jogadores de quem se espera mais foram exatamente trazidos em janeiro: Philippe Coutinho e Daniel Sturridge. Diante do início impactante da dupla, os Reds têm em mãos as peças-chave que precisava para ir muito além do que fez em 2012/13. Com Lucas e Steven Gerrard compondo o centro de gravidade do time no meio-campo, a equipe conta com a consistência necessária para emendar bons resultados logo no início da campanha, o que atrapalhou demais na última temporada. Se Suárez ficar, de qualquer forma, facilitará essa missão do clube.

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MANCHESTER CITY

Técnico Manuel Pellegrini Temporada passada
Destaque Yaya Touré Copas europeias Liga dos Campeões
Fique de olho Stevan Jovetic Objetivo Título
Principais chegadas Stevan Jovetic (A, Fiorentina-ITA), Jesus Navas (A, Sevilla-ESP), Álvaro Negredo (A, Sevilla-ESP), Fernandinho (M, Shakhtar-UCR)
Principais saídas Maicon (D, Roma-ITA), Carlos Tévez (A, Juventus-ITA), Kolo Touré (D, Liverpool), Wayne Bridge (D, Reading), Roque Santa Cruz (A, Málaga-ESP)

 

Ok, o Manchester City é o atual vice-campeão da Premier League. Porém, os Citizens também podem ser apontados como grande decepção da última temporada. A equipe não fez mais do que o esperado com o elenco que tinha, brigar pelo título, mas deixou péssima impressão pela forma como isso aconteceu. O time parecia sem rumo, conquistando mais vitórias pela quantidade de craques que possui do que por méritos coletivos. Em consequência, Roberto Mancini ganhou o boné e os xeiques trouxeram Manuel Pellegrini para o comando. Para agradar o chileno, mais algumas contratações milionárias, sobretudo para o ataque, onde o time já havia perdido Carlos Tevez e Mario Balotelli recentemente. O saldo é que, agora sim, o City tem novas forças para buscar mais um título nacional. Álvaro Negredo e Stevan Jovetic, ao lado de Edin Dzeko e Sergio Agüero, deixam à disposição uma ótima rotação ofensiva, a melhor do campeonato. Jesus Navas tem um estilo que tende a se adaptar fácil à Inglaterra, assim como Fernandinho. Resultado: um elenco ainda mais forte que o da temporada passada, com o bônus de contar com um técnico que saiba utilizar essa profundidade, dando mais variações táticas. A maior questão mesmo para Pellegrini será gerir os ânimos, algo que não fez bem no seu maior teste, a passagem pelo Real Madrid, mas no qual Mancini também não primava. Além do ataque poderoso, o novo treinador precisará manter a consistência da defesa, algo no qual deverá contar com grande ajuda de Vincent Kompany e Yaya Touré, os dois principais líderes do elenco. E com a obrigação extra de finalmente passar da fase de grupos da Liga dos Campeões, evitando os vexames recentes. A força do Man City é evidente, mas também muitos são as cobranças a pagar logo nessas primeiras impressões em 2013/14.

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MANCHESTER UNITED

Técnico David Moyes Temporada passada Campeão
Destaque Robin van Persie Copas europeias Liga dos Campeões
Fique de olho Adnan Januzaj Objetivo Título
Principais chegadas Guillermo Varela (D, Peñarol-URU), Wilfried Zaha (A, Crystal Palace), Angelo Henríquez (A, Wigan)
Principais saídas Paul Scholes (M, fim de carreira), Ryan Tunnicliffe (M, Ipswich)

 

Enfim, depois de 26 anos, o Manchester United inicia uma temporada sem contar com Sir Alex Ferguson no comando. E o início de David Moyes em Old Trafford se desenhou ainda mais dramático que o esperado, pela forma como as circunstâncias se deram. Primeiro, pela campanha irretocável feita pelos Red Devils em 2012/13, campeões com sobras tanto por sua competência quanto pela falta dela nos adversários. Depois, pelas dificuldades encontradas pelo United no mercado de transferências. O sonhado volante, parceiro para Michael Carrick, não chegou até agora, assim como o especulado atacante para servir de opção a Robin van Persie. Reflexo disso, a equipe teve um desempenho fraco na pré-temporada, se complicando contra adversários que pareciam fáceis, e não apresentou nada de tão novo na decisão da Supercopa da Inglaterra, na qual bateu o Wigan. Para finalizar, Moyes tem que enfrentar o imbróglio com Wayne Rooney, a primeira crise interna, que combina a insatisfação do atacante e a possibilidade de reforçar um rival. Some tudo isso e pese a tabela ingrata, colocando Chelsea, Manchester City, Liverpool e Swansea no caminho logo nas primeiras cinco rodadas. Para triunfar, o treinador deve se basear no mesmo sistema de jogo de seu antecessor, com um time compacto e aproveitando bastante os lados do campo. Aparentemente, ainda dependente de Robin van Persie e sua sede de gols. Talvez, apostando em Shinji Kagawa, jogador de talento que merece ganhar mais espaço. Se nada disso funcionar, o jeito é apostar em David De Gea, Michael Carrick, Rio Ferdinand, Patrice Evra e outros que seguraram as pontas no últimos ano, quando a equipe deu sinais de fraqueza. Conquistar o 21º título nacional promete ser um desafio e tanto para David Moyes. Afinal, nem Ferguson foi campeão inglês em seu primeiro ano no clube. Não por menos, o novato ganhou seis anos de contrato, sinal também da compreensão dos donos do clube sobre as dificuldades que enfrentará.

