A Euro Sub-21 não parece um torneio de base. O nível apresentado pelas equipes participantes é, frequentemente, altíssimo, e isso se deve a quantos deles já atuam pelos times principais de grandes clubes da cinco principais ligas. Mas talentos periféricos também podem aparecer – e eles sabem que a competição é um excelente trampolim para ser alçado aos holofotes e ao interesse de pretendentes interessantes.

A campeã Espanha é, sem dúvidas, a que teve o maior número de talentos individuais – muito por isso chegou ao título sendo tão melhor que os concorrentes. Ainda assim, a surpresa Romênia fez bonito, a anfitriã Itália teve bons destaques, apesar da eliminação, e mesmo a França de Sylvain Ripoll, tão decepcionante, nos deu um vislumbre do que vem por aí em suas fileiras.

Não se assuste ao ver jogadores com mais de 21 anos na fase final do torneio: o corte de idade é feito no início do ciclo, portanto, em 2017, quando começaram as Eliminatórias para o torneio principal. Assim, é possível que jogadores de até 23 anos estejam na fase final.

Com o fim do campeonato no domingo (30), separamos dez dos principais jogadores da competição que terminou na Itália e explicamos brevemente por que você deveria acompanhá-los na temporada europeia que se inicia já no mês que vem, agosto.

Federico Chiesa

Itália, 21 anos, Fiorentina (ITA)

Federico Chiesa, da Itália (Getty Images)

Entre tantos outros motivos, foi uma pena ver a Itália ser eliminada na fase de grupos porque isso significou que não haveria mais Federico Chiesa para se assistir. O ponta da Fiorentina estendeu o bom futebol apresentado pela Viola à seleção italiana e foi o melhor jogador do time da casa na competição. Deixou sua marca com belos gols, jogadas misturando drible e explosão e entrega. Fez jogo de gente grande contra a agora campeã Espanha na abertura do torneio e foi o grande nome da vitória por 3 a 1, com dois gols. No radar da Juventus, estará ainda mais em evidência após a Euro Sub-21.

Lorenzo Pellegrini

Itália, 23 anos, Roma (ITA)

Lorenzo Pellegrini, da Itália (Divulgação)

O meio-campista da Roma contribuiu com um gol e uma assistência na boa (mas insuficiente) campanha da Itália, mas sua participação foi muito além das estatísticas. Habilidoso, tenaz e espalhado pelo campo, mostrou grande repertório. Já estabelecido na Roma, sai com ainda mais confiança da competição.

Dayot Upamecano

França, 20 anos, RB Leipzig (ALE)

Dayot Upamecano, da França (Getty Images)

Se em termos criativos e ofensivos a França foi uma grande decepção, defensivamente, com exceção feita à derrota por 4 a 1 para a Espanha em jogo caótico sobretudo do meio de campo dos Bleuets, a dupla de zaga foi muito bem. Ibrahima Konaté e Dayot Upamecano, ambos do RB Leipzig, fizeram jogos bastante sólidos no torneio, e o último, em especial, se sobressaiu com sua força, bom posicionamento e desarme e interceptações precisas. Com apenas 20 anos, seu teto de potencial deve ser bastante alto, mas já se trata de um grande jogador.

George Puscas

Romênia, 23 anos, Palermo (ITA)

George Puscas, da Romênia (Divulgação)

Puscas é um chamado ao passado, e não apenas por seu nome. O camisa 9 é um centroavante clássico: forte, brigador, um incômodo aos defensores na briga pela bola. Bom pelo alto e também atento às oportunidades ao chão, marcou quatro gols em quatro jogos na competição. Está no radar do Sheffield United, recém-promovido à primeira divisão inglesa, e, aos 23 anos, sem conquistar seu espaço na Internazionale antes de rumar ao Palermo, pode ter mais uma boa chance na carreira.

