Chegou a vez da bola rolar em La Liga, um dos principais campeonatos do mundo. Nesta sexta, o confronto entre o Málaga e o recém-promovido Osasuna abre a 86ª temporada da competição entre clubes espanhóis. E esta talvez seja uma das mais interessantes de se acompanhar em algum tempo. Pelo menos é o que se espera depois de 2015/16, em que ainda que a disputa pela taça tenha ficado retida, como de praxe, entre Barcelona, Real Madrid e Atlético de Madrid, o título só foi definido mesmo na última rodada. E ainda tem o fato de times como Sevilla e Villarreal estarem com elencos que podem brigar por boas posições na tabela de classificação, o que torna esta temporada até que imprevisível neste sentido.

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Atlético de Madrid ainda fará valer a “corrida de três cavalos”?

Diego Simeone separou o Atlético de Madrid em duas eras: antes do Cholismo e depois do Cholismo. Os colchoneros estavam voltando a se conformar com o meio da tabela quando o argentino chegou para arrumar a casa. Duas temporadas depois de ter assumido o cargo de técnico, ele conseguiu. Foi campeão nacional com uma equipe que não sabia o que era levantar a taça doméstica há quase quase duas décadas. Mas na campanha seguinte, 14 pontos separavam o time de Madri do rival da mesma cidade, que ocupava na segunda posição na tabela, ao final do campeonato. Na passada, apenas dois. O Atleti resgatou, novamente, o termo “corrida de três cavalos” em relação ao título. E não pode voltar a se acomodar com a terceira colocação.

Ganso no Sevilla atuando na ponta esquerda ou mais recuado

Antes mesmo do campeonato ter início, já deu para ter uma ideia de como Paulo Henrique Ganso jogará no Sevilla de Jorge Sampaoli. Ainda que mínima. Em ambos os confrontos contra o Barcelona pela disputa da Supercopa da Espanha, o posicionamento do jogador em campo foi bem diferente de como costumava atuar no São Paulo, como já havia alertado o comandante do time da Andaluzia antes. Em La Bombonera de Nervión, Ganso entrou apenas na segunda etapa e jogou basicamente de ponta esquerda. Já no Camp Nou, o camisa 19 começou jogando, só que recuado no meio-campo. Como um primeiro volante. O que tirou a magia do jogo do Ganso, que costuma brilhar mais quando é o responsável pelo último passe.

Quem ficará com a última vaga para a Champions League?

Da penúltima vez foi o Valencia. Da última, o Villarreal. E agora? Quem ficará atrás de, presumidamente, Real Madrid, Atlético e Barcelona? Sevilla, com a diretoria tendo acertado em cheio a chegada de Sampaoli para substituir Unai Emery? Valencia, recuperando a força que perdeu na péssima campanha sob o comando técnico (em parte da temporada) de Gary Neville? Athletic Bilbao de Ernesto Valverde, sem ter apostado em reforços notáveis para voltar à Champions depois de duas temporadas? Celta de Vigo, que vem de três campanhas de muito progresso, mas sem poder contar mais com Nolito? O próprio Villarreal, que está em desvantagem nos playoffs da Champions, mas ainda tem um jogo pela frente? Ou algum time que costuma flutuar entre o meio e o fim da tabela conseguirá esta façanha?

A ousadia de Paco Jémez no Granada

Paco Jémez não pôde evitar a queda do simpático Rayo Vallecano para a segunda divisão. No entanto, o espanhol foi, sem dúvidas, um dos técnicos mais elogiados de La Liga na temporada passada. Com sua proposta de jogo ousada e audaciosa tendo recursos muito limitados em mãos, Paco implementou uma mentalidade completamente ofensiva no time de Madri. De jogar para frente, trabalhar a bola, ter mais posse do que o adversário sem ver olhar para o resultado (isso porque ele era zagueiro enquanto jogador). Sobre o comando do Granada, que terminou apenas um ponto à frente do rebaixado Rayo na tabela de 2015/16, não será diferente. Provavelmente, será uma campanha de mais baixos do que altos, já que a equipe graná é de mediana para ruim. Mas com uma proposta muito interessante.

Sampaoli fará o Sevilla subir mais um degrau na Europa?

Quando se pensa em Liga Europa, não há como não fazer a associação com o time que detém os últimos três títulos da competição, o Sevilla. Em 2013/14 e 2014/15, Unai Emery guiou os nervionenses ao quinto lugar na tabela de classificação. No entanto, na temporada passada, a equipe andaluza terminou na sétima posição, correndo o risco de ficar fora da própria Liga Europa e da Champions League se não tivesse batido o Liverpool na final na Basileia. E é fazer o Sevilla saltar mais alto no principal torneio europeu de clubes que Sampaoli terá como desafio nesta temporada. A atitude do técnico ao longo das 38 rodadas do campeonato espanhol determinará a caminho rumo ao sucesso para alcançar o último degrau no continente.