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NEWCASTLE

Técnico Alan Pardew Temporada passada 16º
Destaque Yohan Cabaye Copas europeias Nenhuma
Fique de olho Massadio Haidara Objetivo Meio de tabela
Principais chegadas Loïc Rémy (A, Queens Park Rangers)
Principais saídas Steve Harper (G, Hull City), James Perch (M, Wigan), Danny Simpson (D, Queens Park Rangers)

 

Nenhum outro clube da Premier League viveu momentos tão distintos nas últimas duas temporadas. Depois da surpreendente quinta colocação em 2011/12, o Newcastle viu sua consistência desaparecer em 2012/13. Alan Pardew até manteve o elenco, mas os gols de seus artilheiros não foram tão preponderantes. Em janeiro, o treinador foi às compras na França e fez diversos jogadores atravessarem o Canal da Mancha. Nem assim afastou o risco de rebaixamento. E, desta vez, qual Newcastle esperar para 2013/14? Ao que parece, mais o segundo. Por mais que não tenha que dividir atenções com a Liga Europa desta vez, o clima nos bastidores está mais conturbado. Papiss Cissé demorou até aceitar o novo patrocinador do clube e Pardew não se mostrou tão dócil com Joe Kinnear, que voltou como diretor de futebol e continua pródigo em cometer besteiras. Se a bagunça não imperar, dá para esperar um desempenho seguro, até pelos jogadores à disposição em St. James Park. Yohan Cabaye e Moussa Sissoko formam uma das melhores duplas de volantes do país, Fabricio Coloccini é um leão na defesa, Hatem Ben Arfa pode ser considerado um dos mais habilidosos da PL e Loïc Rémy chegou para tirar o conforto de Cissé. Repetir a quinta colocação é difícil, mas o time tem condições para ficar acima da 16ª de 2012/13.

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NORWICH

Técnico Chris Hughton Temporada passada 11º
Destaque John Ruddy Copas europeias Nenhuma
Fique de olho Gary Hooper Objetivo Meio de tabela
Principais chegadas Gary Hooper (A, Celtic-ESC), Leroy Fer (M, Twente-HOL), Ricky van Wolfswinkel (A, Sporting-POR), Javier Garrido (D, Lazio-ITA), Martin Olsson (D, Blackburn), Nathan Redmond (M, Birmingham)
Principais saídas Grant Holt (A, Wigan), Marc Tierney (D, Bolton), Leon Barnett (D, Wigan), James Vaughan (A, Huddersfield)

 

Dentro de suas limitações, o Norwich fez outra excelente temporada na Premier League. Os Canaries se aproximaram do meio da tabela e disputarão sua terceira temporada consecutiva na elite. Um resultado ainda mais importante diante da cisão sofrida no último ano, quando Paul Lambert deixou o clube e Chris Hughton provou que o antigo comandante não era tão necessário assim. O treinador mudou o estilo de jogo do time, deixando de lado o futebol ofensivo por outro baseado na mentalidade defensiva. Não apenas teve sucesso na empreitada, como fechou a campanha uma posição à frente de seu antecessor. Pelas contratações, o Norwich tem condições de ter outro desempenho sem sobressaltos. O artilheiro Grant Holt saiu, mas desembarcaram dois outros centroavantes de nível superior ao antigo titular: Gary Hooper e Ricky van Wolfswinkel, ambos com condições de ganhar a torcida. Já para o meio-campo, Leroy Fer chega como referência para o setor, bem servido com Robert Snodgrass e Anthony Pilkington na ligação pelos lados. Por fim, o sonho de subir mais alguns degraus na tabela deposita suas fichas em John Ruddy, inquestionável sob as traves dos Canaries.