Ianis Hagi

Romênia, 20 anos, Viitorul Constanta

Ianis Hagi, da Romênia (Divulgação)

Puscas não é o único nome que remeteu ao passado nesta seleção romena. Ianis Hagi, filho do icônico Gheorghe Hagi, é outro que aproveitou a competição para saltar de prateleira na percepção dos observadores. Com seu futebol na Euro Sub-21, começou a escrever um nome para si próprio no futebol. Organizador, com boa chegada ao ataque, dribles e chutes perigosos, deve deixar o Viitorul Constanta, da Romênia depois do bom desempenho, incluindo dois gols. Ventilou-se o nome do Barcelona como possível casa futura do garoto de 20 anos, que repetiria os passos do pai, mas os rumores mais recentes dizem que o jogador estaria mais perto do Borussia Dortmund, o que não deixaria de ser um enorme salto em sua carreira.

Luca Waldschmidt

Alemanha, 23 anos, Freiburg (ALE)

Luca Waldschmidt, da Alemanha (Divulgação)

O atacante já tem 23 anos e por algum tempo pareceu que não ia dar em nada. O faro de gols mostrado nas categorias de base não foi repetido em Eintracht Frankfurt e Hamburgo, e, quando o jogador foi para o Freiburg, não empolgou muito a torcida. Lá, porém, começou a recuperar seu futebol, e o desempenho nesta Euro Sub-21 foi particularmente uma overdose de confiança para Waldschmidt, que retorna para os trabalhos com o clube como o artilheiro da competição, com sete gols em cinco jogos, o maior número feito por um alemão no torneio.

Dani Olmo

Espanha, 21 anos, Dinamo Zagreb (CRO)

Dani Olmo, da Espanha (Divulgação)

Perigoso tanto pela ponta esquerda quanto pela direita e também mais centralizado, Dani Olmo foi um dos vários nomes a encher os olhos na seleção espanhola. Anotou três gols e uma assistência na competição e foi um nome importante para a Espanha começar sua reação após a derrota na estreia para a Itália. Foi titular no segundo jogo, importantíssimo para a vitória sobre a Bélgica, e ganhou de vez a vaga no time. O mais curioso de Dani Olmo é o fato de defender o Dinamo Zagreb, da Croácia. Cria da base do Barcelona, foi parar lá em meio à negociação dos catalães com Alen Halilovic. Agora completamente no radar das grandes ligas, possivelmente deve dar adeus à equipe croata.

Dani Ceballos

Espanha, 22 anos, Real Madrid (ESP)

Dani Ceballos, da Espanha (Divulgação)

Fabián Ruiz foi escolhido como o melhor jogador do torneio, mas, na opinião deste que vos fala (ou escreve, no caso), o título poderia perfeitamente ter ficado com Dani Ceballos. O jogador do Real Madrid basicamente utilizou a competição para mostrar para Zidane o quão equivocado ele está em não contar com o meio-campista para seus planos futuros. Ceballos anotou dois gols e duas assistências e foi o maior organizador e catalisador do envolvente ataque espanhol no torneio. Por vezes, parecia que era impossível tomar a bola do jogador, que driblava quantos adversários fossem necessários para livrar da marcação seus companheiros – aos quais servia belos passes também. Completou seu recital na Euro Sub-21 com dois golaços. Se não ficar no Real, não faltarão pretendentes atrás de seu futebol.

Fabián Ruiz

Espanha, 23 anos, Napoli (ITA)

Fabián Ruiz, da Espanha (Divulgação)

O jogador do Napoli tem um mapa do campo dentro do cérebro, sabendo onde estão seus companheiros. Parece ter olhos na nuca para observar o espaço ao redor. Dono de um ótimo passe, curto ou longo, exibiu proficiência nas finalizações, marcando dois gols na competição. Chegava bem à área pelo meio e ainda contribuía com desarmes precisos na fase defensiva. Um jogador basicamente completo para a posição que ocupa de meio-campista.

Pablo Fornals

Espanha, 23 anos, West Ham (ING)

Pablo Fornals, da Espanha (Divulgação)

Muito torcedor do West Ham não sabia exatamente o que esperar da contratação que o clube foi buscar no Villarreal. Decidiram então assistir à Euro Sub-21 – e adoraram o que viram. Rápido, driblador, com um passe preciso, dono de ótima técnica com a bola nos pés, incisivo no ataque e sem medo de ser feliz na hora das finalizações, Fornals sai da competição com muitos olhos em cima de si, curiosos pelo que pode fazer na Premier League. Aos Hammers, um ótimo negócio, por apenas £ 24 milhões.