– A estreia do Leganés na primeira divisão

Nesta temporada, a elite do futebol espanhol vai conhecer o Leganés, time que em quase 90 anos de história, nunca havia conseguido ir chegar à primeira divisão. Não que os pepineros irão brigar pelo título ou por uma vaga na Liga Europa ou na Champions League. Longe disso. Mas será curioso ver como uma equipe que nunca esteve entre os grandes irá se comportar perante a eles. Será que o Leganés vai peitar o Real Madrid como o Rayo Vallecano fez na temporada passada? Ou vai ser só mais um saco de pancadas do Barcelona? Vai dar trabalho para o Atlético de Madrid ou vai servir para o Sevilla garantir seis pontos no campeonato?

Pato como a esperança do ataque do Villarreal

Alexandre Pato mal chegou ao Villarreal e já foi condecorado com a camisa 10. O brasileiro se junta ao Submarino Amarelo com uma torcida, um técnico e um time esperando que ele não seja menos do que o personagem principal do ataque do time. Sua estreia oficial pelo clube espanhol foi boa, apesar da equipe ter perdido em pleno Madrigal. Pato entrou de titular, marcou o único gol do Villarreal e se movimentou muito ao longo do jogo contra o Mônaco, que era a primeira etapa valendo uma vaga na fase de grupos da Champions. Enfim, o atacante fez sua parte. Suas atuações ao lado de Roberto Soldado em La Liga serão determinantes para que o Submarino Amarelo, quem sabe, tente algo mais do que o excelente quarto lugar conquistado na última temporada.

– Suárez será o grande protagonista do Barcelona mais uma vez?

Maior goleador do Barcelona na temporada, Luis Suárez também foi artilheiro do campeonato espanhol. Foram, ao todo, 40 gols. Cinco a mais do que Cristiano Ronaldo. Para definir a partida, de jogada ensaiada, de cobrança de pênalti atípica, de cabeça, depois de tabelinha espetacular, de um chutaço de fora da área. Em suma, de todos os jeitos. O uruguaio foi o grande destaque de La Liga por ter sido mais certeiro e decisivo do que qualquer outro jogador. A questão é: será que ele manterá o ritmo? Levando em consideração que o Barcelona preza a coletividade e o homem de definição nunca é uma escolha, a dúvida fica no ar. Se sim, contestar que o camisa 9 não merece estar, pelo menos, concorrendo entre os três finalistas à Bola de Ouro será impossível.

Betis conseguirá voltar a bater de frente com o Sevilla?

A Andaluzia respira futebol. Sevilla, Betis, Málaga, Granada, Almería e Córdoba são os principais times da região. E a rivalidade mais pulsante entre eles é, certamente, a entre as duas primeiras equipes citadas. Sevilla e Betis fazem o maior clássico local da Espanha. Porém, de uns tempos para cá, o time que carrega o nome da principal cidade andaluza viu seu arquirrival degringolar no cenário nacional. Depois de ter caído para a Liga Adelante em 2009/10, o Betis conseguiu voltar para a elite do futebol espanhol em 2011/12. De lá para cá, os béticos até conseguiram ficar na frente dos opositores na tabela na campanha seguinte à promoção. Mas depois disso, voltaram para a segunda divisão. E o Sevilla cresceu. Ganhou três títulos da Liga Europa, está mais forte do que nunca, e precisa que o rival, agora de volta em La Liga, volte a bater de frente com ele.

– Olho na nova geração de jogadores

É bom ficar prestar atenção nos jogadores mais jovens, porque estes são os que mais têm energia para gastar. Diego Llorente, de 23 anos, foi contratado pelo Málaga para reforçar a zaga dos boquerones. Enquanto isso, o Real Madrid apostou em Marco Asensio, de 20 anos, para fortalecer a meiuca. Lucas Digne, de 23 anos, é outro que chega a La Liga, para proteger a lateral esquerda do Barcelona. Bem como Pione Sisto, de 21 anos, que veio da Dinamarca para substituir Nolito no ataque do Celta de Vigo. Já os mais novos de idade, mas já vistos em La Liga na temporada passada são o atacante Mikel Oyarzabal, de 19 anos, que joga pela Real Sociedad, e Charly Musonda, da mesma idade, o meia belga que serve o Betis.

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