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SOUTHAMPTON

Técnico Mauricio Pochettino Temporada passada 14º
Destaque Rickie Lambert Copas europeias Nenhuma
Fique de olho Luke Shaw Objetivo Meio de tabela
Principais chegadas Victor Wanyama (M, Celtic-ESC), Dejan Lovren (D, Lyon-FRA)
Principais saídas Frazer Richardson (D, Middlesbrough), Steve de Ridder (A, Utrecht-HOL)

 

O Southampton teve um retorno à Premier League como esperava: apesar do início instável, o fim da campanha não contou com grandes temores de rebaixamento. A bem da verdade, os Saints até deram um gostinho de que poderiam ter ido além da 14ª colocação, deixando pontos escapar por detalhe. É fato que a diretoria investiu alto em prol da permanência, mas estabilidade pode proporcionar a verdadeira afirmação da equipe neste segundo ano consecutivo na elite – com potencial para ir além do meio da tabela. Mauricio Pochettino poderá fazer sua primeira temporada completa no comando do grupo, sem mais a sombra da questionável demissão de Nigel Adkins. Como reforços, o técnico contará com Victor Wanyama, que deverá ser a referência na cabeça de área, e Dejan Lovren. Além disso, o elenco está estruturado e possui um bom número de talentos individuais, especialmente para o ataque. Jay Rodríguez tem muito a desenvolver e forma eficiente tridente com Adam Lallana e Jason Puncheon. Mais à frente, Rickie Lambert é um goleador nato, com ótimo senso de posicionamento e presença de área. A maior questão será acertar a defesa, setor mais frágil do time na última campanha, ainda que o lateral esquerdo Luke Shaw, de 18 anos, tenha sido apontado como uma das principais revelações do campeonato.

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STOKE CITY

Técnico Mark Hughes Temporada passada 13º
Destaque Asmir Begovic Copas europeias Nenhuma
Fique de olho Brek Shea Objetivo Salvar-se do rebaixamento
Principais chegadas Juan Agudelo (A, New England Revolution-EUA), Marc Muniesa (D, Barcelona-ESP), Erik Pieters (D, PSV-HOL), Maurice Edu (M, Bursaspor-TUR)
Principais saídas Rory Delap (M, Burton), Matthew Upson (D, Brighton), Dean Whitehead (M, Middlesbrough), Michael Owen (A, fim de carreira)

 

Uma grande interrogação paira sobre o Britannia Stadium nessa temporada. Afinal, o Stoke City só não passará por uma transição mais delicada do que o Manchester United, já que Tony Pulis estava à frente do clube desde 2006. Mark Hughes foi o escolhido para substituir o antigo técnico, mas seu retrospecto não empolga muito. Para piorar, fica a dúvida sobre como a equipe se comportará, depois de manter por tanto tempo um padrão de jogo tão peculiar, adepto dos chuveirinhos e do empenho defensivo. Um sinal de mudança tão significativo que até Rory Delap, o rei das cobranças de lateral em direção à área, foi negociado pelos alvirrubros. E o balanço no mercado aponta para mais perdas do que ganhos, considerando que nenhum dos reforços anunciados até o momento tem capacidade em fazer a qualidade do time dar um salto. Assim, os Potters deverão atravessar uma temporada bastante sofrível, confiando nos lampejos de Charlie Adam no meio-campo, no potencial aéreo de Peter Crouch e na boa fase do goleiro Asmir Begovic, que deverá trabalhar bastante. Mais do que nunca, o Britannia Stadium terá que se provar o ambiente mais duro para os rivais se o Stoke quiser mesmo se segurar na elite.

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SUNDERLAND

Técnico Paolo Di Canio Temporada passada 17º
Destaque John O’Shea Copas europeias Nenhuma
Fique de olho Jozy Altidore Objetivo Salvar-se do rebaixamento
Principais chegadas Jozy Altidore (A, AZ-EUA), Emanuele Giaccherini (M, Juventus-ITA), Vito Mannone (G, Arsenal), Ondrej Celustka (D, Trabzonspor-TUR), Modibo Diakité (D, Lazio-ITA), Cabral (M, Basel-SUI)
Principais saídas James McClean (M, Wigan), Danny Graham (A, Hull City), Simon Mignolet (G, Liverpool), Matthew Kilgallon (D, Blackburn)

 

O Sunderland pretende deixar para trás tudo que viveu em 2012/13. O fraco desempenho dos Black Cats garantiu a convivência com o fantasma do rebaixamento. O alíviosó veio depois que Paolo Di Canio assumiu o time, ainda que as turbulências tenham se intensificado fora de campo, por conta da personalidade do treinador. Independente das acusações ou do mal-estar na diretoria, o italiano ganhou um voto de confiança e segue no comando. E, a se observar pelo que aconteceu na janela de transferências, as esperanças de um futuro melhor aos alvirrubros estão bastante vivas. Jozy Altidore vive uma fase estupenda e tem tudo para estourar em seu primeiro ano na Inglaterra, apesar da forte concorrência de Steven Fletcher. Da mesma forma, Emmanuele Giaccherini possui um estilo que tende a ser valorizado na Premier League. São as duas principais contratações entre as dez feitas pelo clube, que, em compensação, perdeu o goleiro Simon Mignolet e outros nomes frequentes entre os titulares. Tanto quanto os novatos, boa parte dos medalhões do elenco precisa mostrar serviço, depois de ficar abaixo do nível usual, como Stéphane Sessègnon e Sebastian Larsson. Remodelando a equipe e afastando seu gênio intempestivo das confusões, Di Canio tem totais condições de manter os Black Cats longe da Championship outra vez.

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SWANSEA CITY

Técnico Michael Laudrup Temporada passada 9º (Campeão da Copa da Liga)
Destaque Michu Copas europeias Liga Europa
Fique de olho Wilfried Bony Objetivo Liga Europa
Principais chegadas Wilfried Bony (A, Vitesse-HOL), Jonjo Shelvey (M, Liverpool), Alex Pozuelo (M, Betis-ESP), Jordi Amat (D, Espanyol-ESP)
Principais saídas Kyle Bartley (D, Birmingham), Alan Tate (D, Yeovil), Ita Shechter (A, Kaiserlautern-ALE)

 

O Swansea completa sua terceira temporada consecutiva na Premier League e gradativamente consegue aumentar as expectativas sobre si. O sucesso crescente até acostumou os galeses a perderem seu técnico, como aconteceu com Roberto Martínez e Brendan Rodgers. Desta vez, no entanto, os Swans deram um grande passo ao segurarem Michael Laudrup. O dinamarquês recebeu outras propostas e chegou a entrar em litígio com a diretoria durante a pré-temporada, mas optou pela permanência assim que o elenco passou a ser reforçado. E o Swansea teve um saldo bastante positivo em sua atuação na janela de transferências, já que não perdeu nenhum nome significativo e trouxe bons jogadores. Ao lado de Jonjo Shelvey, o principal é Wilfried Bony, artilheiro do último Campeonato Holandês. O marfinense começou mostrando a que veio nas preliminares da Liga Europa e promete formar uma parceria infernal com Michu, sensação da última temporada, que deve ser fixado como articulador central. Porém, a equipe vai muito além da dupla, bem encaixada e com um meio-campo caracterizado pelo toque de bola. Michel Vorm e Ashley Williams são os destaques na defesa, enquanto Jonathan De Guzmán e Leon Britton cadenciam o jogo. A provável participação na fase de grupos da Liga Europa deve roubar um pouco das atenções, mas as esperanças são de que os Swans vão além do nono lugar na última Premier League.

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TOTTENHAM

Técnico André Villas-Boas Temporada passada
Destaque Gareth Bale Copas europeias Liga Europa
Fique de olho Paulinho Objetivo Liga dos Campeões
Principais chegadas Paulinho (M, Corinthians-BRA), Roberto Soldado (A, Valencia-ESP), Nacer Chadli (A, Twente-HOL), Étienne Capoue (M, Toulouse-FRA)
Principais saídas Tom Huddlestone (M, Hull City), Jake Livermore (M, Hull City), Clint Dempsey (A, Seattle Sounders-EUA), Steven Caulker (D, Cardiff), William Gallas (D, sem clube)

 

André Villas-Boas vai para a sua segunda temporada à frente do Tottenham com um trabalho consolidado. O técnico português botou ordem na casa em seu primeiro ano e, graças ao poder de decisão Gareth Bale, quase conseguiu a vaga na Liga dos Campeões. Agora, a torcida espera uma posição mais privilegiada na tabela, a partir do acerto do time conforme a filosofia de AVB. Isso sem contar os reforços. Se o meio de campo dos Spurs já era um trunfo, fica ainda mais forte com a chegada de Paulinho e Étienne Capoue. E Roberto Soldado dá ao ataque finalmente tem o centroavante que tanto fez falta na última temporada, quando Emmanuel Adebayor não deu conta do recado. A grande questão sobre o potencial dos londrinos na Premier League, de qualquer maneira, deve permanecer sem resposta até o dia 2 de setembro, quando se fecha a janela de transferências. Bale foi imprescindível ao time em 2012/13 e, não à toa, o Real Madrid quer pagar tão caro pelo galês. Não há dúvidas que o meia faz uma diferença tremenda. Mas, ainda assim, dá para esperar que o Tottenham consiga uma vaga no Top Four mesmo se perder seu craque. As carências parecem solecionadas e as características do jogo vertical aplicado por Villas-Boas, reforçadas. Caso Bale se vá, Soldado, Paulinho, Moussa Dembélé dividirão as responsabilidades nas subidas do time ao ataque, enquanto Hugo Lloris e Jan Vertonghen – o melhor defensor da última Premier League – têm qualidades de sobra para segurar as pontas na defesa.

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WEST BROMWICH

Técnico Steve Clarke Temporada passada
Destaque Youssuf Mulumbu Copas europeias Nenhuma
Fique de olho Nicolas Anelka Objetivo Meio de tabela
Principais chegadas Nicolas Anelka (A, Juventus-ITA), Diego Lugano (D, Paris Saint-Germain-FRA)
Principais saídas Romelu Lukaku (A, Chelsea), Gonzalo Jara (D, Nottingham Forest), Marc-Antoine Fortuné (A, Wigan), Jerome Thomas (A, Crystal Palace)

 

O West Bromwich foi, ao lado do Swansea, a grande surpresa da temporada passada. Mas, ao contrário dos galeses, os Baggies não dão tanta pinta de repetir a campanha na parte de cima da tabela, embora também tenham seus pensamentos distantes da zona de rebaixamento. Steve Clarke segue seu ótimo trabalho em The Hawthorns e a base da equipe é a mesma. O que coloca em xeque o West Brom é a queda de desempenho na reta final do último campeonato, bem como o fim do empréstimo de Romelu Lukaku, artilheiro e grande destaque do time. Se fosse só por tarimba, o clube teria se dado muito bem no mercado de transferências, mas não se pode confiar muito na atual forma de Diego Lugano e de Nicolas Anelka – que, por sua experiência na Premier League, ainda deve garantir alguns golzinhos. Sendo assim, a maior virtude dos Baggies é justamente a consistência apresentada em 2012/13, sobretudo no meio-campo. Claudio Yacob e Youssuf Mulumbu formam uma excelente dupla de volantes, fundamental para a liberdade de James Morrison na organização e para o funcionamento do time. Nos extremos do campo, os destaques são o bom goleiro Ben Foster e o centroavante Shane Long, que costumava revezar no posto com Lukaku.

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WEST HAM

Técnico Sam Allardyce Temporada passada 10º
Destaque Andy Carroll Copas europeias Nenhuma
Fique de olho Ravel Morrison Objetivo Meio da tabela
Principais chegadas Andy Carroll (A, Liverpool), Stewart Downing (M, Liverpool), Razvan Rat (D, Shakhtar-UCR), Adrián (G, Betis), Alou Diarra (M, Rennes-FRA)
Principais saídas Gary O’Neil (M, Queens Park Rangers), Carlton Cole (A, sem clube), Emanuel Pogatetz (D, Wolfsburg-ALE), Marouane Chamakh (A, Crystal Palace)

 

A volta do West Ham à Premier League foi bem mais tranquila do que muitos torcedores imaginavam. A equipe de Sam Allardyce não relembrou as glórias do passado, mas ao menos esteve apta a seguir com tranquilidade no meio da tabela. Todavia, a manutenção na elite acabou refletindo em uma postura moderada dos Hammers no mercado de transferências. Ao invés de montar um elenco, como fez em 2012/13, o clube prezou pela preservação do grupo atual. Tanto é que a principal contratação foi justamente a de Andy Carroll, que tinha disputado o último campeonato em Upton Park por empréstimo. O centroavante não apresentou números tão empolgantes assim, principalmente pelos problemas com lesões, mas se encaixou perfeitamente no estilo dos londrinos. Conduzida por Kevin Nolan e Matt Jarvis, a equipe é forte no jogo aéreo e bastante presença física, caracterizada pela compactação no trabalho defensivo. Jussi Jaaskelainen também ajuda bastante, operando diversos milagres no gol. Também chama a atenção a quantidade de apostas furadas do Liverpool que são resgatados pelo West Ham: além de Carroll e de Joe Cole, Stewart Downing é mais um que se junta à legião e tenta refazer seu nome em Londres. Independente dos refugos, os Irons parecem sólidos o suficiente para sonhar com outro ano na metade de cima da tabela – talvez até mais próximos das copas europeias.